Minerais Críticos: Corrida por Lítio, Cobalto e Terras Raras

China domina 90% do processamento de terras raras. EUA e UE lançam FORGE e €3B em 2026. Análise da corrida por minerais críticos e impacto na segurança energética global.

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Edicao: PT

A corrida global por minerais críticos — lítio, cobalto, terras raras e outros materiais essenciais para a transição energética — intensificou-se drasticamente em 2026, remodelando alianças geopolíticas, políticas industriais e estratégias de segurança nacional. Com a China controlando mais de 60% do processamento de terras raras e os Estados Unidos, União Europeia e nações aliadas se esforçando para construir cadeias de suprimento alternativas, a disputa por esses recursos tornou-se a luta econômica e estratégica definidora da década.

A Dominação da China e a Armação do Fornecimento

O domínio da China nas cadeias de suprimento de minerais críticos continua formidável. Pequim controla aproximadamente 90% do processamento global de terras raras, 80% do tungstênio e 60% do antimônio. O 15º Plano Quinquenal, aprovado em março de 2026, pede a preservação das vantagens competitivas em terras raras, metais raros e materiais superduros. Projeções indicam que a China manterá mais de 60% do lítio e cobalto refinados, cerca de 80% do grafite de grau de bateria e terras raras, e aproximadamente 70% do manganês de grau de bateria até 2035. As restrições de exportação introduzidas em 2025-2026 causaram picos de preços de até seis vezes em elementos como samário, disprósio e térbio, enquanto as aprovações de licenças para empresas europeias caíram abaixo de 25%. Especialistas argumentam que Pequim está usando controle, não escassez, para manter poder de precificação.

A Resposta dos EUA: FORGE e Projeto Vault

Em fevereiro de 2026, os EUA sediaram a Reunião Ministerial de Minerais Críticos em Washington, com representantes de 54 países. O centro da estratégia dos EUA é o lançamento do FORGE (Fórum sobre Engajamento Geostratégico de Recursos), uma coalizão plurilateral que cria uma zona preferencial de comércio e investimento para minerais críticos. O FORGE introduz preços mínimos coordenados para combater a manipulação de mercado, com o objetivo de abranger dois terços da economia global. Simultaneamente, os EUA mobilizaram mais de US$ 30 bilhões em cartas de interesse, empréstimos e investimentos para projetos de cadeia de suprimento de minerais críticos. O presidente Trump anunciou o Projeto Vault, uma iniciativa de US$ 10 bilhões apoiada pelo EXIM para estabelecer uma reserva estratégica doméstica. A iniciativa Pax Silica fornece US$ 250 milhões para resiliência da cadeia de suprimento de semicondutores.

A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE e o Plano ReSourceEU

A União Europeia respondeu com a Lei de Matérias-Primas Críticas e o Plano de Ação ReSourceEU, alocando até €3 bilhões para 2026 para garantir matérias-primas críticas para a Europa. As medidas incluem aceleração regulatória para projetos estratégicos, €250 milhões do BEI para o projeto de lítio da Vulcan Energy na Alemanha, novas restrições à exportação de ímãs permanentes de sucata e alumínio, e proibição de exportações de baterias de íon-lítio residuais para países não membros da OCDE a partir de setembro de 2026. O plano também pede um Centro Europeu de Matérias-Primas Críticas, parcerias com África do Sul e Brasil, e cadeias de valor integradas na Ucrânia, Bálcãs Ocidentais e Norte da África. Apesar dos esforços, a dependência da UE em terras raras chinesas permanece aguda: a Europa dependia da China para 98% de suas necessidades de terras raras em 2023.

África: O Novo Campo de Batalha por Minerais Críticos

A África tornou-se um teatro central na disputa por minerais críticos. A República Democrática do Congo produz 73% do cobalto global, enquanto o Zimbábue detém os maiores depósitos de lítio da África. Empresas chinesas investiram US$ 12,1 bilhões na mineração africana entre 2022 e 2025, controlando 60% do cobalto industrial do Congo. Em resposta, o Corredor de Lobito, com US$ 2,6 bilhões e 71% concluído até março de 2026, visa contrapor o domínio logístico chinês. No entanto, abusos ambientais e trabalhistas persistem: mais de 40.000 crianças trabalham nas minas artesanais de cobalto no Congo.

Riscos de Cartelização e Vulnerabilidades na Cadeia de Suprimentos

A concentração das cadeias de suprimento apresenta riscos significativos. A dominação chinesa no processamento significa que, mesmo com a diversificação da mineração, o gargalo da refinação permanece. Reconstruir capacidade de processamento independente pode levar de 20 a 30 anos. A volatilidade de preços adiciona risco: após colapsos de preços de lítio e terras raras em 2024-2025, os formuladores de políticas ocidentais reconhecem que subsídios convencionais são insuficientes. O mecanismo de piso de preços do FORGE é uma tentativa de estabilizar mercados. O risco de cartelização de minerais críticos

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