A corrida global por minerais críticos — lítio, cobalto, terras raras e cobre — intensificou-se. Com demanda de lítio subindo 353% até 2040, a competição redefine alianças. Em 2026, com a Lei da UE, o 15º Plano Quinquenal da China e a estratégia dos EUA, o cenário tornou-se campo de batalha estratégico.
Contexto: A Disputa Estratégica por Minerais Críticos
Minerais críticos são essenciais para energia e defesa. A AIE projeta demanda de lítio de 205 kt em 2024 para 928 kt em 2040. A China controla cerca de 70% do refino de cobalto, 60% do processamento de lítio e mais de 80% do grafite e terras raras. A geopolítica dos minerais críticos tornou-se pilar da segurança nacional.
Estados Unidos: Participações Acionárias e Iniciativa FORGE
Os EUA adotaram participações diretas: 10% na Korea Zinc (usina de US$ 7,4 bilhões), 10% na Trilogy Metals e discussões para 8% no projeto Tanbreez (Groenlândia). Em fevereiro de 2026, lançaram o FORGE com 54 países, mobilizando mais de US$ 30 bilhões, incluindo o Project Vault (US$ 10 bilhões para reserva estratégica). A estratégia de minerais críticos dos EUA reflete resiliência da cadeia com envolvimento governamental.
União Europeia: Ambição e Lacunas de Financiamento
A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE (vigente maio/2024) estabelece metas: extrair 10%, processar 40% e reciclar 25% até 2030. O ReSourceEU fornece €3 bilhões contra necessidades de €100 bilhões. O IMERA (maio/2026) permite coordenação de estoques em crises. Os desafios da Lei de Matérias-Primas Críticas da UE destacam a lacuna entre ambição e financiamento.
China: Reforçando o Domínio com o 15º Plano Quinquenal
O 15º Plano Quinquenal (2026-2030) enfatiza liderança em terras raras e controles de exportação. A China investiu US$ 120 bilhões no exterior e deve fornecer mais de 60% do lítio e cobalto refinados até 2035. A dominância chinesa em minerais críticos é reforçada pela Iniciativa do Cinturão e Rota.
Novos Entrantes: Arábia Saudita e EAU como Polos Emergentes
A Arábia Saudita (Manara Minerals, portfólio de US$ 25 bilhões) e os EAU (Orion Consortium, US$ 1,8 bilhão) posicionam-se como terceiro polo, oferecendo processamento neutro e alternativas ao domínio chinês. A estratégia de minerais críticos dos países do Golfo usa capital paciente e geografia estratégica.
Impacto: Fragmentação da Cadeia e Novas Linhas de Falha
A competição fragmenta cadeias em blocos rivais. O CFR sugere estratégia inovadora para superar a China, mas construir capacidade leva 5-7 anos e custa US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão por planta.
Perspectivas de Especialistas
"O cenário de minerais críticos em 2026 é sobre a arquitetura do poder global no século 21," diz Daniel Takahashi. "Países que controlam o processamento controlarão a transição energética. A questão é se EUA, UE e Golfo podem construir alternativas antes que a dependência se torne irreversível."
FAQ: Minerais Críticos e Geopolítica em 2026
O que são minerais críticos?
São materiais essenciais para energia, defesa e tecnologia, incluindo lítio, cobalto, terras raras, grafite e cobre.
Quanto a China domina o processamento?
Cerca de 70% do refino de cobalto, 60% do lítio e mais de 80% do grafite e terras raras, domínio que deve persistir até 2035.
O que os EUA estão fazendo?
Participações acionárias diretas, iniciativa FORGE com 54 países e mobilização de US$ 30 bilhões, incluindo reserva estratégica de US$ 10 bilhões.
A UE conseguirá cumprir suas metas?
A lacuna de financiamento é grande: ReSourceEU fornece €3 bilhões contra necessidades de €100 bilhões. Atrasos no licenciamento e concorrência são desafios.
Qual o papel do Golfo?
Arábia Saudita e EAU mobilizam mais de US$ 100 bilhões para adquirir ativos e construir processamento doméstico, oferecendo alternativas à China.
Conclusão: A Década Definidora
A competição por minerais críticos remodela alianças. O risco de fragmentação em blocos rivais é real. O futuro das cadeias de suprimento de minerais críticos dependerá da capacidade de acelerar investimento e inovação para contrabalançar a China.
Fontes
- Atualização do Comércio Global da UNCTAD Junho de 2026
- Perspectivas Globais de Minerais Críticos da AIE 2025
- Inventário de Restrições de Exportação da OCDE 2026
- Reunião Ministerial de Minerais Críticos de 2026 do Departamento de Estado dos EUA
- Lei de Matérias-Primas Críticas da Comissão Europeia
- CFR: Superando o Domínio Chinês em Minerais Críticos
- ODI: Geopolítica dos Minerais Críticos em 2026
- Climate Energy Finance: Relatório Raw Power 2026
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