Em uma controvertida tomada de terras que acendeu o debate em toda a Espanha, o governo regional de Aragão desapropriou 16,5 hectares de terras privadas para um data center da Microsoft, compensando a família Garza com apenas €2 por metro quadrado. A família já havia rejeitado uma oferta de €25–€30/m² da gigante de tecnologia, considerando-a muito abaixo do valor real. O caso levanta questões urgentes sobre o equilíbrio entre investimento estrangeiro e direitos de propriedade na corrida da Espanha para se tornar um polo digital.
Corrida do ouro dos data centers na Espanha
A Espanha está se posicionando como destino líder de data centers no sul da Europa, com projeção de €66,9 bilhões em investimentos até 2030. Aragão, em particular, espera multiplicar sua capacidade por dez, com o governo regional declarando projetos de 'interesse público' para agilizar licenças e permitir expropriação de terras para grandes projetos de tecnologia.
Como a terra da família Garza foi avaliada em apenas €2/m²
Ofertas rejeitadas e desapropriação acelerada
O problema começou quando a Microsoft tentou comprar as terras da família Garza perto de Zaragoza para um campus de data centers de €2,9 bilhões. A família recusou ofertas de €25–€30/m², alegando valor maior. Em setembro de 2025, o governo de Aragão declarou o projeto prioritário, iniciando a desapropriação.
Uma diferença gritante de preço: €2 vs. €57 em outro lugar
A avaliação da desapropriação, baseada em laudo encomendado pela Microsoft, fixou a compensação em €2–€5/m². Em contraste, na vizinha La Muela, a Microsoft pagou €57/m² no ano anterior. 'Falam de projeto prioritário para Aragão, mas a prioridade foi uma empresa estrangeira', disse Ana Garza. A família apresentou queixas ao INAGA e ao Ministério Público.
Reação ambiental e resistência comunitária
O elefante energético na sala
O campus de data centers consumiria até 1.846 MW e 16.170 GWh anuais, tornando a Microsoft a segunda maior consumidora de energia da região. Críticos alertam para sobrecarga da rede e necessidade de vastas fazendas solares e eólicas, ocupando até 12 vezes mais terra. Um estudo da Universidade de Saragoça prevê que a demanda elétrica pode multiplicar-se por 5 a 15.
Desafios legais se acumulam
Grupos de oposição questionam a avaliação ambiental, pois o período de consulta pública foi aberto em agosto, auge das férias. Várias organizações apresentaram objeções formais contra os três data centers da Microsoft em Aragão, denunciando isenção fiscal de €140 milhões desproporcional à criação de empregos. A Microsoft promete 300 empregos por centro, mas críticos estimam cerca de 60.
O que isso significa para as ambições digitais da Espanha
O caso Garza não é isolado. A disputa de terras da Amazon Web Services na Espanha evidencia tensões crescentes entre hyperscalers e comunidades locais. Especialistas advertem que processos de avaliação transparentes são essenciais para manter a atratividade da Espanha. O tribunal superior de Aragão revisa recursos, e o Ministério Público investiga possíveis crimes ambientais. Para a família Garza, a luta é por justiça: 'Só queremos um preço justo e que nossas vozes sejam ouvidas'.
FAQ
Por que a terra da família Garza foi desapropriada para um data center da Microsoft?
O governo de Aragão declarou o projeto de "interesse geral prioritário", permitindo a aquisição forçada após a família recusar vender.
Quanto de compensação a família recebeu?
A compensação foi fixada em €2–€5/m², com base em avaliação da Microsoft. A família havia recusado ofertas de €25–€30/m².
Qual é o investimento total da Microsoft em Aragão?
A Microsoft investe €2,9 bilhões em três campi de data centers na área de Zaragoza.
Por que grupos ambientalistas se opõem aos data centers?
Alegam enorme consumo de energia, sobrecarga da rede e necessidade de grandes áreas para energias renováveis, com poucos empregos locais e grandes incentivos fiscais.
Existem outros casos semelhantes de desapropriação na Espanha?
Sim, disputas semelhantes ocorreram com a Amazon Web Services, refletindo tensão entre expansão de data centers e direitos fundiários.
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