Em fevereiro de 2026, os Estados Unidos sediaram a Ministerial de Minerais Críticos em Washington, reunindo 54 nações e a Comissão Europeia para enfrentar uma realidade dura: a China deve fornecer mais de 60% do lítio e cobalto refinados e cerca de 80% do grafite de grau bateria e terras raras até 2035. O encontro marcou um ponto de inflexão geopolítico, lançando o Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE) e mobilizando mais de US$ 30 bilhões em financiamento para remodelar cadeias globais de suprimentos.
O que são minerais críticos e por que importam?
Minerais críticos — como lítio, cobalto, níquel, grafite e terras raras — são matérias-primas essenciais para energia, defesa e tecnologia avançada, mas vulneráveis a interrupções. A extinta Parceria de Segurança Mineral tentou coordenar investimentos aliados, mas o FORGE é um sucessor mais musculoso baseado em alavancagem comercial e estabilização de preços. Segundo a Agência Internacional de Energia, os três maiores produtores detinham 86% da participação de mercado em refino em 2024, acima de 82% em 2020.
Ministerial de Minerais Críticos de fevereiro de 2026: principais resultados
Em 4 de fevereiro de 2026, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Vice-Presidente JD Vance lideraram a ministerial, que produziu três resultados: o lançamento do FORGE, 11 novas estruturas bilaterais de minerais críticos e mais de US$ 30 bilhões em apoio financeiro do governo dos EUA. Os 11 acordos — com Argentina, Peru, Filipinas, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Uzbequistão, entre outros — elevaram o total para 21 negócios em cinco meses. Autoridades chamaram isso de resposta direta a cadeias de suprimentos vulneráveis à coerção política, alinhando-se a um esforço por estruturas bilaterais de minerais críticos.
FORGE substitui a Parceria de Segurança Mineral
O FORGE — Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos — sucede a Parceria de Segurança Mineral como coalizão plurilateral que cria uma zona preferencial de comércio e investimento para minerais críticos. Introduz preços de referência coordenados e tarifas ajustáveis, com a Coreia do Sul presidindo até junho de 2026. Diferente do antecessor, o FORGE favorece um modelo de 'adesão por comércio' em vez de investimento conjunto.
| Material | Participação projetada da China (2035) | Estratégia da coalizão FORGE |
|---|---|---|
| Lítio refinado | mais de 60% | pisos de preço, estoques |
| Cobalto refinado | mais de 60% | investimento na RDC, empréstimos EXIM |
| Grafite de grau bateria | ~80% | centros alternativos de processamento |
| Terras raras | ~80% | parceria Pax Silica, refinarias |
11 novas estruturas bilaterais e US$ 30 bilhões em financiamento
O financiamento inclui um empréstimo de US$ 10 bilhões do Export-Import Bank para o Projeto Vault, uma reserva estratégica público-privada de US$ 12 bilhões apoiada por Boeing, GM e GE Vernova. A parceria Pax Silica visa silício e terras raras, enquanto um MOU Glencore-Orion avança cobre e cobalto na RDC. Esse poder de fogo visa reduzir riscos de projetos com cronogramas de desenvolvimento de 16 a 29 anos.
O domínio duradouro da China e a corrida para contrabalançá-lo
O domínio da China no refino permanece formidável. A AIE projeta que a China fornecerá mais de 60% do lítio e cobalto refinados e cerca de 80% do grafite de grau bateria e terras raras até 2035. Controles de exportação de gálio e germânio em 2025 mostraram como o domínio do refino vira alavanca. Reconstruir capacidade de processamento leva de 5 a 7 anos e custa US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão por planta, enquanto o 15º Plano Quinquenal da China reforça os controles de exportação de terras raras da China.
Novos entrantes: Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita remodelam o mapa
Além dos aliados ocidentais, os estados do Golfo emergiram como terceiro polo. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão mobilizando mais de US$ 100 bilhões via fundos soberanos para garantir lítio, cobre e terras raras. A Manara Minerals da Arábia Saudita detém participação de US$ 2,5 bilhões na Vale Base Metals, enquanto o Orion Critical Mineral Consortium dos EAU mira projetos prontos para produção. Esse pivô de minerais críticos do Golfo os posiciona como polos neutros entre Washington e Pequim.
Implicações para a transição energética e alianças globais
A disputa por minerais críticos está remodelando a própria transição energética. Sem oferta diversificada, custos de baterias de veículos elétricos podem disparar e plataformas de defesa como caças F-35 enfrentam gargalos. A zona comercial preferencial e os pisos de preço do FORGE visam estabilizar investimentos de longo prazo, mas riscos permanecem: possíveis contestações na OMC, licenciamento lento e lacunas de infraestrutura de armazenamento. A janela estreita de 12 a 18 meses para ação decisiva ressalta a urgência das cadeias de suprimentos da transição energética.
Perspectivas de especialistas
Analistas do Atlantic Council notaram que o FORGE 'favorece um modelo de adesão por comércio em vez de investimento conjunto.' Um alto funcionário dos EUA acrescentou: 'Estamos mobilizando recursos sem precedentes para garantir as cadeias de suprimentos de minerais críticos.'
Perguntas frequentes
O que é o FORGE?
Uma coalizão liderada pelos EUA que substitui a Parceria de Segurança Mineral, criando uma zona comercial preferencial com preços de referência e tarifas coordenados.
Quanto financiamento a ministerial mobilizou?
Mais de US$ 30 bilhões, incluindo um empréstimo de US$ 10 bilhões do EXIM para o Projeto Vault.
Por que a China domina o refino de minerais críticos?
A China controla mais de 60% do lítio e cobalto refinados e cerca de 80% do grafite e terras raras, construído ao longo de décadas.
Qual o papel da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos?
Arábia Saudita e EAU estão mobilizando mais de US$ 100 bilhões para adquirir ativos de mineração e construir capacidade de refino.
Conclusão: um ponto de virada estratégico
A ministerial de fevereiro de 2026 não é o fim do domínio da China, mas um contrapeso mais coordenado. Se a arquitetura comercial do FORGE e os US$ 30 bilhões em financiamento se traduzirem em capacidade de processamento decidirá se 2026 foi o ano do domínio estratégico de recursos ou apenas mais uma rodada de anúncios de reservas minerais estratégicas.
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