Em fevereiro de 2026, dois eventos cristalizaram a mais importante disputa geopolítica da década. Em 4 de fevereiro, os Estados Unidos reuniram 54 nações em Washington D.C. para lançar o Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE), apoiado por mais de US$ 30 bilhões. Poucas semanas depois, Pequim impôs amplos controles de exportação sobre a tecnologia de processamento de terras raras—o conhecimento proprietário que sustenta seu domínio quase total da cadeia global de minerais críticos.
A China processa cerca de 90% dos elementos de terras raras do mundo, 80% do tungstênio e 60% do antimônio—minerais essenciais para caças F-35, sistemas de orientação de mísseis, baterias de VE e turbinas eólicas. Desde abril de 2025, sucessivas ondas de controles de exportação provocaram aumentos de preços de até seis vezes para neodímio, praseodímio e disprósio, enquanto as aprovações de licenciamento europeias caíram abaixo de 25%.
A Geopolítica dos Minerais Críticos
Por décadas, as economias ocidentais terceirizaram não apenas a mineração, mas o processamento intermediário muito mais valioso para a China, que investiu bilhões em tecnologia de extração por solventes. As patentes de terras raras da China representaram 81% dos registros globais entre 2014 e 2024, criando uma dependência estrutural que o financiamento de emergência não pode desfazer rapidamente.
"A China arma o controle—não a escassez—usando restrições temporárias e reversíveis para manter o poder de precificação e extrair concessões", observou uma análise multi-institucional de 2026. A Agência Internacional de Energia alertou em julho de 2026 que a aplicação total poderia colocar US$ 6,5 trilhões de produção downstream em risco.
Os controles de fevereiro de 2026 visaram a tecnologia e o equipamento de processamento—não as matérias-primas—com o objetivo de congelar os concorrentes no estágio inicial de desenvolvimento, garantindo que mesmo projetos como MP Materials Mountain Pass não possam fechar a lacuna sem o conhecimento chinês.
Dentro do FORGE: A Nova Aliança Ocidental
O FORGE representa a resposta ocidental mais ambiciosa à coerção de recursos desde a criação da AIE em 1974. Presidido pela Coreia do Sul, opera como uma zona de comércio e investimento preferencial com preços de referência coordenados e tarifas ajustáveis. O vice-presidente JD Vance delineou pisos de preços em cada etapa de produção para estabilizar o investimento de longo prazo em projetos de mineração de minerais críticos historicamente abandonados durante quedas de preços.
A reunião ministerial de 4 de fevereiro produziu onze novos acordos bilaterais com Argentina, Marrocos, Peru, Filipinas e Emirados Árabes Unidos, elevando o total para 21 acordos em cinco meses. Dois grupos de trabalho—Investimentos em Projetos e Coordenação de Políticas—gerenciarão um registro compartilhado de projetos e alinharão instrumentos de política internacional.
Project Vault e RESourceEU
O Project Vault, um empréstimo de US$ 10 bilhões do EXIM Bank, estabelece a Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA como uma parceria público-privada descentralizada. Quase US$ 2 bilhões em investimento privado foram comprometidos, com apoio da GE Vernova, Mercuria e Boeing.
O Plano de Ação RESourceEU da Europa, adotado em dezembro de 2025, mobiliza €3 bilhões em 12 meses, apoia 60 Projetos Estratégicos sob a Lei de Matérias-Primas Críticas e estabelece um Centro Europeu de Matérias-Primas Críticas. Mais de 80% das empresas da UE dependem de insumos chineses, tornando a diversificação uma prioridade econômica existencial.
O Ocidente Pode se Reconstruir a Tempo?
A restrição vinculante é a capacidade de processamento, não a mineração. Uma única instalação de separação de terras raras custa mais de US$ 1 bilhão e requer de cinco a sete anos desde a licença até a produção. Os EUA têm apenas uma mina de terras raras em operação—Mountain Pass—e sua produção ainda é enviada à China para processamento.
Cada VE americano contém cerca de US$ 500 em componentes de terras raras, e as interrupções na cadeia de suprimentos de baterias de VE poderiam atrasar a transição energética em anos. O F-35 requer mais de 900 libras de materiais de terras raras, e as munições de precisão dependem de ímãs de neodímio produzidos predominantemente na China.
Enquanto isso, Indonésia, Chile e RDC estão impondo suas próprias restrições de exportação, e os estados do Golfo investiram mais de US$ 100 bilhões em minerais. O resultado é uma disputa multipolar na qual a transição energética global é cada vez mais moldada pela geopolítica, não pelas forças de mercado. Analistas estimam uma janela cada vez mais estreita de 12 a 18 meses antes que o domínio chinês se torne arraigado, e a reconstrução de cadeias de suprimentos independentes pode levar de 20 a 30 anos.
FAQ
O que é o FORGE?
O Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos é uma aliança de 54 nações lançada em fevereiro de 2026 para combater o domínio chinês em minerais críticos, apoiada por mais de US$ 30 bilhões em financiamento dos EUA e presidida pela Coreia do Sul.
Por que os minerais críticos são estrategicamente importantes?
Terras raras, lítio, cobalto e tungstênio são essenciais para sistemas de defesa, VEs, turbinas eólicas e hardware de IA—sem eles, a tecnologia militar e civil moderna não pode funcionar.
Quão dominante é a China no processamento de minerais críticos?
A China processa 90% das terras raras, 80% do tungstênio, 60% do antimônio e mais de 60% do lítio e cobalto, e detém 81% das patentes globais de terras raras.
O que é o Project Vault?
Uma iniciativa de US$ 10 bilhões do EXIM Bank dos EUA que cria uma Reserva Estratégica de Minerais Críticos descentralizada por meio de parcerias público-privadas.
Os países ocidentais podem construir capacidade de processamento independente?
Sim, mas especialistas estimam de 20 a 30 anos para uma cadeia de suprimentos totalmente independente; a janela crítica para ação decisiva é de 12 a 18 meses.
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