A Grande Guerra dos Minerais Começa
No início de 2026, os Estados Unidos lançaram a aliança FORGE (Fórum de Engajamento Geopolítico de Recursos), reunindo 54 nações com um pacote de financiamento de US$ 30 bilhões para neutralizar os crescentes controles de exportação da China sobre terras raras e minerais críticos. As restrições calibradas de Pequim, que abrangem sete terras raras pesadas, incluindo disprósio, térbio e ítrio, provocaram aumentos de preços de seis vezes fora da China e reduziram as taxas de aprovação de licenças europeias para menos de 25%. Com a China controlando cerca de 90% do processamento global de terras raras, o G7 estabeleceu uma meta vinculante na cúpula de junho de 2026 em Évian, França: reduzir a dependência de qualquer fornecedor não-G7 para abaixo de 60% até 2030. Este artigo analisa se a contraestratégia ocidental — abrangendo novos acordos bilaterais, estocagem e capacidade de reciclagem — pode desafiar estruturalmente o domínio chinês dentro da janela crítica de 12 a 18 meses antes de uma nova escalada.
Contexto: Estratégia Chinesa de Escassez Calibrada
Os controles de exportação da China, introduzidos a partir do final de 2025 e intensificados no início de 2026, representam uma estratégia de escassez calibrada — restrições temporárias e reversíveis que buscam manter alavancagem máxima enquanto desencorajam investimentos ocidentais em cadeias de suprimentos alternativas. Os controles abrangem terras raras, tungstênio e antimônio, materiais essenciais para sistemas de defesa, motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e semicondutores. O impacto foi dramático: o óxido de ítrio fora da China disparou 140 vezes para quase US$ 1.100/kg, o disprósio subiu para cerca de US$ 1.450/kg (aumento de 4 a 5 vezes), e o térbio atingiu aproximadamente US$ 4.500/kg. Os controles de exportação de terras raras da China afetaram particularmente o Japão e a Alemanha.
Aliança FORGE: Um Novo Marco Multilateral
Em 4 de fevereiro de 2026, os EUA sediaram a Reunião Ministerial de Minerais Críticos, com 54 países e a Comissão Europeia. O destaque foi o lançamento do FORGE, sucessor da Parceria de Segurança Mineral, presidido inicialmente pela Coreia do Sul. Foram assinados 11 novos acordos bilaterais com países como Argentina, Marrocos e Filipinas. O U.S. Export-Import Bank aprovou US$ 10 bilhões para o Projeto Vault, criando uma Reserva Estratégica de Minerais Críticos doméstica. No total, foram anunciados mais de US$ 30 bilhões em financiamento governamental para projetos de minerais estratégicos.
Projeto Vault: Um Estoque de US$ 10 Bilhões
O Projeto Vault é a parceria público-privada mais ambiciosa para criar um buffer contra interrupções de suprimentos. No entanto, especialistas alertam que a estocagem sozinha não resolve o problema estrutural da dependência de processamento. A estratégia de estocagem de minerais críticos é vista como uma proteção de curto prazo.
Meta Vinculante do G7: Abaixo de 60% até 2030
Na cúpula do G7 em Évian, junho de 2026, os líderes concordaram com uma meta vinculante: garantir que nenhum país não-G7 forneça mais de 60% das importações de terras raras e ímãs permanentes até 2030. O bloco anunciou 195 projetos de minerais críticos, totalizando US$ 73,4 bilhões em investimentos desde o início de 2026. A urgência é impulsionada pela iminente reinstauração chinesa de controles de exportação em novembro de 2026, que podem colocar em risco até US$ 6,5 trilhões em atividade econômica fora da China.
Pode o Ocidente Quebrar a Dependência?
Apesar das metas ambiciosas e do financiamento substancial, o desafio estrutural permanece assustador. Reconstruir capacidade de processamento independente no Ocidente levaria de 20 a 30 anos, muito além da janela geopolítica de 12 a 18 meses. A China controla aproximadamente 90% do refino global de terras raras e 94% da produção de ímãs permanentes. Empresas como USA Rare Earth e MP Materials trabalham para construir cadeias domésticas, mas enfrentam atrasos de licenciamento, altos custos e obstáculos técnicos. Os desafios ocidentais de processamento de terras raras são agravados por regulamentações ambientais e falta de mão de obra especializada.
Perspectivas de Especialistas
Analistas divergem sobre as perspectivas de diversificação. Alguns argumentam que a aliança FORGE e as metas do G7 representam uma mudança real na vontade política, com compromissos financeiros sem precedentes. Outros apontam para um modelo híbrido de dependência gerenciada combinada com independência direcionada para os materiais mais críticos. Os riscos geopolíticos da cadeia de suprimentos em 2026 forçam os governos a fazer trade-offs difíceis entre custo, segurança e velocidade.
FAQ
O que é a aliança FORGE?
FORGE (Fórum de Engajamento Geopolítico de Recursos) é um marco multilateral de 54 países lançado pelos EUA em fevereiro de 2026 para neutralizar o domínio chinês nas cadeias de minerais críticos, criando uma zona de comércio preferencial com pisos de preço coordenados.
Quais são as novas metas do G7 para dependência de terras raras?
Na cúpula de junho de 2026, os líderes do G7 estabeleceram uma meta vinculante de reduzir a dependência de qualquer fornecedor não-G7 para abaixo de 60% até 2030, com ambição de 50% após 2030.
Quanto os controles de exportação da China afetaram os preços?
Os controles de 2025-2026 provocaram aumentos de seis vezes nos preços. O óxido de ítrio subiu 140 vezes para quase US$ 1.100/kg, o disprósio subiu 4-5x para ~US$ 1.450/kg, e o térbio atingiu ~US$ 4.500/kg.
O Ocidente pode construir cadeias de suprimentos independentes?
Especialistas estimam que levaria de 20 a 30 anos para reconstruir capacidade de processamento independente, muito além da janela de 12 a 18 meses antes de uma possível escalada chinesa. A China controla 90% do processamento global.
O que é o Projeto Vault?
É um programa de US$ 10 bilhões do U.S. Export-Import Bank para estabelecer a Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA, armazenando matérias-primas em instalações domésticas seguras com parceiros como Clarios, GE Vernova, Western Digital e Boeing.
Conclusão: Uma Corrida Contra o Tempo
A aliança FORGE e as metas do G7 representam a resposta ocidental mais coordenada ao domínio chinês em minerais críticos em décadas. Com US$ 73,4 bilhões em projetos anunciados e compromissos políticos vinculantes, o impulso é sem precedentes. No entanto, a realidade estrutural do estrangulamento do processamento chinês significa que a diversificação significativa levará anos, senão décadas. A janela crítica de 12 a 18 meses antes de uma nova escalada chinesa testará se o Ocidente pode traduzir vontade política em resiliência tangível na cadeia de suprimentos — ou se a dependência gerenciada se torna o resultado padrão da Grande Guerra dos Minerais.
Follow Discussion