O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e o partido de extrema-esquerda Die Linke obtiveram vitórias surpreendentes nas eleições estaduais alemãs de 20 de setembro de 2026. As sondagens à boca das urnas mostraram a AfD a vencer em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e a Die Linke a liderar Berlim pela primeira vez desde a reunificação. Os resultados representam um novo mínimo para o chanceler Friedrich Merz (CDU), que pode ter ficado abaixo do limiar de 5%.
Porque é que estas eleições importam
Os 16 estados federais alemães têm poderes significativos em educação, polícia e tributação. O sistema eleitoral estadual alemão dá aos governos regionais um papel direto na legislação federal através do Bundesrat. Cerca de 2,5 milhões de berlinenses e 1,3 milhões de eleitores de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental votaram, com direito de voto a partir dos 16 anos. A participação em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental atingiu 78,1%, mais 7,3 pontos do que em 2021.
AfD vence Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, CDU abaixo de 5%
Segundo a sondagem ARD das 19h57, a AfD obteve 37,9% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, ligeiramente à frente do SPD, com 35,7%. A CDU ficou projetada em apenas 4,9% pela ARD e pela ZDF, abaixo do limiar de 5% necessário para entrar no parlamento estadual. Se confirmado, seria a primeira vez que a CDU não conquista assentos numa eleição estadual. Resultados preliminares mostraram a AfD com 38,2% e a CDU com 4,9%.
É a terceira vez que o partido de extrema-direita se torna a força mais forte num estado, após a Saxónia-Anhalt, a 6 de setembro, onde venceu com 43,8%. Numa declaração após as sondagens, Merz classificou o resultado como «ein Desaster» (um desastre) e disse que as reformas são «o antídoto para o veneno autoritário que se infiltra na nossa sociedade». O copresidente da AfD, Tino Chrupalla, exigiu a demissão de Merz.
Die Linke lidera Berlim pela primeira vez desde a reunificação
Em Berlim, as sondagens projetaram a Die Linke com 25,3%, à frente da CDU (19,1%) e da AfD (cerca de 16%). É a primeira vez que o partido de extrema-esquerda lidera uma eleição estadual em Berlim desde a reunificação alemã de 1990. Apesar da vitória, a Die Linke precisaria de parceiros de coligação — provavelmente SPD e Verdes — para assumir a presidência da câmara. As negociações de coligação em Berlim deverão ser complexas, pois nenhum partido tem maioria.
O que isto significa para Merz e a CDU
A dupla derrota aprofunda uma crise que afeta o governo de Merz desde o verão. A grande coligação CDU/CSU–SPD, no poder desde maio de 2025, enfrenta aprovação recorde baixa: a INSA/Bild colocou Merz em apenas 14%. As sondagens nacionais mostram agora a AfD em primeiro lugar, com 28–29%. Analistas dizem que as perdas vão intensificar a pressão para Merz ser substituído por uma figura mais popular, com Hendrik Wüst (Renânia do Norte-Vestefália) e Markus Söder (Baviera) apontados como potenciais sucessores.
«Estas sondagens são um comprimido muito amargo para Merz. Mesmo entre os seus apoiantes, a insatisfação é grande. Os tradicionais partidos populares estão a perder a sua base de poder», afirmou um comentador político. «Merz não quer ceder. Agora a questão é se o partido lhe concederá isso.»
Principais resultados — 20 de setembro de 2026
- Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental: AfD 38,2%, SPD 35,5%, Die Linke 6,5%, Verdes 5,7%, CDU 4,9% (abaixo do limiar)
- Berlim (sondagem): Die Linke 25,3%, CDU 19,1%, AfD ~16%
- Participação em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental: 78,1% (+7,3 pontos face a 2021)
Impacto na política alemã e europeia
Os ganhos da AfD e o colapso da CDU terão consequências além da Alemanha. A ascensão da extrema-direita na Alemanha preocupa os aliados europeus antes das eleições federais de 2029. Ao mesmo tempo, uma CDU enfraquecida pode complicar o papel da Alemanha na UE. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o SPD só pode formar maioria com a Die Linke e os Verdes, apontando para uma coligação vermelho-vermelho-verde. Apesar da vitória, a AfD tem poucas hipóteses de governar, pois os outros partidos mantêm um «cordão sanitário» contra a extrema-direita.
FAQ: Eleições estaduais alemãs de 2026
Quem venceu as eleições estaduais de setembro de 2026?
A AfD venceu em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental com 38,2%, enquanto a Die Linke liderou Berlim com 25,3% nas sondagens, resultados históricos para ambos.
Porque está a CDU em crise?
A CDU de Friedrich Merz caiu para 4,9% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, abaixo do limiar de 5%, e perdeu terreno em Berlim, após derrotas anteriores na Saxónia-Anhalt. A aprovação de Merz é de apenas 14%.
A AfD pode governar Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental?
Improável. Os outros partidos mantêm um cordão sanitário contra a AfD, pelo que se espera uma coligação vermelho-vermelho-verde entre SPD, Die Linke e Verdes.
Friedrich Merz vai demitir-se?
Merz prometeu continuar como chanceler e presidente do partido, classificando os resultados de desastre, mas insistindo que as reformas devem continuar. A pressão para a sua substituição, porém, está a crescer.
Quais foram os números de participação?
A participação em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental foi de 78,1%, mais 7,3 pontos do que em 2021, com cerca de 2,5 milhões de eleitores elegíveis em Berlim e 1,3 milhões em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
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