O que é o FORGE e por que é importante?
Em fevereiro de 2026, os EUA lançaram o Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE) em uma reunião ministerial do Departamento de Estado, convocando 54 nações. A iniciativa substitui a Parceria de Segurança Mineral (MSP) da era Biden e mobiliza mais de US$ 30 bilhões em financiamento, incluindo uma Reserva Estratégica de Minerais Críticos de US$ 10 bilhões chamada Projeto Vault, gerida pelo Banco de Export-Importação. A questão central: o FORGE pode desafiar o domínio chinês no processamento de terras raras, onde Pequim controla mais de 90% da capacidade global de refino?
O domínio chinês: a escala do desafio
A China domina o setor de terras raras: respondeu por 69,2% da produção global em 2025 e processa quase 90% do total mundial. Também controla 80% do refino de tungstênio e 60% do antimônio. Pequim usou essa alavancagem com controles de exportação que causaram aumentos de até seis vezes no preço do óxido de neodímio-praseodímio (NdPr) fora da China. Mais de 80% das empresas europeias dependem de cadeias chinesas para materiais essenciais à defesa, veículos elétricos e energia renovável. Estima-se que reconstruir cadeias independentes leve de 20 a 30 anos, com uma janela de 12 a 18 meses antes que as dependências se consolidem.
Mecanismos do FORGE: Pisos de preço e Projeto Vault
O FORGE introduz pisos de preço coordenados (cobalto a US$ 25,20/lb, lítio a US$ 15.200/t) e o Projeto Vault, uma reserva estratégica de minerais críticos de US$ 10-12 bilhões gerida pelo Banco de Export-Importação. Esses mecanismos visam neutralizar a manipulação chinesa e estabilizar preços. No entanto, implementar a coordenação plurilateral e evitar que parceiros façam acordos bilaterais paralelos é um desafio, como observa o Atlantic Council.
Os Estados do Golfo: novos jogadores
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos emergem como atores-chave, usando fundos soberanos para investir em mineração global e processamento doméstico. A Arábia Saudita elevou sua estimativa de riqueza mineral para US$ 2,5 trilhões e planeja mobilizar US$ 100 bilhões em investimentos até 2035. Os EUA lançaram o Orion Critical Mineral Consortium de US$ 1,8 bilhão com os Emirados. Esses países navegam entre laços com a China e o Ocidente, oferecendo capital paciente e localização estratégica.
O FORGE pode ter sucesso? Perspectivas de especialistas
Apoiadores destacam a mobilização recorde de mais de US$ 30 bilhões e a participação de 54 nações. Céticos apontam obstáculos: construir nova capacidade de processamento leva de 5 a 7 anos e custa US$ 15-25 bilhões, enquanto o 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030) reforçará seu domínio. O mecanismo de pisos de preço carece de precedentes e pode gerar retaliação. O cenário multilateral fragmentado também ameaça a eficácia do FORGE.
FAQ
O que é o FORGE?
É uma coalizão plurilateral lançada pelos EUA em fevereiro de 2026 para substituir a MSP, criando uma zona preferencial de comércio e investimento em minerais críticos, com pisos de preço coordenados e presidida pela Coreia do Sul.
Quanto do refino de terras raras a China controla?
Aproximadamente 90% do refino global, além de 80% do tungstênio e 60% do antimônio.
O que é o Projeto Vault?
É uma reserva estratégica de US$ 10-12 bilhões de minerais críticos, gerida pelo Banco de Export-Importação dos EUA, para amortecer interrupções no fornecimento.
O FORGE pode quebrar o domínio chinês?
Analistas estão divididos. Embora mobilize recursos significativos, reconstruir capacidade independente pode levar décadas, e a janela de 12 a 18 meses está se fechando.
Qual o papel dos Estados do Golfo?
Arábia Saudita e EAU investem em mineração global e processamento doméstico, oferecendo capital paciente e localização estratégica para diversificar cadeias de suprimentos.
Conclusão
A reunião ministerial do FORGE representa o movimento ocidental mais ambicioso contra o domínio chinês em minerais críticos. O sucesso dependerá da capacidade de transformar acordos bilaterais em coordenação plurilateral, fazer cumprir pisos de preço e atrair investimento privado. Se falhar, as dependências podem se consolidar por uma geração.
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