A Coreia do Sul está dando nova vida ao projeto de restauração da ferrovia da Linha Gyeongwon, há muito tempo paralisado, um movimento que poderia eventualmente reconectar Seul à cidade portuária de Wonsan, no leste da Coreia do Norte. O anúncio, feito pelo Ministro da Unificação Chung Dong-young em 6 de agosto de 2026, revive um projeto lançado em 2015, mas suspenso apenas um ano depois em meio à rápida deterioração das relações intercoreanas. O projeto ferroviário é o mais recente de uma série de aberturas cautelosas do governo do presidente Lee Jae-myung, que assumiu em junho de 2025, visando descongelar a relação congelada com Pyongyang.
Antecedentes e História da Linha Gyeongwon
A Linha Gyeongwon tem suas origens no início do século XX, quando foi construída pela Ferrovia Governamental de Chosen entre 1911 e 1914 como uma vital rota leste-oeste conectando Seul (então Keijō) ao porto de Wonsan. Por décadas, serviu como um dos corredores ferroviários mais importantes da península coreana. Após a divisão da Coreia após a Segunda Guerra Mundial, a linha foi cortada ao longo do paralelo 38, e mais tarde ao longo da Linha de Demarcação Militar estabelecida após o armistício da Guerra da Coreia. A porção sul continuou operando na Coreia do Sul, com atualizações graduais incluindo eletrificação e duplicação na área metropolitana de Seul. No entanto, o trecho próximo à Zona Desmilitarizada (DMZ) permaneceu desconectado, um lembrete físico da divisão da península.
O Plano de Reativação
Sob a iniciativa renovada, a Coreia do Sul restaurará um trecho desconectado da via perto da DMZ, estendendo a linha operacional mais ao norte. O projeto não cruzará a fronteira, pois Pyongyang destruiu as ligações em 2024. O objetivo imediato é melhorar o acesso a locais de turismo na região fronteiriça e estimular a economia local. A ferrovia poderia eventualmente conectar a Wonsan, onde a Coreia do Norte desenvolveu a zona turística de Wonsan-Kalma, se as condições políticas permitirem. Espera-se a conclusão até 2029. O Ministério da Unificação também propôs expandir o uso do Fundo de Cooperação Intercoreano, um fundo subutilizado para intercâmbios humanitários. Desde 2016, apenas 2-3% foi gasto anualmente devido a sanções. O ministério quer redirecionar esses recursos para o desenvolvimento de áreas fronteiriças, incluindo estações, parques da paz, museus e pesquisas sobre a reunificação.
Turismo e Desenvolvimento Econômico
Um dos principais impulsionadores do renascimento da ferrovia é o turismo de fronteira. A DMZ, zona tampão de 250 km por 4 km, intocada por 70 anos, possui ecossistema rico e significado histórico. O governo espera atrair turistas e criar empregos em comunidades fronteiriças atrasadas. A ferrovia também complementa o Trem da Paz da DMZ, que retomou operações limitadas em abril de 2026 na Linha Gyeongui ocidental.
Contexto Político e Diplomático
O presidente Lee Jae-myung priorizou o engajamento intercoreano, apesar de Pyongyang não responder e Kim Jong-un rejeitar as investidas. Lee comparou seus esforços a 'gritar em um vazio sem eco'. O Ministro das Relações Exteriores admitiu dificuldades nas negociações multilaterais. Ainda assim, o projeto simboliza gestos concretos: em 2025, Seul desligou os alto-falantes de propaganda na fronteira. A ferrovia, segundo a correspondente Gabi Verberg, 'busca literalmente conexão', esperando que um dia as duas cidades sejam religadas.
Perguntas Frequentes
O que é a Linha Gyeongwon?
Ferrovia histórica que ligava Seul a Wonsan, cortada após a divisão da Coreia. Agora restaurada no lado sul como potencial elo futuro.
A ferrovia cruzará para o Norte?
Não imediatamente. O foco atual é o trecho sul-coreano perto da DMZ. A travessia exigiria cooperação norte-coreana, improvável após 2024.
Por que este projeto agora?
Para turismo, desenvolvimento econômico e bases para reconexão, alinhado à política de engajamento de Lee.
Quando fica pronta?
Até 2029.
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