A Nova Geopolítica dos Minerais Críticos
À medida que a transição energética acelera, a competição por lítio, cobalto, terras raras e cobre escalou para uma luta geopolítica. A Reunião Ministerial de Minerais Críticos de fevereiro de 2026, sediada pelos EUA, teve 54 países e a Comissão Europeia assinando 11 acordos bilaterais, e os EUA mobilizaram US$ 30 bilhões. A China controla ~70% da produção global de terras raras e ~60% do lítio e cobalto refinados. As cadeias de suprimentos da transição energética global estão no centro de um confronto que o WEF classifica como o principal risco: confronto geoeconômico.
Domínio Chinês e Escalada de Controles de Exportação
A China domina 91% do refino de terras raras e 94% da produção de ímãs. Em abril de 2025, impôs controles de exportação de terras raras pesadas, forçando cortes na produção. Em outubro de 2025, expandiu para componentes contendo terras raras chinesas. Em 2026, as licenças para empresas europeias caíram abaixo de 25%, e os preços dispararam. Os controles agora cobrem tungstênio (80%) e antimônio (60%). A guerra tecnológica EUA-China avançou para os minerais. Os riscos de concentração da oferta são reais, segundo a AIE.
A Resposta Ocidental: FORGE, Projeto Vault e o ReSourceEU da UE
Estados Unidos: FORGE e Projeto Vault
Em fevereiro de 2026, os EUA lançaram o FORGE (sucessor do MSP) para coordenar investimentos aliados. O Projeto Vault reservou US$ 10 bilhões para uma reserva doméstica; no total, US$ 30 bilhões foram mobilizados. Acordos bilaterais foram assinados com Argentina, Marrocos, Peru, Filipinas, Emirados Árabes e Reino Unido. Esses acordos bilaterais de minerais críticos visam contornar a China.
União Europeia: ReSourceEU e €3 Bilhões em Financiamento
A UE, sob a Lei de Matérias-Primas Críticas (2024), lançou o ReSourceEU com €3 bilhões em 2026. A segunda chamada de projetos estratégicos ocorreu em janeiro de 2026, mas apenas dez dos 60 projetos são de reciclagem. A UE importa 100% de terras raras pesadas da China, 99% de boro da Turquia e 71% de platina da África do Sul. A implementação da Lei de Matérias-Primas Críticas da UE visa reduzir dependências, mas os licenciamentos levam em média 15 anos.
Nacionalismo de Recursos 2.0: Países Produtores Reagem
Países produtores estão impondo controles. Indonésia proibiu níquel bruto (2020); Chile exige controle estatal do lítio; México nacionalizou o lítio (2022); Zimbábue e Namíbia proibiram exportações de lítio bruto; RDC elevou royalties de cobalto para 10%. Segundo Oxford TIDE, essa onda é impulsionada pelo valor estratégico dos minerais. A tendência de nacionalismo de recursos minerais críticos 2026 força empresas a aceitar condições mais duras.
Riscos Sistêmicos e o Alerta do WEF
O WEF classifica o confronto geoeconômico como o principal risco de 2026. Quase 60% dos especialistas esperam instabilidade por uma década. Minerais críticos são o campo de batalha central. Os riscos de confronto geoeconômico 2026 são uma realidade.
Perspectivas de Especialistas
"A Reunião Ministerial de 2026 marca um verdadeiro ponto de inflexão", disse a Dra. Sarah Ladislaw, do CSIS. "A mudança do MSP para o FORGE sinaliza uma transição do diálogo para a concretização de negócios. Mas US$ 30 bilhões, embora significativos, são uma fração do que a China investiu em duas décadas. A lacuna levará anos para ser fechada."
Perguntas Frequentes
O que são minerais críticos?
São matérias-primas essenciais para energia verde, eletrônicos e defesa.
Por que a China domina as cadeias de minerais críticos?
Devido a décadas de investimento em processamento, controlando ~90% do refino de terras raras.
O que é o FORGE?
É uma plataforma dos EUA para coordenar investimentos aliados em cadeias de minerais críticos.
Como a UE está respondendo à dependência de minerais críticos?
Com a Lei de Matérias-Primas Críticas e o ReSourceEU, comprometendo €3 bilhões.
O que é nacionalismo de recursos em minerais críticos?
Políticas de países produtores para maior controle, como proibições de exportação e aumento de royalties.
Conclusão: Um Novo Mapa do Poder
A corrida por minerais críticos está redesenhando o poder global. O domínio chinês, as alianças ocidentais e o nacionalismo de recursos criam um cenário fragmentado. O WEF alerta que o confronto geoeconômico se aprofundará. A era dos minerais baratos acabou.
Fontes
- Departamento de Estado dos EUA – Reunião Ministerial de Minerais Críticos 2026
- Relatório de Riscos Globais 2026 do WEF
- AIE – Riscos de Concentração da Oferta
- Conselho da UE – Posição sobre Matérias-Primas
- Mining Magazine – Financiamento de €3B da UE
- Rare Earth Exchanges – Controles de Exportação da China
- Oxford TIDE – Nacionalismo de Recursos 2.0
- CSIS – Análise da Reunião Ministerial
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