A corrida global por minerais críticos – lítio, cobre, terras raras e cobalto – entrou em uma nova fase decisiva em 2026. Segurança energética, capacidade militar e liderança tecnológica convergem em um único conflito geopolítico. Em fevereiro, os EUA organizaram uma Reunião Ministerial de Minerais Críticos com 54 países, mobilizando mais de US$ 30 bilhões em projetos de cadeia de suprimentos e lançando o FORGE, sucessor da Parceria de Segurança Mineral. Enquanto isso, o 15º Plano Quinquenal da China aposta na dominância mineral estratégica, e a UE corre para garantir sua própria capacidade de processamento. Este artigo explora como a corrida armamentista por minerais críticos está redesenhando alianças geopolíticas.
O que é a corrida armamentista por minerais críticos?
A corrida refere-se à crescente competição entre grandes potências – principalmente EUA, China e UE – pelo fornecimento de minerais essenciais para tecnologias avançadas, incluindo baterias de veículos elétricos, energia renovável, defesa e hardware de IA. A China domina o processamento de terras raras (mais de 80% globalmente), refino de lítio e produção de grafite.
FORGE e a estratégia dos EUA: um novo quadro multilateral
Em 4 de fevereiro de 2026, o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance presidiram a Reunião Ministerial em Washington D.C., com representantes de 54 países. O destaque foi o anúncio do FORGE (Fórum de Engajamento Geopolítico de Recursos), uma coalizão plurilateral que cria uma zona preferencial de comércio e investimento em minerais críticos. Os EUA assinaram 11 novos acordos bilaterais com Argentina, Marrocos, Filipinas e Reino Unido, totalizando 21 acordos em cinco meses. O governo mobilizou mais de US$ 30 bilhões para projetos estratégicos, incluindo o Project Vault do EXIM Bank (US$ 10 bilhões), que visa uma reserva estratégica americana de minerais críticos. A política de minerais críticos dos EUA também inclui US$ 2 bilhões para a Reserva Nacional de Defesa e US$ 5 bilhões para investimentos na cadeia de suprimentos.
Project Vault e processamento doméstico
O Project Vault armazenará lítio, terras raras, cobalto e outros minerais para mitigar interrupções. O Departamento de Energia acelera financiamento para fábricas domésticas de processamento, incluindo instalações de separação de terras raras no Texas e refino de lítio em Nevada. Especialistas alertam que a construção de capacidade de processamento leva anos.
15º Plano Quinquenal da China: reforçando a dominância
Em março de 2026, a China revelou seu 15º Plano Quinquenal (2026–2030), colocando a segurança mineral estratégica no centro. Pequim prioriza a autossuficiência por meio de exploração doméstica, processamento e reciclagem. A China já fornece mais de 60% do lítio e cobalto refinados e cerca de 80% do grafite e terras raras para baterias. O plano também promove o comércio de minerais críticos em yuan, desafiando o dólar. As restrições chinesas à exportação de terras raras já demonstraram o poder de barganha de Pequim; em 2025, a China endureceu as limitações à tecnologia de processamento.
A corrida da UE por capacidade de processamento
A UE acelera esforços sob a Lei de Matérias-Primas Críticas, com 60 projetos estratégicos. A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE visa 10% de extração, 40% de processamento e 25% de reciclagem na Europa até 2030. Um fundo de € 2 bilhões e licenças aceleradas foram criados, mas a UE ainda depende fortemente da China para terras raras e produtos químicos de lítio.
Consolidação de M&A e dinâmica de mercado
O setor viu uma onda de fusões e aquisições, com 2025 registrando a maior atividade em seis anos. Grandes negócios incluem a aquisição da Arcadium Lithium pela Rio Tinto (US$ 6,7 bilhões) e a oferta da BHP pela Anglo American. Os preços do lítio se recuperaram para US$ 15.000–US$ 20.000 por tonelada; o cobre permanece acima de US$ 10.000; o cobalto enfrenta ventos contrários devido à substituição e preocupações éticas no Congo.
Implicações geopolíticas e novas alianças
A corrida remodela alianças globais. Países do BRICS+ promovem comércio em moedas locais, enquanto Emirados Árabes e Arábia Saudita emergem como novos players investindo em mineração na África e América Latina. A Austrália se posiciona como fornecedora ocidental com uma Instalação de Minerais Críticos de US$ 4 bilhões. A parceria australiano-americana de minerais críticos de 2025 prometeu US$ 1 bilhão para projetos de terras raras.
Perspectivas de especialistas
“A Reunião Ministerial de 2026 é um ponto de virada”, disse Olena Borodyna, do ODI. “O FORGE é uma tentativa ambiciosa de criar um sistema comercial preferencial, mas o verdadeiro teste é se conseguirá traduzir influência bilateral em coordenação plurilateral.” Analistas do Atlantic Council alertam que projetar mecanismos de preço de referência sem incentivos perversos continua sendo um desafio.
FAQ: Corrida por minerais críticos
O que são minerais críticos?
São metais e não metais essenciais para tecnologias modernas, incluindo lítio, cobalto, terras raras, cobre, níquel e grafite.
Por que há uma corrida?
Impulsionada pela concentração da oferta em poucos países – especialmente a China – e pela demanda crescente por energia limpa, IA e aplicações militares.
O que é o FORGE?
Coalizão plurilateral lançada pelos EUA em fevereiro de 2026 para criar uma zona preferencial de comércio e investimento em minerais críticos, com 54 países parceiros.
Como a China domina os minerais críticos?
A China controla mais de 80% do processamento de terras raras, 60% do refino de lítio e grande parte do grafite e cobalto. O 15º Plano Quinquenal reforça essa dominância.
O que o Ocidente pode fazer para reduzir a dependência?
Estratégias incluem diversificação via acordos bilaterais, investimento em processamento doméstico e reciclagem, reservas estratégicas (como o Project Vault) e inovação em substituição de minerais e química de baterias.
Conclusão: uma nova realidade geopolítica
A corrida armamentista por minerais críticos não é uma tendência temporária, mas uma mudança estrutural na dinâmica de poder global. As decisões de governos e empresas em 2026 determinarão quais países liderarão a transição para energia limpa e quais ficarão para trás.
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