Minérios Críticos 2026: A Nova Disputa por Supremacia

EUA lançam FORGE com US$ 30 bi em 2026; China aperta controle de terras raras e Golfo emerge como mediador. Demanda quadruplica até 2040, arriscando fragmentação e transição energética lenta.

Minérios Críticos 2026: A Nova Disputa por Supremacia
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Em fevereiro de 2026, os Estados Unidos lançaram o Fórum sobre Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE), uma iniciativa multilateral apoiada por mais de US$ 30 bilhões em financiamento, marcando uma escalada decisiva na competição global por minerais críticos. Esta nova corrida — abrangendo lítio, cobalto, terras raras e grafite — tornou-se o campo de batalha geopolítico definidor da década, com a demanda por esses minerais projetada para multiplicar de quatro a seis vezes até 2040, impulsionada por veículos elétricos, data centers de IA e necessidades de defesa. Enquanto a China aperta os controles de exportação e novos participantes apoiados pelo Estado, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, posicionam-se como intermediários neutros, o mundo enfrenta o risco de mercados fragmentados, choques de preços e uma transição energética mais lenta.

Contexto: A Importância Estratégica dos Minerais Críticos

Os minerais críticos são os alicerces da tecnologia moderna e da energia limpa. Lítio e cobalto alimentam baterias de VE; elementos de terras raras são essenciais para ímãs permanentes em turbinas eólicas, drones e sistemas de mísseis; grafite é crucial para ânodos de bateria. As projeções de demanda da Agência Internacional de Energia mostram que, sob as políticas atuais, a demanda por lítio pode crescer cinco vezes até 2040, enquanto a de grafite e níquel dobra. No entanto, a oferta é perigosamente concentrada: a China controla 90% do processamento global de terras raras, 80% do tungstênio e 60% do antimônio. Essa concentração criou vulnerabilidade aguda, como demonstrado pelos controles de exportação chineses em outubro de 2025 sobre 12 elementos de terras raras, que desencadearam picos de preços de seis vezes e reduziram as taxas de aprovação de licenças para empresas europeias abaixo de 25%.

A Iniciativa FORGE: A Resposta de US$ 30 Bilhões dos EUA

Em 4 de fevereiro de 2026, o Departamento de Estado dos EUA sediou a Reunião Ministerial de Minerais Críticos em Washington, com representantes de 54 países e da Comissão Europeia. O Secretário de Estado Marco Rubio anunciou o FORGE como o sucessor permanente da Parceria de Segurança Mineral, presidida pela Coreia do Sul. A iniciativa inclui 11 novos acordos minerais bilaterais com países como Argentina, Marrocos, Filipinas e Emirados Árabes Unidos.

Projeto Vault e Pax Silica

Central ao FORGE está o Projeto Vault, uma reserva estratégica de US$ 10 bilhões apoiada pelo EXIM Bank que permite às empresas garantir minerais a preços fixos, protegendo contra interrupções de fornecimento. Um fundo adicional de US$ 250 milhões, Pax Silica, visa a resiliência da cadeia de suprimentos de semicondutores. Analistas estimam que a independência total da cadeia de suprimentos ainda está a 5–7 anos de distância, exigindo US$ 60 bilhões em investimentos na próxima década para diversificar o controle chinês. A estratégia de minerais críticos dos EUA também inclui licenciamento simplificado para projetos de mineração doméstica e parcerias expandidas com nações aliadas.

Alavancagem de Terras Raras da China: Controles de Exportação e o 15º Plano Quinquenal

Os controles de exportação da China em 2025–2026 cobrem 12 elementos de terras raras, incluindo neodímio, praseodímio e disprósio, vitais para ímãs de alta resistência. Pequim também reduziu as cotas de mineração e implementou um sistema de licenciamento que limita aprovações para empresas ocidentais. Essas medidas fazem parte do 15º Plano Quinquenal da China, que prioriza autossuficiência e controle estratégico sobre recursos críticos. Mais de 80% das empresas europeias dependem das cadeias de suprimentos chinesas para minerais essenciais para defesa e energia limpa. Empresas de defesa europeias relatam escassez crítica de ímãs de neodímio para sistemas de mísseis, e analistas alertam que reconstruir alternativas independentes levaria 20–30 anos.

Armando o Controle, não a Escassez

Uma análise multi-institucional publicada no início de 2026 argumenta que a China está armando o controle — não a escassez — usando restrições temporárias e reversíveis para manter poder de precificação e extrair concessões, enquanto impede investimentos alternativos ocidentais em larga escala. O estudo, integrando dados de mais de 50 instituições, adverte que as nações ocidentais têm uma janela estreita de 12 a 18 meses para agir de forma decisiva ou aceitar vulnerabilidade prolongada.

A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE: 60 Projetos Estratégicos

A Lei de Matérias-Primas Críticas da União Europeia (CRMA), adotada em 2024, visa garantir cadeias de suprimentos designando 60 Projetos Estratégicos para extração, processamento e reciclagem. O primeiro lote foi aprovado em março de 2025, abrangendo 14 materiais críticos. No entanto, o financiamento continua um desafio. Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia anunciou até €3 bilhões (US$ 3,5 bilhões) em financiamento em 2026 sob seu Plano de Ação ReSourceEU, incluindo €250 milhões do BEI para o projeto de lítio da Vulcan Energy na Alemanha. A UE também planeja estabelecer um Centro Europeu de Matérias-Primas Críticas modelado no JOGMEC do Japão. Apesar desses esforços, a implementação da Lei de Matérias-Primas Críticas da UE enfrenta obstáculos: metas de extração doméstica de 10% do consumo anual até 2030 permanecem ambiciosas e atrasos de licenciamento persistem.

Estados do Golfo: Os Novos Intermediários Neutros

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos emergem como novas forças decisivas na corrida por minerais críticos, alavancando fundos soberanos e geografia estratégica. A Arábia Saudita atualizou sua estimativa de riqueza mineral para US$ 2,5 trilhões e visa mobilizar US$ 100 bilhões em investimentos em mineração até 2035 através da Visão 2030. Sua joint venture Manara Minerals adquiriu participações estratégicas em ativos de cobre, níquel, lítio e terras raras globalmente. Os fundos soberanos dos Emirados, incluindo ADQ e Mubadala, comprometeram pelo menos US$ 3 bilhões por meio de parcerias visando lítio e terras raras na África, Ásia e América Latina.

Estratégia de Triangulação

Os estados do Golfo estão se posicionando como intermediários neutros, mas críticos, mantendo laços com a China e o Ocidente. Essa estratégia de triangulação permite que ofereçam cadeias de suprimentos alternativas aos aliados ocidentais enquanto continuam engajando Pequim. A mudança dos fundos soberanos do Golfo para minerais críticos carrega implicações geopolíticas significativas, potencialmente remodelando as cadeias de suprimentos globais e oferecendo um amortecedor contra a fragmentação de blocos.

Impacto nas Cadeias de Suprimentos Globais e Metas Climáticas

A intensificação da competição por recursos corre o risco de fragmentar os mercados globais em blocos concorrentes — um bloco ocidental liderado pelos EUA, um bloco oriental centrado na China e um bloco potencialmente neutro liderado pelo Golfo. Essa fragmentação poderia desacelerar a transição energética ao aumentar os custos e criar gargalos de oferta. O Outlook Global de Minerais Críticos da AIE de 2025 adverte que o cobre enfrenta um déficit de 30% até 2035, enquanto o lítio mostra um déficit de 40% sob as tendências atuais de investimento. Atender à demanda requer cerca de US$ 500 bilhões em investimento em mineração até 2040. A volatilidade de preços e interrupções de fornecimento podem atrasar a adoção de VE e a implantação de energias renováveis, prejudicando as metas climáticas.

Perspectivas de Especialistas

'O lançamento do FORGE representa uma mudança de paradigma na forma como os EUA abordam a segurança de recursos,' disse a Dra. Sarah Ladislaw, senior fellow do CSIS. 'Mas US$ 30 bilhões é um adiantamento, não uma solução. Precisamos de investimento sustentado e reforma regulatória para construir cadeias de suprimentos verdadeiramente resilientes.' Enquanto isso, analistas chineses argumentam que os controles de exportação são um direito soberano legítimo. 'A China não está armando recursos; está protegendo sua base industrial e garantindo desenvolvimento sustentável,' afirmou o Professor Li Wei do Instituto de Estudos Internacionais da China.

FAQ

O que são minerais críticos?

São matérias-primas essenciais para tecnologias modernas, incluindo lítio, cobalto, terras raras, grafite e cobre, vitais para baterias de VE, turbinas eólicas, sistemas de defesa e eletrônicos.

Por que o domínio chinês é um problema?

A China controla 90% do processamento de terras raras e participações significativas em outras cadeias. Isso cria vulnerabilidade a interrupções, manipulação de preços e alavancagem geopolítica, como visto nos controles de exportação de 2025.

O que é a iniciativa FORGE?

FORGE (Fórum sobre Engajamento Geoestratégico de Recursos) é um quadro multilateral liderado pelos EUA, lançado em fevereiro de 2026 com mais de US$ 30 bilhões em compromissos para diversificar cadeias de suprimentos de minerais críticos e reduzir a dependência da China.

Como os estados do Golfo estão envolvidos?

Arábia Saudita e Emirados estão investindo bilhões através de fundos soberanos para adquirir ativos minerais globalmente, posicionando-se como intermediários neutros que podem abastecer tanto mercados ocidentais quanto chineses.

A transição energética será desacelerada?

Se a fragmentação da oferta e a volatilidade de preços persistirem, a transição energética pode sofrer atrasos. No entanto, investimento acelerado e cooperação internacional podem mitigar esses riscos e manter o impulso em direção às metas climáticas.

Conclusão: Um Momento Decisivo para a Geopolítica dos Recursos

O ano de 2026 marca um ponto de virada na competição global por minerais críticos. Com os EUA lançando o FORGE, a China apertando controles de exportação, a UE lutando para financiar seus projetos estratégicos e os estados do Golfo emergindo como intermediários de poder, o mundo está testemunhando a formação de novos blocos de recursos. O resultado dessa disputa determinará não apenas o ritmo da transição energética, mas também o equilíbrio geopolítico de poder por décadas. Os formuladores de políticas devem agir rapidamente para construir cadeias de suprimentos diversificadas e resilientes, evitando as armadilhas da fragmentação que poderiam prejudicar a cooperação climática global.

Fontes

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