FORGE e Project Vault: EUA contra China em minerais

Em fevereiro de 2026, EUA lançam FORGE, coalizão de 54 nações com US$ 12 bi para conter domínio chinês em terras raras. Preço mínimo e US$ 30 bi mobilizados. Analistas: capacidade própria pode levar 20-30 anos.

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Em fevereiro de 2026, os EUA lançaram o Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE), uma coalizão de 54 nações para construir uma cadeia de suprimentos de minerais críticos controlada por aliados e enfrentar o domínio chinês no processamento de terras raras. Com o Project Vault, um fundo de US$ 12 bilhões, a iniciativa introduz preços mínimos e acordos comerciais preferenciais para proteger mineradores ocidentais do dumping chinês. A China controla cerca de 90% do processamento global de terras raras e apertou controles de exportação de neodímio, disprósio e térbio, elevando os riscos para a transição energética, cadeias de defesa e a rivalidade tecnológica EUA-China.

O que é o FORGE e o Project Vault?

O FORGE é uma coalizão plurilateral anunciada na Reunião Ministerial de Minerais Críticos em Washington, D.C., em 4 de fevereiro de 2026. Participaram 54 nações e a Comissão Europeia. O FORGE sucede a Parceria de Segurança Mineral da era Biden, com mecanismos mais fortes, incluindo preços mínimos e tarifas ajustáveis.

O Project Vault, anunciado pelo presidente Donald Trump em 2 de fevereiro de 2026, é uma parceria público-privada de US$ 12 bilhões que estabelece a Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA. Liderado pelo EXIM Bank, combina um empréstimo recorde de US$ 10 bilhões com quase US$ 2 bilhões de investimento privado de empresas como Boeing, GE Vernova, General Motors, entre outras.

A crise da cadeia de suprimentos de minerais críticos vem se acumulando há anos. A China controla cerca de 90% do processamento global de terras raras. Em abril de 2025, Pequim impôs controles de exportação sobre sete terras raras pesadas, exigindo licenças para materiais com disprósio ou térbio.

Como funciona o mecanismo de preço mínimo

O FORGE estabelece preços de referência mínimos para minerais-chave: cobalto a US$ 25,20/libra, lítio a US$ 15.200/tonelada, cobre a US$ 5,10/libra e neodímio a US$ 95.000/tonelada. Se os preços globais caírem abaixo desses pisos, tarifas ajustáveis são aplicadas a importações de fora da zona preferencial do FORGE, que inclui mais de 30 nações. O objetivo é proteger produtores aliados do dumping chinês.

O preço mínimo aborda um paradoxo estrutural: a demanda de longo prazo por minerais críticos deve quadruplicar até 2050, mas os preços de curto prazo despencaram — o lítio caiu mais de 80% desde o pico de 2022. O dilema dos custos da transição energética e da precificação de minerais tornou-se um desafio central.

Mobilização de US$ 30 bilhões em investimentos

O governo Trump mobilizou mais de US$ 30 bilhões em cartas de interesse, investimentos e empréstimos para projetos de minerais críticos. Além do Project Vault, o EXIM Bank assinou 21 acordos bilaterais com países como Argentina, Marrocos, Peru, Filipinas, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e República Democrática do Congo. A Coreia do Sul presidirá o FORGE até junho de 2026.

Em 27 de abril de 2026, EUA e União Europeia divulgaram um Plano de Ação Conjunto para Minerais Críticos, visando coordenar políticas comerciais e desenvolver uma iniciativa plurilateral com parceiros afins.

Desafios e alertas de analistas

Apesar do ambicioso quadro, analistas advertem que construir capacidade ocidental de processamento independente pode levar de 20 a 30 anos. O Atlantic Council observa que, embora o governo dos EUA tenha ferramentas como a Lei de Produção de Defesa, sua capacidade de sustentar resiliência durante interrupções prolongadas permanece subdesenvolvida.

O fortalecimento da rivalidade tecnológica EUA-China e da segurança mineral é evidente: os preços do neodímio-praseodímio saltaram 37% em abril de 2026, para aproximadamente US$ 126/kg, cerca de 2,4 vezes os níveis de janeiro.

Perspectivas de especialistas

"O FORGE representa uma mudança fundamental do bilateralismo para o plurilateralismo na política de minerais críticos", disse um pesquisador sênior do Atlantic Council. "A questão é se a tradução de 21 acordos-quadro em minas e instalações de processamento reais pode acontecer rápido o suficiente para aproveitar a janela de oportunidade de 12 a 18 meses antes que a posição da China se torne inexpugnável."

Perguntas Frequentes

O que é o FORGE?

O FORGE é uma coalizão de 54 nações lançada pelos EUA em fevereiro de 2026 para construir uma cadeia de suprimentos de minerais críticos controlada por aliados e enfrentar o domínio chinês no processamento de terras raras.

O que é o Project Vault?

É uma parceria público-privada de US$ 12 bilhões que estabelece a Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA, combinando um empréstimo de US$ 10 bilhões do EXIM Bank com US$ 2 bilhões em investimento privado.

Como funciona o preço mínimo de minerais críticos?

Define preços de referência mínimos para lítio, cobalto, cobre e neodímio. Se os preços globais caírem, tarifas ajustáveis protegem os produtores aliados dentro da zona preferencial do FORGE.

Por que o controle da China sobre terras raras é um problema?

A China controla cerca de 90% do processamento global de terras raras e impôs controles de exportação sobre neodímio, disprósio e térbio, essenciais para sistemas de defesa, veículos elétricos e energias renováveis.

Quanto tempo levará para construir cadeias ocidentais independentes?

Analistas estimam de 20 a 30 anos para capacidade alternativa significativa, embora alguns projetem de 5 a 7 anos para capacidade inicial. A janela para ação decisiva pode ser de apenas 12 a 18 meses.

Perspectivas e Implicações

O FORGE e o Project Vault representam o esforço mais ambicioso dos EUA para quebrar o domínio chinês sobre minerais críticos. Com US$ 30 bilhões mobilizados e uma coalizão de 54 nações, o quadro para uma cadeia controlada por aliados existe. No entanto, a lacuna entre ambição política e realidade industrial permanece vasta. As implicações para o comércio global e a segurança energética se desenrolarão nas próximas décadas.

Fontes

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