Em 24 de abril de 2026, a União Europeia e os Estados Unidos lançaram uma parceria estratégica histórica sobre minerais críticos, assinando um Memorando de Entendimento (MoU) e um Plano de Ação na Sala do Tratado Colin L. Powell, em Washington. A Parceria UE-EUA de Minerais Críticos representa o esforço transatlântico mais ambicioso até agora para reduzir a dependência das cadeias de suprimento dominadas pela China em toda a cadeia de valor dos minerais — da mineração e processamento à reciclagem — com implicações diretas para defesa, cadeias de veículos elétricos (VE) e a arquitetura de um bloco ocidental de minerais críticos.
Contexto: Por que a Parceria UE-EUA de Minerais Críticos é importante
A parceria formaliza a cooperação que vem sendo construída desde o lançamento, em junho de 2022, da Parceria de Segurança Mineral, um agrupamento de 14 países mais a UE, agora sucedido pelo Fórum sobre Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE). Também se baseia em um acordo temporário EUA-UE de minerais críticos de 2025, amplamente criticado como insuficiente. Segundo autoridades da Comissão Europeia, o MoU prevê cooperação bilateral em toda a cadeia de valor.
O domínio da China é gritante: cerca de 90% do refino global de terras raras, 60% do processamento de lítio e 70% do refino de cobalto. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou que a concentração excessiva de recursos minerais críticos “representa um risco inaceitável para as economias e a segurança nacional”.
O que faz o Plano de Ação UE-EUA de Minerais Críticos
O Plano de Ação, anunciado pelo Representante de Comércio dos EUA, Embaixador Jamieson Greer, é o principal mecanismo para coordenar políticas comerciais sobre cadeias de suprimento de minerais críticos. Ele visa concluir um acordo plurilateral vinculativo sobre o comércio de minerais críticos. Crucialmente, os dois lados se comprometeram a explorar pisos de preços ajustados na fronteira e outras medidas comerciais para combater políticas e práticas não mercadológicas que distorceram as cadeias de suprimento.
Coordenação de Mineração, Processamento e Reciclagem
A parceria abrange toda a cadeia de valor: investimento conjunto em projetos de mineração, capacidade compartilhada de processamento e iniciativas coordenadas de reciclagem e estocagem. Isso espelha a Lei de Matérias-Primas Críticas da UE, que estabeleceu metas domésticas para extração, processamento e reciclagem, e agora ganha um equivalente transatlântico.
Impacto nas Cadeias de Defesa e VE
Ambos os lados identificaram os minerais críticos como essenciais para sistemas de defesa, manufatura avançada e transição energética. O acordo ocorre semanas após a Reunião Ministerial de Minerais Críticos de 2026 em Washington, onde 54 países assinaram 11 novos quadros bilaterais e lançaram o FORGE com mais de US$ 30 bilhões em apoio financeiro dos EUA, incluindo o Project Vault de US$ 10 bilhões do EXIM.
Para fabricantes de VE e contratantes de defesa, a parceria promete fornecimento diversificado de lítio, cobalto, terras raras e grafite. Analistas observam que a execução será o verdadeiro teste, pois transformar o acordo em projetos concretos e tangíveis continua desafiador.
Implicações Geopolíticas: Um Bloco de Minerais Alinhado ao Ocidente
O pacto UE-EUA consolida um bloco ocidental emergente de minerais críticos que inclui parceiros do FORGE e signatários de quadros bilaterais, como Argentina, Filipinas, Reino Unido e Uzbequistão. Esse bloco busca contrariar o domínio de terras raras da China criando zonas preferenciais de comércio e investimento com pisos de preços coordenados e padrões ESG compartilhados.
Críticos, no entanto, levantam preocupações sobre imperialismo de recursos e brechas ESG, enquanto alguns mineradores domésticos dos EUA temem que a parceria priorize projetos no exterior em detrimento do desenvolvimento doméstico.
Perspectivas de Especialistas
O Comissário de Comércio da UE, Maroš Šefčovič, disse que o acordo “fortalece a relação EUA-UE” e “abre novas possibilidades de cooperação”, enquanto o Embaixador Greer enfatizou que ambas as partes estão comprometidas em enfrentar as práticas não mercadológicas que distorceram as cadeias de suprimento de minerais críticos. Rubio destacou o extraordinário poder de compra combinado e a produtividade econômica das duas economias.
FAQ: Parceria UE-EUA de Minerais Críticos
O que é a Parceria UE-EUA de Minerais Críticos?
É um acordo estratégico assinado em 24 de abril de 2026 entre a UE e os EUA para coordenar cadeias de suprimento de minerais críticos em mineração, processamento e reciclagem, reduzindo a dependência da China.
Por que a parceria foi criada?
A China controla cerca de 90% do refino de terras raras, 60% do processamento de lítio e 70% do refino de cobalto, representando riscos para cadeias de defesa, VE e manufatura avançada.
O que são pisos de preços ajustados na fronteira?
São medidas comerciais em exploração que estabeleceriam preços mínimos sobre minerais críticos para proteger indústrias domésticas de importações artificialmente baratas e subsidiadas.
Como isso difere da Parceria de Segurança Mineral?
A MSP era um fórum multilateral; o pacto UE-EUA é um mecanismo bilateral vinculativo voltado a um acordo comercial plurilateral, coordenado com o FORGE, sucessor da MSP.
O que é o FORGE?
O Fórum sobre Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE) é o sucessor da Parceria de Segurança Mineral, lançado na Reunião Ministerial de Minerais Críticos de fevereiro de 2026 para coordenar políticas e ações em nível de projeto.
Conclusão e Perspectivas Futuras
A Parceria UE-EUA de Minerais Críticos marca um passo decisivo rumo a um bloco transatlântico de minerais. Embora o MoU e o Plano de Ação estabeleçam metas ambiciosas, os próximos meses testarão se os pisos de preços ajustados na fronteira, o investimento conjunto e a coordenação de reciclagem podem se traduzir em cadeias de suprimento resilientes. Com o prazo de 2026 para um acordo plurilateral vinculativo se aproximando, a execução da parceria determinará se ela remodela a geopolítica global de recursos ou permanece um gesto simbólico.
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