O tabuleiro global dos minerais críticos entrou na sua fase mais perigosa em fevereiro de 2026, quando Pequim apertou os controlos de exportação de tecnologia e know-how de processamento de terras raras — a escalada mais dura de uma campanha para transformar em arma a sua dominância sobre materiais que alimentam veículos elétricos, sistemas de defesa e inteligência artificial. A China controla cerca de 90% do processamento de terras raras, 60% da refinação de lítio e cobalto e 80% da grafite para baterias, deixando os decisores ocidentais com uma janela de 12 a 18 meses para diversificar antes de dependências estruturais se fixarem por décadas.
O ponto de inflexão de 2026: o martelo do processamento
O 15.º Plano Quinquenal chinês aposta na dominância do processamento intermédio, e os controlos de exportação já remodelaram o comércio global. Os preços do tungsténio sextuplicaram e o óxido de ítrio subiu 4.400% fora da China em 2025, segundo dados comerciais. A Agência Internacional de Energia avisa que a aplicação total dos controlos chineses de exportação de terras raras pode colocar 6,5 biliões de dólares de produção a jusante em risco, com os Estados Unidos e a Europa a representar quase metade. Em fevereiro de 2026, as restrições à tecnologia de separação sinalizaram que Pequim visa não só os minerais, mas a capacidade de os processar.
FORGE e a contraofensiva do Ocidente
Os Estados Unidos responderam a 4 de fevereiro de 2026 com o lançamento da FORGE — Fórum de Envolvimento Geoestratégico de Recursos — sucessora da Parceria para a Segurança de Minerais. A coligação, que reúne 54 nações mais a Comissão Europeia, mobilizou mais de 30 mil milhões de dólares e assinou 11 novos acordos bilaterais, segundo o Departamento de Estado dos EUA. A Coreia do Sul presidiu à FORGE até junho de 2026, assumindo os EUA a presidência em julho. No centro está o Projeto Vault, uma reserva estratégica público-privada de 10 a 12 mil milhões de dólares.
A falta de liquidez na Europa
A Lei Europeia das Matérias-Primas Críticas fixou metas para 2030: 10% de extração interna, 40% de processamento e 25% de reciclagem, com no máximo 65% de qualquer matéria-prima estratégica proveniente de um único país. Contudo, a Comissão Europeia selecionou 60 projetos estratégicos, dos quais 23 enfrentam problemas de liquidez, e apenas 1,7 mil milhões de euros foram mobilizados — muito aquém do financiamento necessário.
Nacionalismo de recursos e o terceiro polo do Golfo
Os países produtores exploram a sua alavancagem. A Indonésia cortou a produção de níquel em cerca de 25%, espelhando a sua proibição de exportação de minério de níquel de 2020. O Chile tornou o lítio não concessionável e exige parceria estatal em novos projetos. A República Democrática do Congo limitou as exportações de cobalto a 7.250 toneladas por mês, duplicando os preços. Entretanto, a Arábia Saudita e os Emirados mobilizam mais de 100 mil milhões de dólares: a Manara Minerals adquiriu 10% da Vale Base Metals por 2,5 mil milhões, a ADQ criou o Consórcio Orion de Minerais Críticos de 1,8 mil milhões e Mubadala aderiu ao quadro Pax Silica. Estes fundos soberanos do Golfo posicionam-se como um terceiro polo neutro entre Pequim e Washington.
Pode o Ocidente realmente diversificar?
O Global Trade Update da UNCTAD de junho de 2026 documenta a mudança nas dinâmicas comerciais, mas a aritmética continua desanimadora. Reconstruir capacidade de processamento de minerais críticos fora da China pode levar cinco a sete anos — e até 20 a 30 anos para independência total — com custos ocidentais duas a quatro vezes superiores. As reservas da NATO cobrem apenas seis a nove meses de conflito de alta intensidade, e a procura de lítio deverá subir 353% até 2040. O Fórum Económico Mundial classifica os minerais críticos como o maior risco global de curto prazo.
FAQ: Segurança da cadeia de abastecimento
O que são minerais críticos?
São materiais não combustíveis essenciais à energia, defesa e tecnologia com cadeias de abastecimento vulneráveis, incluindo lítio, cobalto, níquel, grafite e terras raras.
Porque é que 2026 é decisivo?
Os controlos chineses de fevereiro de 2026, o lançamento da coligação FORGE e o relatório da UNCTAD convergiram, criando uma janela de 12 a 18 meses antes de as dependências se endurecerem por décadas.
Quanto processamento de terras raras controla a China?
Cerca de 90% do processamento global de terras raras e aproximadamente 60% da refinação de lítio e cobalto.
O que é a FORGE?
O Fórum de Envolvimento Geoestratégico de Recursos é uma coligação de 54 nações mais a Comissão Europeia que substituiu a Parceria para a Segurança de Minerais em fevereiro de 2026.
O Ocidente pode substituir totalmente o processamento chinês?
Não a curto prazo. A independência total exigiria pelo menos cinco a sete anos e custaria duas a quatro vezes mais, tornando crítica a atual janela de 12 a 18 meses.
Perspetiva: uma janela que se fecha
Se as nações ocidentais não conseguirem converter financiamento em minas, refinarias e unidades de separação operacionais no próximo ano e meio, a corrida estratégica atual pode endurecer numa dependência estrutural permanente da infraestrutura de processamento de Pequim. O tabuleiro está montado; o relógio corre.
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