EUA fecham 11 acordos de matérias-primas, mas processamento é gargalo

EUA fecham 11 acordos comerciais para terras-raras e criam fundo de US$ 12 bilhões, mas carecem de capacidade de processamento. Europa pode não atingir metas de 2030 para matérias-primas críticas.

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EUA lançam ofensiva por terras-raras

Os Estados Unidos estão tomando medidas drásticas para garantir seu suprimento de terras-raras críticas, com planos de fechar até onze acordos comerciais para esses materiais essenciais nesta semana. O Secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, anunciou a iniciativa, que segue acordos semelhantes fechados anteriormente com Japão, Austrália e Coreia do Sul. Além disso, o ex-presidente Donald Trump pretende criar um fundo de US$ 12 bilhões para construir estoques estratégicos e reduzir a dependência da China.

Segundo Jeff Amrish Ritoe, consultor estratégico de commodities do Centro de Estudos Estratégicos de Haia, essas etapas representam uma continuação de uma política americana de longa data para garantir matérias-primas críticas. 'O Congresso dos EUA já havia liberado recursos para esse fim no ano passado na Lei One Big Beautiful Bill,' explica ele. 'A celebração dos acordos e a criação do fundo devem, portanto, ser vistas à luz desse orçamento previamente liberado.'

US$ 12 bilhões para estoques estratégicos

O fundo proposto de US$ 12 bilhões, chamado 'Project Vault', combina US$ 10 bilhões em recursos públicos de um banco de exportação e importação americano com cerca de US$ 2 bilhões do setor privado. Grandes empresas como Alphabet, General Motors, Stellantis e Boeing devem contribuir, pois dependem desses materiais para a produção de tudo, desde carros elétricos até peças de aeronaves.

Ritoe compara o estoque estratégico ao 'estoque de emergência' das famílias: 'Os americanos precisam de certas matérias-primas para sua economia e segurança e enviam pessoas para fazer essas compras. Nessa lista de compras, está especificado que um pouco extra deve ser adquirido, para que mais possa ser armazenado caso seja necessário.'

Capacidade de processamento permanece ponto fraco crítico

Especialistas alertam, no entanto, que apenas estocar não resolve as vulnerabilidades na cadeia de suprimentos americana. 'Você pode estocar de tudo, mas se não tiver um forno ou fogão em casa, não pode fazer muito com isso,' adverte Ritoe, destacando a falta de capacidade de processamento doméstico.

Esse problema se estende além dos EUA para as cadeias de valor ocidentais de forma mais ampla. 'Temos capacidade de processamento insuficiente para transformar matérias-primas em componentes que acabam em partes de carros e aviões,' acrescenta ele. A China atualmente domina o mercado global de terras-raras, controlando quase 60% da mineração e mais de 90% da produção de ímãs, de acordo com relatórios da CNBC.

Europa enfrenta desafios semelhantes

A União Europeia luta com problemas paralelos por meio de sua Lei de Matérias-Primas Críticas, que visa atingir 10% de mineração doméstica, 40% de processamento e 25% de reciclagem até 2030. No entanto, um relatório recente do Tribunal de Contas Europeu criticou o ritmo lento de implementação.

'A Europa quer se tornar um ator na garantia de matérias-primas críticas para setores estratégicos como defesa, telecomunicações e tecnologia verde,' diz Ritoe, 'mas a conclusão do Tribunal de Contas é dura: a Europa ainda não está lá. E se continuar assim, não atingirá suas próprias metas para 2030.'

A iniciativa americana inclui tarifas de importação favoráveis para países parceiros, tornando mais atraente a exportação de materiais críticos para os mercados americanos. Embora os países específicos para os onze novos acordos ainda não tenham sido anunciados, o objetivo estratégico é claro: redirecionar os fluxos de materiais para os Estados Unidos.

As terras-raras são essenciais para tecnologias modernas como smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares avançados. Sua importância estratégica aumentou em meio a tensões geopolíticas crescentes e disputas comerciais entre EUA e China. A corrida global por essas matérias-primas está redefinindo alianças e forçando nações a repensar suas cadeias de suprimentos e políticas industriais.

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