A demanda global por lítio, terras raras, cobalto e cobre deve quadruplicar ou sextuplicar até 2040, tornando os minerais críticos a competição por recursos definidora da década. Em 2026, a China controla entre 60% e 80% do processamento global desses minerais, criando vulnerabilidades que EUA e UE tentam resolver. A Reunião Ministerial de Minerais Críticos de fevereiro de 2026, organizada pelo Departamento de Estado dos EUA, gerou 11 novos acordos bilaterais e lançou a aliança FORGE, enquanto a UE avança com sua Lei de Matérias-Primas Críticas. O FMI e o WEF identificam a competição por recursos como risco global de alto nível para 2026.
Domínio da China no Processamento
A China deve fornecer mais de 60% do lítio e cobalto refinados e cerca de 80% do grafite e terras raras de grau de bateria até 2035, controlando todo o ecossistema de processamento. O domínio da China sobre terras raras força o Ocidente a reconhecer que, mesmo com novas minas, a infraestrutura de processamento continua chinesa. O 15º Plano Quinquenal da China, previsto para 2026, pode apertar ainda mais esse controle.
Resposta dos EUA: Aliança FORGE e US$ 30 Bilhões
Em 4 de fevereiro de 2026, o Departamento de Estado dos EUA convocou a Reunião Ministerial de Minerais Críticos, presidida pelo secretário Marco Rubio e pelo vice-presidente JD Vance, com 54 países. O destaque foi o lançamento do FORGE (Fórum de Engajamento Geostratégico de Recursos), presidido pela Coreia do Sul, que sucede a Parceria de Segurança Mineral. O FORGE visa criar uma zona preferencial de comércio e investimento em minerais críticos, com pisos de preço coordenados.
Os EUA mobilizaram mais de US$ 30 bilhões em financiamento para projetos estratégicos nos últimos seis meses, incluindo o Project Vault do EXIM Bank (US$ 10 bilhões em reserva estratégica) e a Pax Silica, parceria público-privada para cadeias de fornecimento de IA, robótica e baterias. A reunião produziu 11 novos acordos bilaterais com países como Argentina, Marrocos, Filipinas, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, totalizando 21 acordos em cinco meses.
Project Vault e Mineração Doméstica
O Project Vault estabelece uma Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA, modelada na Reserva Estratégica de Petróleo. Paralelamente, os EUA impulsionam a mineração doméstica com projetos como Resolution Copper, no Arizona, e novas operações de lítio em Nevada e Califórnia. No entanto, especialistas do Council on Foreign Relations alertam que a expansão da mineração tradicional dificilmente superará o domínio chinês, que abrange todo o ecossistema. A estratégia de minerais críticos dos EUA deve focar em processamento, reciclagem e parcerias internacionais.
Lei de Matérias-Primas Críticas da UE e Plano ReSourceEU
A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE, adotada em 2024, estabelece metas para 2030: 10% de extração doméstica, 40% de processamento e 25% de reciclagem, com limite de 65% de dependência de um único país. Em março de 2026, o Conselho da UE adotou uma posição para reforçar a segurança do fornecimento, e a Comissão Europeia anunciou até € 3 bilhões em financiamento para 2026 sob o novo Plano de Ação ReSourceEU.
As medidas incluem aceleração regulatória para 60 projetos estratégicos, apoio de € 250 milhões do BEI para o projeto de lítio da Vulcan Energy na Alemanha, novas restrições à exportação de sucata de ímãs permanentes e alumínio, e proibição de exportação de baterias de íon-lítio usadas para países não-OCDE a partir de setembro de 2026. A UE também está criando um Centro Europeu de Matérias-Primas Críticas, inspirado no JOGMEC japonês, e aprofundando parcerias com Ucrânia, Balcãs Ocidentais e Norte da África.
Nacionalismo de Recursos no Sul Global
Com o aumento da demanda, países ricos em recursos afirmam maior controle. A República Democrática do Congo fornece cerca de 70% do cobalto global, enquanto Chile, Peru e Argentina ancoram o fornecimento de cobre e lítio. Indonésia impôs proibição de exportação de minério de níquel bruto, e México e Chile nacionalizaram reservas de lítio. Esse nacionalismo de recursos cria novos gargalos de oferta. O WEF e o FMI alertam que a fragmentação geopolítica pode desacelerar o crescimento global para 3,1% em 2026.
Vulnerabilidades Estratégicas e Prontidão Militar
Minerais críticos são essenciais para defesa: terras raras são usadas em ímãs permanentes para sistemas de mísseis, radares e motores a jato. O controle chinês de 85-90% do refino de terras raras significa que qualquer interrupção pode paralisar a produção de defesa ocidental. O Pentágono está investindo em instalações domésticas de processamento, e a aliança FORGE visa explicitamente garantir cadeias de fornecimento para aplicações de defesa. O vínculo minerais críticos e prontidão militar impulsiona cooperação sem precedentes.
Perspectivas de Especialistas
"O desafio dos minerais críticos é a competição por recursos mais significativa desde a Guerra Fria", diz Olena Borodyna, consultora sênior do ODI. "O domínio de processamento da China não é facilmente replicável — levou décadas de investimento estratégico." O vice-presidente JD Vance descreveu preços de referência mantidos por tarifas ajustáveis como ferramenta para combater a manipulação chinesa.
FAQ
O que são minerais críticos?
São matérias-primas essenciais para tecnologias verdes, eletrônicos, defesa e manufatura avançada. Exemplos: lítio, cobalto, níquel, terras raras, cobre e grafite. São chamados 'críticos' devido à importância econômica e risco de fornecimento.
Por que a China domina o processamento?
A China investiu pesadamente em infraestrutura de processamento nas últimas duas décadas, com subsídios estatais, regulações ambientais flexíveis e política industrial estratégica. Controla 60-90% da capacidade global de refino.
O que é a aliança FORGE?
FORGE (Fórum de Engajamento Geostratégico de Recursos) é uma aliança plurilateral liderada pelos EUA e presidida pela Coreia do Sul, lançada em fevereiro de 2026. Visa criar uma zona preferencial de comércio e investimento em minerais críticos.
Quanto os EUA estão investindo?
O governo dos EUA mobilizou mais de US$ 30 bilhões em cartas de interesse, investimentos e empréstimos para projetos da cadeia de fornecimento de minerais críticos, incluindo US$ 10 bilhões para o Project Vault.
Quais são os riscos do nacionalismo de recursos?
O nacionalismo de recursos — com proibições de exportação, nacionalização de minas ou exigência de processamento doméstico — pode criar gargalos de oferta, aumentar preços e tensões geopolíticas, ameaçando estratégias de diversificação.
Conclusão e Perspectivas Futuras
A disputa por minerais críticos em 2026 representa uma mudança fundamental na dinâmica de poder global. O domínio chinês, as contramedidas dos EUA e da UE e o nacionalismo de recursos remodelam cadeias de fornecimento. O sucesso dependerá de investimento sustentado, inovação em reciclagem e substituição, e cooperação internacional sem precedentes. Os próximos cinco anos determinarão se o Ocidente pode quebrar o domínio chinês ou se os minerais críticos se tornarão o novo petróleo.
Fontes
- Departamento de Estado dos EUA - Reunião Ministerial de 2026
- ODI - Geopolítica dos Minerais Críticos em 2026
- Comissão Europeia - Lei de Matérias-Primas Críticas
- Conselho da UE - Posição sobre Matérias-Primas (março 2026)
- FMI - World Economic Outlook (abril 2026)
- WEF - Relatório de Riscos Globais 2026
- Atlantic Council - Análise do FORGE
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