A corrida global por minerais críticos — lítio, cobalto, terras raras e grafite — escalou para uma luta geopolítica definidora em 2026. Com a demanda projetada para quadruplicar ou sextuplicar até 2040, impulsionada por veículos elétricos, data centers de IA e sistemas de defesa, a importância estratégica desses recursos nunca foi tão alta. A China controla cerca de 70% do processamento de terras raras e 60% da refinação de lítio, usando restrições de exportação como alavanca, enquanto EUA e UE correm para construir cadeias alternativas. O Relatório de Riscos Globais 2026 do Fórum Econômico Mundial classifica o confronto geoeconômico como o maior risco global.
Domínio Estratégico da China em Minerais Críticos
Beijing detém um domínio sem precedentes: cerca de 90% do processamento global de terras raras e 70% da capacidade de refinação de lítio. Em 2025, impôs novos controles de exportação sobre terras raras, citando segurança nacional, causando choques nos mercados. O 15º Plano Quinquenal (2026-2030) visa cimentar esse domínio até 2035, apoiado por cerca de US$ 120 bilhões em investimentos no exterior desde 2023. A controles de exportação de terras raras da China criaram uma estrutura de preços dupla, com preços subindo até seis vezes fora da China.
Resposta dos EUA: Iniciativa FORGE e Projeto Vault
Em fevereiro de 2026, os EUA lançaram o Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE), sucessor da Parceria de Segurança Mineral, reunindo 54 nações com mais de US$ 30 bilhões em compromissos. O Projeto Vault, uma reserva estratégica de US$ 10-12 bilhões administrada pelo Exim Bank, visa 50% de suprimento doméstico até 2035. A iniciativa FORGE de minerais críticos dos EUA inclui também uma zona comercial com preços mínimos para estabilizar mercados.
Lei de Matérias-Primas Críticas da UE: Metas Ambiciosas, Lacunas de Implementação
A Lei de Matérias-Primas Críticas (CRMA) da UE, em vigor desde maio de 2024, estabelece metas para 2030: 10% de extração doméstica, 40% de processamento e 25% de reciclagem, além de limitar a dependência de um único país a 65%. Em 2025, a Comissão aprovou 60 projetos estratégicos, mas apenas cinco estão totalmente financiados, com uma lacuna de capital de €22,5 bilhões. A Europa depende da China para 100% de suas terras raras pesadas e 85% das leves. As metas da Lei de Matérias-Primas Críticas da UE enfrentam atrasos de licenciamento e financiamento insuficiente.
Estados do Golfo e Austrália: Jogadores Decisivos
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos emergiram como jogadores centrais, implantando mais de US$ 100 bilhões via fundos soberanos para adquirir ativos de lítio, cobre e terras raras. A Austrália, grande produtora de lítio, posiciona-se como fornecedora confiável ao Ocidente, mas empresas chinesas têm participações em operações australianas. A estratégia de minerais críticos da Austrália inclui A$4 bilhões em financiamento governamental.
Lacuna de Suprimento de Uma Década
O prazo típico de mina a processamento é de 10 a 15 anos, o que significa que projetos ocidentais só atingirão escala por volta de 2035. A AIE projeta que a demanda por lítio crescerá cinco vezes até 2040, e o cobre enfrenta déficit de 30% até 2035. Os preços do neodímio subiram 34% no início de 2026. Essa lacuna ameaça as metas de descarbonização e fragmenta os mercados.
Perspectivas de Especialistas
"A corrida por minerais críticos não é apenas sobre mineração — é sobre processamento, e a China tem uma liderança quase intransponível. A janela de diversificação de 12 a 18 meses é irrealista; estamos olhando para uma década até que alternativas significativas surjam", afirma Dra. Sarah Chen, do CSIS. Os esforços de diversificação global da cadeia de suprimentos enfrentam obstáculos estruturais.
FAQ: Corrida por Minerais Críticos
O que são minerais críticos?
São matérias-primas essenciais para economias e segurança, com cadeias vulneráveis. Incluem lítio, cobalto, terras raras e grafite, usados em VEs, energia renovável, defesa e eletrônicos.
Por que a China domina o processamento?
A China investiu décadas em infraestrutura, com subsídios estatais e planejamento estratégico. Controla ~70% do processamento de terras raras e ~60% da refinação de lítio.
O que é a iniciativa FORGE dos EUA?
FORGE é uma coalizão de 54 nações lançada em fevereiro de 2026, com mais de US$ 30 bilhões para diversificar cadeias de minerais críticos, substituindo a Parceria de Segurança Mineral.
A UE cumprirá suas metas de 2030?
Avaliações indicam que a UE está aquém. Apenas 5 de 47 projetos estratégicos estão financiados, com lacuna de €22,5 bilhões. A UE depende da China para terras raras.
Quando os projetos ocidentais fecharão a lacuna?
A maioria dos projetos ocidentais deve atingir escala apenas por volta de 2035, criando uma lacuna crítica de uma década que ameaça a descarbonização e a segurança energética.
Conclusão: Um Futuro Fragmentado
O tabuleiro de xadrez dos minerais críticos está remodelando as dinâmicas de poder globais. A alavancagem da China, a resposta EUA-UE e a emergência de players do Golfo criam uma arquitetura multipolar. A janela de 12 a 18 meses para diversificação é insuficiente; o prazo real se estende até 2035. Sem investimento acelerado e cooperação internacional, o mundo corre o risco de um mercado fragmentado que prejudica as metas climáticas e a estabilidade econômica.
Fontes
- Departamento de Estado dos EUA: Reunião Ministerial de Minerais Críticos de 2026
- Comissão Europeia: Lei de Matérias-Primas Críticas
- AIE: Panorama Global de Minerais Críticos 2025
- Fórum Econômico Mundial: Relatório de Riscos Globais 2026
- Thomson Reuters: Relatório de Comércio Global 2026
- Parlamento Europeu: Restrições de Exportação de Terras Raras da China
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