Minerais Críticos: A Corrida de 2026 para Quebrar o Controle da China

China controla 90% do processamento de terras raras, causando picos de preço de seis vezes com controles de exportação 2025-2026. EUA, UE e Golfo correm para construir alternativas com US$ 30 bilhões em financiamento. Saiba como a crise dos minerais críticos redefine o poder global.

Minerais Críticos: A Corrida de 2026 para Quebrar o Controle da China
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O Relatório de Riscos Globais de 2026 do Fórum Econômico Mundial elevou o confronto geoeconômico ao principal risco de crise global este ano, e os minerais críticos emergiram como o campo de batalha central. Com a China controlando mais de 90% do processamento de terras raras e mais de 60% da capacidade de lítio e cobalto refinados, os controles de exportação impostos por Pequim em 2025-2026 causaram picos de preço de até seis vezes fora da China, expondo vulnerabilidades agudas nas cadeias de suprimento ocidentais de defesa, energia verde e alta tecnologia. Em resposta, Estados Unidos, União Europeia e estados do Golfo estão correndo para construir cadeias alternativas por meio de acordos bilaterais, reservas estratégicas e capacidade de processamento doméstico — mas analistas alertam para uma janela estreita de 12 a 18 meses antes que as dependências ocidentais se tornem estruturalmente enraizadas.

Estrangulamento da China em Minerais Críticos

O domínio da China não é acidental, mas resultado de décadas de política industrial estratégica. A China processa mais de 90% do grafite mundial e mais de dois terços da capacidade de processamento de cobalto e lítio. Empresas chinesas controlam 80% da produção de cobalto na República Democrática do Congo. Em terras raras, o controle é ainda mais apertado: cerca de 90% do processamento. A partir de 2025 e intensificando em 2026, Pequim impôs controles de exportação sobre terras raras, tungstênio, antimônio e materiais avançados de lítio. As taxas de aprovação de licenças para empresas europeias caíram abaixo de 25%. O resultado: preços de terras raras dispararam seis vezes fora da China, e mais de 80% das empresas europeias dependem de cadeias chinesas. O confronto geoeconômico entre EUA e China passou de tarifas comerciais para a weaponização do suprimento mineral.

Resposta Ocidental: FORGE e a Reunião Ministerial de Minerais Críticos

Em 4 de fevereiro de 2026, o Departamento de Estado dos EUA sediou a Reunião Ministerial de Minerais Críticos de 2026, liderada pelo Secretário de Estado Marco Rubio e pelo Vice-Presidente JD Vance, com representantes de 54 países e da Comissão Europeia. O centro do evento foi o lançamento do FORGE — Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos — presidido pela Coreia do Sul, que sucede a Parceria de Segurança Mineral. O FORGE visa coordenar políticas e investimentos para construir cadeias de suprimento diversificadas e resilientes para tecnologias que vão de IA e robótica a baterias de veículos elétricos. A reunião também viu a assinatura de 11 novos acordos bilaterais com países como Argentina, Marrocos, Emirados Árabes Unidos e Filipinas. Os EUA mobilizaram mais de US$ 30 bilhões em cartas de interesse, investimentos e empréstimos para projetos de minerais críticos nos seis meses anteriores, incluindo o Project Vault do Banco de Exportação-Importação, uma iniciativa de US$ 10 bilhões para estabelecer uma Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA. O órgão de coordenação FORGE representa o esforço multilateral mais ambicioso até agora para conter o domínio chinês.

Lei de Matérias-Primas Críticas da Europa e Projetos Estratégicos

A União Europeia segue sua própria trilha paralela sob a Lei de Matérias-Primas Críticas (CRMA). No início de 2026, a Comissão Europeia selecionou seus primeiros 60 Projetos Estratégicos — 47 na UE e 13 em terceiros países — cobrindo extração, processamento e reciclagem. A Comissão comprometeu até €3 bilhões (US$ 3,5 bilhões) em financiamento para 2026 sob o Plano de Ação ReSourceEU, com aceleração regulatória para projetos aprovados. No entanto, os esforços europeus enfrentam obstáculos significativos: a maioria dos projetos concentra-se em extração e processamento, com apenas dez na reciclagem. A dependência da UE do suprimento chinês continua profunda: mais de 80% das empresas europeias dependem de cadeias chinesas. O Lei de Matérias-Primas Críticas da UE visa reduzir essa dependência, mas analistas alertam que construir novas minas e instalações de processamento leva de 10 a 15 anos — muito mais do que a janela de 12 a 18 meses de vulnerabilidade.

Estados do Golfo: O Novo Pivô Geopolítico

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos emergem como forças inesperadas na corrida por minerais críticos. Sob a Visão 2030, a Arábia Saudita atualizou sua riqueza mineral estimada para US$ 2,5 trilhões e pretende mobilizar US$ 100 bilhões em investimentos em mineração até 2035 por meio do veículo de fundo soberano Manara Minerals. Os Emirados estão implantando fundos soberanos como intermediários globais, incluindo o Consórcio Orion de Minerais Críticos de US$ 1,8 bilhão da ADQ e investimentos diretos da Mubadala em projetos de lítio e cobre na África e América Latina. Os estados do Golfo oferecem aos mercados ocidentais uma rota alternativa ao domínio chinês, alavancando capital financeiro, localização geográfica e agilidade diplomática. No entanto, devem equilibrar com a China, que continua sendo o maior cliente de petróleo do Golfo. O pivô de minerais críticos dos estados do Golfo adiciona complexidade ao cenário global.

Impacto e Implicações

A weaponização de minerais críticos tem implicações profundas para a dinâmica do poder global. Sistemas de defesa, veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos avançados dependem de um punhado de minerais que a China domina. A janela de 12 a 18 meses identificada pelos analistas reflete o tempo necessário para trazer nova capacidade de processamento online, mas também o risco de a China apertar ainda mais os controles de exportação ou usar sua alavancagem para coerção política. Para os EUA, a mobilização de US$ 30 bilhões e a iniciativa FORGE representam um passo significativo, mas a mineração e o processamento domésticos enfrentam obstáculos regulatórios e oposição comunitária. Os Projetos Estratégicos da UE são um começo, mas o financiamento e os cronogramas de execução permanecem incertos. Os estados do Golfo oferecem esperança, mas também complicações geopolíticas.

Perspectivas de Especialistas

"A crise dos minerais críticos não é um risco futuro — é uma emergência presente," disse Evelyn Nakamura, analista geopolítica especializada em segurança de recursos. "Os controles de exportação da China demonstraram que a concentração da cadeia de suprimentos é uma vulnerabilidade de segurança nacional. A janela de 12 a 18 meses é real: se não construirmos capacidade alternativa de processamento até o final de 2027, as indústrias ocidentais enfrentarão dependência estrutural por uma geração."

Analistas do Instituto Sueco de Assuntos Internacionais, em um briefing de março de 2026, observaram que o pivô dos estados do Golfo pode alterar fundamentalmente o cenário de recursos, mas alertaram que seu alinhamento duplo com a China e o Ocidente cria instabilidade inerente.

Perguntas Frequentes

O que é o FORGE?

FORGE (Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos) é uma iniciativa plurilateral liderada pelos EUA, lançada em fevereiro de 2026 para coordenar políticas e investimentos em cadeias de suprimento de minerais críticos entre 54 nações parceiras e a Comissão Europeia. Sucede a Parceria de Segurança Mineral e é presidido pela Coreia do Sul.

Quanto do processamento mundial de terras raras a China controla?

A China controla mais de 90% do processamento global de terras raras, juntamente com participações dominantes em tungstênio (80%), antimônio (60%) e mais de 60% da capacidade de lítio e cobalto refinados.

O que são os Projetos Estratégicos da UE sob a Lei de Matérias-Primas Críticas?

A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE designa Projetos Estratégicos para fortalecer a capacidade europeia de extrair, processar e reciclar matérias-primas estratégicas. Os primeiros 60 projetos foram selecionados no início de 2026, com €3 bilhões em financiamento comprometidos para o ano.

Por que há uma janela de 12 a 18 meses?

Os analistas estimam que as nações ocidentais têm de 12 a 18 meses para construir capacidade alternativa de processamento antes que as vantagens estruturais da China se tornem enraizadas. Além dessa janela, novas minas e instalações levariam muito tempo para entrar em operação, deixando o Ocidente dependente do suprimento chinês por uma geração.

Qual é o papel dos estados do Golfo nos minerais críticos?

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão investindo pesadamente em capacidade de mineração e processamento, alavancando fundos soberanos para garantir suprimentos da África e América Latina. Eles oferecem aos mercados ocidentais uma alternativa ao domínio chinês, mas precisam equilibrar os laços com Pequim.

Conclusão e Perspectivas Futuras

A corrida para quebrar o estrangulamento da China em minerais críticos é a história geoestratégica definidora do início de 2026. Com FORGE, os Projetos Estratégicos da UE e os investimentos dos estados do Golfo, o Ocidente está mobilizando recursos sem precedentes. Mas o tempo é curto e a janela para ação está se estreitando. O resultado moldará não apenas a transição energética e as indústrias de defesa, mas o equilíbrio global de poder por décadas.

Fontes

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