Com a confrontação geoeconômica no topo dos riscos de curto prazo do Relatório de Riscos Globais 2026 do Fórum Econômico Mundial, os minerais críticos viraram doutrina de segurança nacional. A China controla cerca de 90% do processamento de terras raras e mais de 60% do refino de lítio e cobalto, segundo a AIE, e a corrida redesenha alianças, regras comerciais e investimentos.
O Que Impulsiona o Confronto?
A raiz é a concentração do refino: o Global Critical Minerals Outlook 2026, da AIE, mostra que o principal país refinador detém 72% em média dos minerais estratégicos. Os controles chineses de exportação triplicaram desde 2023, e restrições elevaram o preço do tungstênio seis vezes, enquanto o óxido de ítrio subiu 4.400% fora da China. As cadeias de fornecimento de minerais críticos são a nova linha de fratura da política industrial, e o processamento de terras raras segue como o gargalo mais concentrado.
Contra-ataques de 2026: FORGE, Project Vault e a UE
Washington respondeu em fevereiro de 2026. Em 2 de fevereiro, Donald Trump anunciou o Project Vault, reserva estratégica americana de US$ 10 bilhões apoiada pelo EXIM, com Boeing e GE Vernova. Pouco depois, Marco Rubio lançou o FORGE, coalizão de 54 países mais a Comissão Europeia que substitui a Parceria de Segurança Mineral. Já há 21 acordos bilaterais e mais de US$ 30 bilhões mobilizados, com pisos de preços garantidos por tarifas a não membros. A estratégia americana para minerais críticos depende de velocidade e coordenação entre aliados.
A UE avança em paralelo: a Lei Europeia de Matérias-Primas Críticas selecionou 60 projetos em 2025 e abriu nova rodada em 2026, com 160 candidaturas. O financiamento é o elo fraco: 23 projetos alertaram para problemas de liquidez, e a Comissão mobilizou apenas € 1,7 bilhão, sem pagamentos diretos. Sem mecanismo dedicado, as metas de 10% de extração, 40% de processamento e 25% de reciclagem até 2030 seguem aspiracionais.
Capital do Golfo e Nacionalismo de Recursos
Os Estados do Golfo destinam mais de US$ 100 bilhões a ativos minerais, tratando a mineração como terceiro pilar da Arábia Saudita sob a Visão 2030. A ADQ, dos Emirados, ancora o consórcio Orion, de US$ 5 bilhões, enquanto a Maaden faz parceria com a MP Materials e o Pentágono numa refinaria de terras raras. Mas o Golfo faz hedge, não desacoplamento: em vez de se desacoplar da China, busca hedge e diversificação, diz Ahmed Aboudouh, do ORF Middle East. Já Indonésia, Chile e República Democrática do Congo usam o nacionalismo de recursos para exigir processamento doméstico; as cotas de cobalto da RDC elevaram os preços em cerca de 130% em 2025.
A Janela de 12 a 18 Meses e a Demanda por Lítio
Analistas alertam que o Ocidente tem apenas 12 a 18 meses para diversificar antes que as dependências se consolidem; a independência total levaria cinco a sete anos, segundo o Departamento de Estado. A UNCTAD projeta alta de 353% na demanda por lítio até 2040, e a AIE vê déficits de cobre e lítio até 2035. Previsões de demanda por lítio tornam o atraso caro: cada ano de inação consolida contratos, portos e capacidade de processamento.
FAQ: Geopolítica dos Minerais Críticos em 2026
Por que são um risco geopolítico central?
O WEF aponta a confrontação geoeconômica como maior risco de curto prazo, com o refino concentrado na China no centro.
O que é o Project Vault?
Reserva estratégica americana de US$ 10 bilhões, apoiada pelo EXIM, anunciada em 2 de fevereiro de 2026.
Quantas nações aderiram ao FORGE?
54 países mais a Comissão Europeia, com mais de US$ 30 bilhões mobilizados.
Qual é a lacuna de financiamento da UE?
23 dos 60 projetos enfrentam problemas de liquidez; só € 1,7 bilhão foi mobilizado.
Quão rápido cresce a demanda por lítio?
A UNCTAD projeta alta de 353% até 2040, o que torna urgente diversificar o fornecimento para baterias, defesa e energia limpa.
Conclusão: Um Tabuleiro Sem Árbitro
O tabuleiro dos minerais críticos em 2026 não tem árbitro neutro. Dominância chinesa no refino, coalizões americanas, ambição europeia, capital do Golfo e nacionalismo produtor avançam juntos. Os próximos 12 a 18 meses dirão se o Ocidente constrói uma cadeia diversificada ou apenas troca uma dependência por outra.
Follow Discussion