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Minerais Críticos: China Usa Terras Raras como Arma

Controles de exportação da China sobre terras raras em 2025-2026 elevam preços em seis vezes. Coalizão FORGE de 54 nações com US$ 30 bilhões tenta quebrar monopólio chinês de 90% no processamento. Janela geopolítica de 12 a 18 meses.

Minerais Críticos: China Usa Terras Raras como Arma
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No início de 2026, a economia global enfrenta seu realinhamento mais consequente na cadeia de suprimentos desde a crise do petróleo dos anos 1970. Os controles de exportação da China sobre terras raras e minerais críticos em 2025-2026 provocaram aumentos de preços de seis vezes fora da China, com taxas de aprovação de licenças para empresas europeias abaixo de 25%. A crise ameaça a produção de chips de IA, veículos elétricos e sistemas de defesa, como o caça F-35, que requer mais de 400 kg de terras raras. Os EUA lançaram o FORGE, coalizão de 54 nações com mais de US$ 30 bilhões, para quebrar o monopólio chinês. Mas o Ocidente conseguirá autonomia na janela de 12 a 18 meses?

A Alavancagem Estratégica da China: O Monopólio das Terras Raras

A China controla cerca de 90% do processamento global de terras raras e 99% da refinação de terras raras pesadas, segundo a AIE. Os controles de exportação, iniciados em abril de 2025 e expandidos em outubro, agora cobrem 12 dos 17 elementos, ímãs permanentes e tecnologias de processamento. A taxa de carbono da UE adicionou complexidade. Os preços dispararam: o óxido de praseodímio-neodímio saltou de RMB 500.000 para RMB 557.500 por tonelada. A lacuna oferta-demanda projetada é de 5,8% em 2025 e 4,6% em 2026. Empresas europeias relatam taxa de aprovação de licenças abaixo de 25%.

A Coalizão FORGE: Um Contraponto de US$ 30 Bilhões

Em fevereiro de 2026, os EUA lançaram o FORGE, sucessor da Parceria de Segurança Mineral, com 54 nações presidido pela Coreia do Sul e com a Arábia Saudita como novo membro. O vice-presidente JD Vance anunciou 'preços de referência para minerais críticos em cada etapa da produção', mantidos por tarifas ajustáveis. Mais de US$ 30 bilhões em investimentos foram mobilizados, incluindo US$ 10 bilhões do Project Vault. Onze acordos bilaterais foram assinados com Argentina, Marrocos, Peru e Reino Unido. A crise econômica de 2025 já acelerava o interesse ocidental, mas o FORGE representa um salto de ambição.

Project Vault e Preços Mínimos

O Project Vault é uma reserva estratégica de US$ 12 bilhões, combinada com um piso de preço de US$ 110/kg para óxidos de terras raras e acordos de compra garantidos pelo governo. O Departamento de Energia dos EUA comprometeu mais de US$ 7,3 bilhões, incluindo US$ 400 milhões na MP Materials, operadora da mina Mountain Pass, na Califórnia.

Meta do G7 para Redução da Dependência até 2030

Na cúpula do G7 em junho de 2026, em Évian, os líderes finalizaram uma Aliança de Resiliência e Produção de Minerais Críticos, visando reduzir a dependência de qualquer fornecedor não-G7 para menos de 60% até 2030. A aliança coordenará financiamento, capacidade de processamento, reciclagem, estocagem e sistemas de alerta precoce. No entanto, analistas alertam que o prazo pode ser otimista. O debate sobre regulamentação de inteligência artificial destacou como dependências tecnológicas se tornam vulnerabilidades geopolíticas. O 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030) identifica terras raras como 'vantagens competitivas', e o Grupo Northern Rare Earth registrou receitas recordes em 2025. A China investiu cerca de US$ 57 bilhões em infraestrutura de processamento desde 2000.

O Ocidente Conseguirá Escalar Capacidade de Processamento a Tempo?

O gargalo crítico não é a mineração, mas o processamento. Embora o Ocidente tenha reservas significativas, quase toda a capacidade de refino está na China. Projetos ocidentais enfrentam 5 a 15 anos de desenvolvimento, excedendo a janela geopolítica de 12 a 18 meses. Há avanços: em junho de 2026, uma instalação de demonstração de US$ 147,8 milhões da Phoenix Tailings e MIT foi iniciada em Ardmore, Oklahoma, usando halogenação seletiva e controles de IA. Uma planta piloto na Groenlândia no depósito Tanbreez também começou a construção, e a startup australiana Renewable Metals levantou US$ 12 milhões para reciclagem de baterias. Mas esses projetos ainda estão em escala de demonstração.

A demanda doméstica da China também aperta a oferta global. Espera-se que as exportações de terras raras caiam de 50% para cerca de 25% da produção até 2030. A China detém 81% das patentes relacionadas a terras raras.

Perspectivas de Especialistas

'A China está usando o controle como arma, não a escassez — restrições temporárias para manter poder de precificação enquanto impede investimentos alternativos em larga escala', observa análise da Rare Earth Exchanges. 'Reconstruir alternativas independentes pode levar de 20 a 30 anos.' Gracelin Baskaran e Meredith Schwartz do CSIS concluem que 'a resiliência real depende de produção sustentada, oferta diversificada e investimento privado.' A análise do primeiro aniversário das restrições de abril de 2025 mostra que, apesar da trégua Trump-Xi, os fluxos de exportação permanecem voláteis e as importações dos EUA ainda estão abaixo dos níveis de 2024.

Perguntas Frequentes

O que são terras raras e por que são críticas?

São 17 elementos metálicos essenciais para ímãs permanentes, lasers, eletrônicos, defesa e energia verde. São relativamente abundantes, mas difíceis de processar.

Quanto material de terras raras um F-35 requer?

Cada F-35 Lightning II requer cerca de 417 kg para ímãs, sistemas de radar, revestimentos stealth e mísseis. A Lockheed Martin é a maior usuária de samário dos EUA.

O que é a coalizão FORGE?

É uma coalizão de 54 nações lançada pelos EUA em fevereiro de 2026 para combater o domínio chinês, com mais de US$ 30 bilhões, preços mínimos e acordos bilaterais.

O Ocidente pode reduzir a dependência da China até 2030?

O G7 estabeleceu a meta de reduzir a dependência de um único fornecedor não-G7 para abaixo de 60% até 2030, mas analistas alertam que a independência total pode levar de 20 a 30 anos.

Qual é o 15º Plano Quinquenal da China para terras raras?

O plano identifica terras raras como vantagens competitivas, visando um sistema industrial completo da mineração às aplicações finais, expandindo capacidade e mantendo poder de precificação.

Conclusão: Uma Janela Estreita

A pausa tática da China nas restrições de exportação — suspensas até novembro de 2026 — cria uma janela para ação ocidental. As iniciativas do FORGE e do G7 representam uma mobilização sem precedentes, mas os desafios estruturais permanecem formidáveis. O Ocidente precisa decidir entre dependência gerenciada, independência custosa ou um modelo híbrido. O resultado dessa disputa moldará o equilíbrio global de poder em IA, defesa e energia limpa por décadas.

Fontes

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