Aliança FORGE: US$30 bi contra terras raras da China

Aliança FORGE mobiliza US$ 30 bilhões e 54 nações para romper o controle chinês de 90% do processamento de terras raras, com preços seis vezes maiores. Leia mais.

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Edicao: PT

Em 4 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos apresentaram em Washington a Aliança FORGE, reunindo 54 nações e a Comissão Europeia em torno de mais de US$ 30 bilhões para romper o controle de 90% da China sobre o processamento global de terras raras. O Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos substitui a Parceria de Segurança de Minerais de 2022 e surge após controles de exportação mais rígidos de Pequim sextuplicarem os preços fora da China, mantendo-os estáveis no mercado interno.

O que é a FORGE e por que foi lançada?

A FORGE é uma coalizão plurilateral criada na primeira Ministerial de Minerais Críticos. Sucede a Parceria de Segurança de Minerais, ganhando o que o Atlantic Council chama de dentes mais afiados, com preços de referência coordenados e tarifas ajustáveis. Os EUA assinaram onze novos acordos bilaterais de minerais críticos com Argentina, Marrocos, Peru, Filipinas, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, elevando o total a 21 acordos em cinco meses, com 17 países em negociação. A Coreia do Sul preside a FORGE até junho de 2026. A iniciativa pretende vincular essas cadeias de suprimento de minerais críticos num sistema que cobre dois terços da economia global, segundo o Departamento de Estado dos EUA.

Domínio chinês do processamento e a arma da escassez

A China controla cerca de 90% do processamento global de terras raras, 94% da produção de ímãs permanentes sinterizados e 81% das patentes do setor registradas entre 2014 e 2024, segundo a Agência Internacional de Energia. Os controles de exportação de terras raras de Pequim, apertados em abril e reimpostos em outubro de 2025, transformaram esse domínio em arma. O óxido de neodímio-praseodímio saltou de cerca de US$ 80 o quilo em 2024 para mais de US$ 480 no início de 2026 — seis vezes mais — enquanto o antimônio triplicou acima de US$ 40 mil a tonelada. As aprovações de licenças de exportação da UE caíram abaixo de 25%, e as importações americanas de ítrio despencaram de 333 para 17 toneladas, alarmando fabricantes aeroespaciais, segundo o CSIS.

US$ 30 bilhões criam cadeias independentes em 12-18 meses?

O poder de fogo financeiro é real. O empréstimo de US$ 10 bilhões do Export-Import Bank americano ancora uma reserva estratégica de US$ 12 bilhões, enquanto os pisos de preço da FORGE — cobalto a US$ 25,20 a libra, lítio a US$ 15.200 a tonelada e neodímio a US$ 95 mil a tonelada — buscam estabilizar os mercados. Onze marcos de reserva estratégica Project Vault e mais de US$ 30 bilhões em cartas de intenção, investimentos e empréstimos foram mobilizados. Ainda assim, analistas alertam que capacidade de processamento não chinesa relevante pode não chegar antes de 2028–2030, com a diversificação total custando US$ 15–25 bilhões e levando 20–30 anos. A OCDE avisa que a janela geopolítica se estreita para 12 a 18 meses, segundo o informedclearly.

O que faz o Project Vault

É um estoque público-privado para uso civil. Participantes como GE Vernova, Clarios e Boeing informam os minerais necessários, comprometem-se a comprar depois a preços fixos e pagam custos antecipados. Isso protege as empresas de interrupções e volatilidade, mas armazenagem e possível distorção de mercado seguem como desafios.

Impacto em chips de IA, defesa, EVs e renováveis

As terras raras são essenciais para ímãs permanentes em data centers de IA, sistemas de guiagem de mísseis, motores elétricos e turbinas eólicas. O choque de oferta já atingiu a cadeia de suprimentos de semicondutores: a escassez de ítrio ameaça ligas aeroespaciais, enquanto montadoras europeias enfrentam atrasos. A ênfase da FORGE em refino e fabricação de ímãs, e não apenas mineração, mira o gargalo intermediário onde a China é mais forte.

Perspectivas dos especialistas

O vice-presidente JD Vance disse aos ministros que o mercado internacional de minerais críticos está falhando — as cadeias de suprimento são frágeis e altamente concentradas. Analistas do Atlantic Council descreveram a FORGE como um experimento de diplomacia de minerais críticos para converter vantagem bilateral em coordenação plurilateral genuine. O verdadeiro teste é a execução, observaram, apontando produção sustentada, diversificação e investimento privado como fatores decisivos.

Perguntas frequentes

O que é a Aliança FORGE?

É uma coalizão de 54 nações lançada em fevereiro de 2026 para construir cadeias independentes de minerais críticos e conter o domínio chinês de processamento.

Por que a China usa o processamento como arma?

Pequim controla cerca de 90% do processamento global e usou controles de exportação em 2025 para sextuplicar preços fora do país, mantendo-os estáveis internamente.

Quanto dinheiro a FORGE mobilizou?

Mais de US$ 30 bilhões, incluindo empréstimo de US$ 10 bilhões do EXIM para o Project Vault, reserva de US$ 12 bilhões e 21 acordos bilaterais em cinco meses.

O Ocidente pode criar cadeias independentes em 12-18 meses?

A maioria dos analistas diz que não. Capacidade relevante fora da China dificilmente chega antes de 2028–2030, e a diversificação total pode levar 20–30 anos, embora a janela seja crítica para a ação política.

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