Códice asteca retorna ao México em empréstimo da França

Códice Azcatitlan retorna ao México em empréstimo da França após 186 anos, marcando 200 anos de relações diplomáticas e o debate sobre repatriação. Saiba mais.

Códice asteca retorna ao México em empréstimo da França
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Edicao: PT

O México recebeu temporariamente um de seus tesouros coloniais mais importantes. O Códice Azcatitlan, manuscrito pictórico asteca do século XVI guardado pela Biblioteca Nacional da França desde 1898, está em exibição no Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México. O empréstimo, acordado pelos presidentes Claudia Sheinbaum e Emmanuel Macron em novembro de 2025, marca 200 anos de relações diplomáticas franco-mexicanas e segue até 6 de dezembro de 2026. O códice não estava em solo mexicano há 186 anos, tendo partido em 1840.

O que é o Códice Azcatitlan?

É um manuscrito mesoamericano pintado à mão que narra a história dos mexicas, povo indígena chamado de astecas. Criado entre meados do século XVI e o XVII por dois tlacuiloque (escrivães-pintores), mistura pictogramas astecas tradicionais a papel, encadernação e glosas em latim ou espanhol. A obra tem 25 folhas de papel europeu, de cerca de 21 por 28 centímetros, e é uma das principais referências sobre a história asteca. O nome vem do glifo de formigueiro da página 2, lido por engano como referência à mítica Aztlán.

Por que a França emprestou o manuscrito

O retorno temporário integra o Grande Festival Franco-Mexicano. Em troca, o México enviou a Paris o Códice Boturini, do século XVI. O Azcatitlan deixou o México por volta de 1840 e passou por coleções europeias antes de ser doado à BnF, em 1898, após a morte de Eugène Goupil. O acordo é explicitamente um empréstimo, não uma repatriação. O marco das relações diplomáticas França-México deu o enquadramento político, mas o México busca há muito o retorno permanente.

O que o códice retrata

O Códice Azcatitlan acompanha a migração mexica desde Aztlán, a fundação de Tenochtitlan em 1325, a sucessão de seus governantes e a chegada espanhola em 1519, incluindo a conquista e a evangelização. Suas três seções principais são:

  • Migração desde Aztlán: a jornada dos mexicas ao Vale do México.
  • Fundação e história dinástica de Tenochtitlan: os reinados dos tlatoani.
  • Conquista espanhola e evangelização: a invasão de 1519–1521 e a conversão forçada ao cristianismo.

O estilo mistura figuras e glifos mesoamericanos com profundidade e sombreamento tridimensionais europeus. A historiadora María Castañeda de la Paz atribui a obra a um artesão otomí. A conquista espanhola dos astecas aparece em cores vivas, tornando o códice um registro visual crucial da perspectiva indígena no início do período colonial.

O México terá o códice de volta em definitivo?

Autoridades mexicanas e representantes indígenas apresentam o empréstimo como um passo rumo à restituição, mas a França não aceitou o retorno permanente. Sheinbaum pressionou Macron nas negociações de 2025. O chanceler Roberto Velasco chamou a exposição de uma reunificação com a memória coletiva do México. A ativista María Eugenia Castañeda afirmou: Fortalece nossa moral, nossos costumes, nossa cultura e nossa identidade. A mostra reúne ainda 25 objetos arqueológicos e fac-símiles de nove manuscritos. Por ora, o original volta à França após 6 de dezembro de 2026, deixando em aberto o debate sobre movimentos de restituição indígena.

Códice Azcatitlan vs Códice Boturini

CaracterísticaCódice AzcatitlanCódice Boturini
OrigemVale do México, séc. XVI–XVIIVale do México, séc. XVI
ConteúdoMigração, dinastia, conquistaMigração de Aztlán a Tenochtitlan
Detentor atualBibliothèque Nationale de FranceMuseu Nacional de Antropologia, México
EmpréstimoFrança para México (até 6/12/2026)México para França (recíproco)
Extensão25 folhas, cerca de 50 fóliosTira única em acordeão

Perguntas frequentes

Quanto tempo o códice ficará no México?

Está no Museu Nacional de Antropologia até 6 de dezembro de 2026, em empréstimo temporário da França.

Por que a França devolve o manuscrito?

É um empréstimo para celebrar 200 anos de relações diplomáticas, não um retorno permanente. Em troca, o México enviou o Códice Boturini a Paris.

O que o Códice Azcatitlan mostra?

A migração mexica desde Aztlán, a fundação de Tenochtitlan em 1325, os reinados de seus governantes e a conquista espanhola desde 1519.

A França aceitou a repatriação permanente?

Não. Autoridades mexicanas, incluindo Sheinbaum, pressionaram por isso, mas a França só concordou com o empréstimo temporário.

Quem criou o Códice Azcatitlan?

Dois tlacuiloque (escrivães-pintores) indígenas; a historiadora María Castañeda de la Paz atribui a obra a um artesão otomí.

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