Em 4 de fevereiro de 2026, os EUA lançaram o FORGE em uma reunião ministerial com 54 nações, substituindo a Parceria de Segurança Mineral (MSP). Simultaneamente, Washington e Bruxelas assinaram o Plano de Ação EUA-UE para Minerais Críticos em abril de 2026, visando reduzir a dependência do quase monopólio chinês no processamento de terras raras. Com mais de US$ 30 bilhões em financiamento dos EUA, essas iniciativas representam o maior esforço ocidental para segurança de recursos em décadas.
Contexto: O Desafio dos Minerais Críticos
Minerais críticos — terras raras, lítio, cobalto, tungstênio — são essenciais para IA, baterias, defesa e energia renovável. A China controla 90% do processamento global de terras raras e 80% da refinação de tungstênio. Em 2025-2026, impôs controles de exportação, elevando preços em até seis vezes. Os riscos geopolíticos da dependência de recursos tornaram-se centrais. A UE e os EUA já reconheciam a vulnerabilidade, mas a ação multilateral só avançou em fevereiro de 2026.
FORGE: Nova Estrutura Plurilateral
Presidido pela Coreia do Sul, o FORGE estabelece uma zona preferencial de comércio com preços mínimos e tarifas ajustáveis. O vice-presidente JD Vance anunciou preços de referência para cobalto (US$ 25,20/lb), lítio (US$ 15.200/ton), cobre (US$ 5,10/lb) e neodímio (US$ 95.000/ton) para combater o dumping chinês. A reunião gerou 11 novos acordos bilaterais, totalizando 21 em cinco meses. Os acordos bilaterais de minerais críticos dos EUA sinalizam uma mudança para coordenação plurilateral.
Projeto Vault: Reserva Estratégica
O Banco de Exportação e Importação dos EUA anunciou o Projeto Vault, reserva de US$ 12 bilhões (US$ 2 bilhões privados + US$ 10 bilhões do EXIM) cobrindo 60 minerais críticos, priorizando terras raras, cobalto e outros. Parceiros incluem Boeing, GE Vernova e General Motors.
Plano de Ação EUA-UE
Em abril de 2026, EUA e UE lançaram um plano conjunto para coordenar políticas comerciais, investimentos e padrões, visando reduzir dependências e promover sustentabilidade. A parceria transatlântica de minerais críticos busca construir um bloco ocidental, complementando o FORGE e ligando mercados que representam metade do PIB global.
Autonomia Estratégica?
Quebrar o monopólio chinês é difícil. O domínio chinês resulta de décadas de investimento estatal. O CFR recomenda inovação em reciclagem e substituição, pois construir capacidade alternativa leva 5-7 anos. A OTAN alerta que estoques cobrem apenas 6-9 meses de conflito. A linha do tempo da cadeia de suprimentos indica dependência prolongada.
Risco de Novas Dependências
Acordos com países como Argentina e Filipinas podem criar novos gargalos. Preços mínimos podem elevar custos e desacelerar a transição energética.
Impacto Global
O 15º Plano Quinquenal chinês reforçará seu domínio, com Pequim apertando controles de exportação. O mercado se bifurca entre Ocidente e China. As implicações de custo da transição energética podem atrasar a adoção de renováveis e VEs, mas preços mínimos podem estabilizar investimentos.
Perspectivas
O Atlantic Council vê o FORGE como 'praticar a arte de governar através dos mercados', mas adverte que a coordenação multilateral é incerta. Vance afirmou que o mercado atual está falhando e exige preços previsíveis. Críticos apontam riscos de distorção comercial.
FAQ
O que é o FORGE?
Iniciativa plurilateral dos EUA com 54 nações para criar zona preferencial de minerais críticos com preços mínimos.
O que é o Plano de Ação EUA-UE?
Estrutura conjunta de abril de 2026 para coordenar políticas e reduzir dependência da China.
Quanto financiamento?
Mais de US$ 30 bilhões, incluindo US$ 10 bilhões para o Projeto Vault.
Quebrar monopólio chinês?
Levará 5-7 anos; China controla 90% do processamento. Reciclagem pode ajudar.
Custos da transição?
Preços mínimos podem aumentar custos no curto prazo, mas estabilizam investimentos. Efeito líquido incerto.
Conclusão
O FORGE e o Plano de Ação representam um esforço coordenado sem precedentes, mas o caminho para autonomia é longo. Até 2030, o mundo verá um mercado bifurcado, com competição entre Ocidente e China moldando o futuro da IA, defesa e transição energética.
Fontes
- Departamento de Estado dos EUA - Reunião Ministerial de Minerais Críticos de 2026
- Atlantic Council - Política de Minerais Críticos dos EUA se Torna Colaborativa com o FORGE
- Plano de Ação EUA-UE para Minerais Críticos (PDF)
- CFO Times - Anúncio de Preço Mínimo de Minerais Críticos
- Council on Foreign Relations - Superando o Domínio da China em Minerais Críticos
- ODI - Geopolítica dos Minerais Críticos em 2026
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