Corrida por Minerais Críticos: FORGE Redefine Poder Global

A corrida por minerais críticos em 2026: FORGE é lançado com 54 países e US$ 30 bi dos EUA. China domina 60%+ do lítio e cobalto. Saiba como o nacionalismo de recursos e novos atores como os EAU remodelam alianças.

minerais-criticos-forge-2026
Facebook X LinkedIn Bluesky WhatsApp
de flag en flag es flag fr flag nl flag pt flag

A competição global por minerais críticos entrou em uma nova fase decisiva em 4 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos sediaram a primeira Reunião Ministerial de Minerais Críticos em Washington, D.C. Representantes de 54 países e da Comissão Europeia se reuniram para lançar o Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE), a mais ambiciosa reestruturação das cadeias globais de suprimento de minerais em décadas. Com os EUA mobilizando mais de US$ 30 bilhões e assinando 11 novos acordos bilaterais, enquanto a China mantém o controle projetado de mais de 60% do lítio e cobalto refinados até 2035, uma competição estratégica está em curso para determinar quais nações controlarão os insumos essenciais para inteligência artificial, transição energética e sistemas avançados de defesa.

O que é o FORGE e por que importa?

O FORGE, anunciado pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, juntamente com o Vice-Presidente JD Vance e seis membros do gabinete, sucede a Parceria de Segurança Mineral (MSP) como o principal veículo de coordenação aliada em minerais críticos. Ao contrário de seu predecessor, o FORGE é projetado como uma coalizão plurilateral que cria uma zona preferencial de comércio e investimento para minerais críticos, com preços mínimos coordenados para combater a manipulação adversária do mercado. A República da Coreia foi nomeada presidente inaugural do FORGE, sinalizando a importância dos aliados asiáticos no novo quadro.

A Parceria de Segurança Mineral havia estabelecido as bases desde 2022, mas o FORGE representa uma escalada significativa. A iniciativa visa vincular acordos bilaterais em um sistema funcional que cobre cerca de dois terços da economia global.

A Mobilização de US$ 30 Bilhões

O governo dos EUA mobilizou mais de US$ 30 bilhões em cartas de interesse, empréstimos e investimentos para projetos de minerais críticos nos últimos seis meses. O centro é o Projeto Vault, uma iniciativa de US$ 10 bilhões do Export-Import Bank dos Estados Unidos (EXIM) para estabelecer uma Reserva Estratégica Doméstica de Minerais Críticos. Os 11 novos acordos bilaterais assinados na Reunião Ministerial incluem Argentina, Marrocos, Filipinas, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Ilhas Cook e outros, totalizando 21 acordos em apenas cinco meses.

A política de minerais críticos dos EUA agora envolve múltiplas agências: Departamento de Comércio, USTR, EXIM e Pentágono.

Domínio da China e a Lacuna Estratégica

A posição da China nas cadeias de suprimento de minerais críticos continua formidável. Segundo dados do Climate Energy Finance (CEF), a China investiu mais de US$ 120 bilhões em mineração no exterior e processamento upstream desde 2023, e mais US$ 220 bilhões em setores downstream. A China controla cerca de 90% do refino de terras raras, 60% do processamento de lítio e mais de 70% do refino de cobalto. As projeções indicam que a China manterá o controle de mais de 60% do lítio e cobalto refinados até 2035. A dominância chinesa em minerais críticos se estende a controles de exportação usados como alavanca geopolítica.

A Resposta: Nacionalismo de Recursos 2.0

Em resposta, governos em todo o mundo adotam o 'Nacionalismo de Recursos 2.0'. Os EUA propuseram o Projeto Vault, uma reserva estratégica de US$ 12 bilhões. A Austrália anunciou uma reserva de US$ 800 milhões, a UE avança com planos conjuntos sob o RESourceEU, e a Coreia do Sul comprometeu US$ 172 milhões. Essa mudança representa uma transformação fundamental da abordagem de livre mercado que dominou o comércio de minerais por décadas.

Novos Atores Redesenhando Alianças Geopolíticas

A corrida por minerais críticos também está redesenhandoa s alianças tradicionais. Os estados do Golfo, liderados pela Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, emergem como atores significativos. Em maio de 2025, os EUA e a Arábia Saudita assinaram um pacto de cooperação mineral. A Arábia Saudita formou uma joint venture com a MP Materials e o Departamento de Guerra dos EUA para desenvolver uma refinaria de terras raras. Os Emirados assinaram um dos 11 novos acordos bilaterais na Reunião Ministerial. A estratégia dos estados do Golfo para minerais críticos é impulsionada pelos objetivos de diversificação do Vision 2030.

Parcerias do Setor Privado: Pax Silica

Uma característica chave da nova estratégia dos EUA é o engajamento profundo do setor privado por meio da iniciativa Pax Silica. Esta coalizão de segurança econômica visa construir um ecossistema de espectro completo abrangendo IA, semicondutores e manufatura avançada. Na Reunião Ministerial, a Glencore assinou um MOU com o Orion Critical Mineral Consortium para ativos de cobre e cobalto na República Democrática do Congo.

Perspectivas de Especialistas

'O lançamento do FORGE representa uma mudança de paradigma na forma como os Estados Unidos e seus aliados abordam a segurança de minerais críticos', disse a Dra. Maria Shagina do International Institute for Strategic Studies (IISS). No entanto, analistas alertam para desafios. Um relatório de novembro de 2025 da Resources for the Future concluiu que os recursos domésticos dos EUA são insuficientes para atender à demanda projetada de veículos elétricos até 2050. Os riscos da cadeia de suprimento de minerais críticos permanecem significativos.

FAQ: Minerais Críticos e FORGE

O que é o FORGE?

O FORGE (Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos) é uma coalizão plurilateral lançada em fevereiro de 2026 pelos EUA e 54 países parceiros, sucedendo a Parceira de Segurança Mineral. Visa criar uma zona preferencial de comércio e investimento com preços mínimos.

Por que os minerais críticos são importantes?

Minerais como lítio, cobalto, terras raras e grafite são essenciais para IA, robótica, baterias, veículos elétricos, energias renováveis e sistemas de defesa. A concentração na cadeia de suprimento gera riscos de disrupção e coerção política.

Quanto a China controla?

A China controla cerca de 90% do refino de terras raras, 60% do processamento de lítio e mais de 70% do refino de cobalto. Investiu mais de US$ 120 bilhões em mineração no exterior desde 2023 e deve manter o domínio até 2035.

O que é o Projeto Vault?

O Projeto Vault é uma iniciativa de US$ 10 bilhões do Export-Import Bank dos EUA para estabelecer uma Reserva Estratégica Doméstica de Minerais Críticos, garantindo acesso a metais e terras raras para fabricantes americanos.

Como os estados do Golfo estão envolvidos?

Arábia Saudita e EAU estão expandindo rapidamente suas capacidades por meio de joint ventures com empresas dos EUA, aquisições de fundos soberanos e acordos bilaterais. A Arábia Saudita estima suas reservas minerais em US$ 2,5 trilhões.

Conclusão: Uma Nova Paisagem Geopolítica

A Reunião Ministerial de fevereiro de 2026 e o lançamento do FORGE marcam um ponto de virada na dinâmica global de poder. Com US$ 30 bilhões em compromissos dos EUA, 11 novos acordos bilaterais e a emergência de novos atores como os estados do Golfo, a paisagem dos minerais críticos está sendo fundamentalmente remodelada. Como confirma o IISS Military Balance 2026, com gastos globais de defesa em US$ 2,63 trilhões, os minerais críticos não são mais apenas uma questão econômica — são uma questão de segurança nacional.

Fontes

  • Departamento de Estado dos EUA, Comunicado da Reunião Ministerial de 2026, 4 de fevereiro de 2026
  • Atlantic Council, 'US Critical Minerals Policy Goes Collaborative with FORGE,' fevereiro de 2026
  • The Fuse, 'FORGE: Trump Administration's Evolving Approach to Critical Minerals Partnerships,' fevereiro de 2026
  • IISS, The Military Balance 2026, fevereiro de 2026
  • Climate Energy Finance, 'China Spent $120B to Lock Down Critical Minerals Dominance,' 2025
  • Resources for the Future, 'Resource Nationalism and the Resilience of Critical Mineral Supply Chains,' novembro de 2025
  • CNBC, 'Critical Minerals Stockpile Race,' 25 de fevereiro de 2026
  • IISS, 'The Geopolitics of the Gulf States' Push for Critical Minerals,' julho de 2025

Artigos relacionados