Justiça encerra investigação sobre Epstein
O Ministério Público dos Estados Unidos anunciou que não irá instaurar mais processos criminais após a publicação massiva de documentos relacionados a Jeffrey Epstein, encerrando assim uma das investigações sobre tráfico sexual mais comentadas da história americana. O Subsecretário de Justiça, Todd Blanche, declarou que, embora milhões de documentos tenham sido tornados públicos, a investigação do departamento está concluída e não há evidências suficientes para novos casos.
Publicação massiva de documentos
Na noite de sexta-feira, o Departamento de Justiça libertou aproximadamente 3 milhões de páginas de documentos, incluindo milhares de fotos e vídeos, conforme exigido pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. Esta representa a maior libertação única de material relacionado ao caso Epstein, elevando o total para cerca de metade dos 6 milhões de documentos recolhidos por investigadores.
O Subsecretário Blanche reconheceu que, embora muitos casos graves e perturbadores tenham vindo à luz, 'as provas simplesmente não são suficientes para prosseguir com acusações adicionais neste momento'. Ele enfatizou que os procuradores não podem criar provas onde elas não existem, apesar da pressão pública por responsabilização.
Pressão política e críticas
A decisão gerou fortes críticas de legisladores democratas e defensores das vítimas. O Representante Ro Khanna chamou o caso Epstein de 'um dos maiores escândalos da história do nosso país' e acusou o Departamento de Justiça de proteger figuras poderosas. 'Vemos indivíduos ricos, líderes tecnológicos e políticos implicados através de e-mails e associações, mas o MP alega que não há provas suficientes,' declarou Khanna.
De acordo com o correspondente na América, Jan Postma, 'A pressão política sobre a Justiça é considerável, mas os republicanos parecem cada vez mais relutantes em abordar a questão, especialmente com as eleições intercalares a aproximar-se. Os documentos Epstein poderiam prejudicar os republicanos como um todo.'
Mencionas extensas de Trump
Os documentos recém-libertados contêm mais de 1.000 referências a Donald Trump, de acordo com uma análise da CNN. Estas incluem notas do FBI sobre alegações não verificadas e testemunho de uma vítima de Epstein que afirmou que Ghislaine Maxwell a 'apresentou a ele' numa festa. Os documentos também confirmam que Trump voou várias vezes no avião privado de Epstein nos anos 90, contradizendo as suas negações anteriores.
No entanto, o Departamento de Justiça manteve que estas alegações são falsas e infundadas. 'Estas são dicas recolhidas pelo FBI, não provas substanciais,' explicou um porta-voz do departamento. 'Não podemos instaurar processos com base apenas em dicas não verificadas.'
Fotos prejudiciais do Príncipe Andrew
Uma figura que sai claramente prejudicada da publicação dos documentos é o príncipe britânico Andrew. Fotos dele inclinado sobre uma mulher deitada no chão receberam ampla atenção e renovaram os apelos para que ele cooperasse com investigadores americanos. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, sugeriu que o príncipe deve cooperar totalmente com as autoridades americanas.
Estratégia de "news dump" na sexta-feira à noite
Observadores notam que o momento da libertação - sexta-feira à noite - representa o que os analistas políticos chamam de 'um clássico news dump'. 'Muitos americanos estão ocupados com outras coisas na sexta-feira à noite,' explicou Postma. 'Isto acontece frequentemente com notícias que as autoridades preferem que não recebam atenção extensa.'
O caso Epstein continua a lançar uma longa sombra sobre a política e a justiça americana. Embora a investigação formal possa estar encerrada, as questões sobre responsabilização, transparência e a proteção de figuras poderosas permanecem sem resposta.
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