Em 2026, a corrida por minerais críticos atingiu um ponto de inflexão. A demanda deve quadruplicar até 2040, tornando o controle das cadeias de suprimento central na rivalidade entre potências. O Relatório de Riscos Globais 2026 do WEF coloca o confronto geoeconômico como principal risco.
O que impulsiona a geopolítica dos minerais críticos em 2026?
A geopolítica dos minerais críticos envolve a competição por matérias-primas essenciais para defesa e energia limpa, como terras raras, lítio e cobalto. A AIE prevê que a demanda triplicará até 2030. As cadeias de suprimento da transição energética estão no centro das estratégias de segurança nacional.
Projeto Vault e FORGE: Uma contraofensiva de US 30 bilhões
Em fevereiro de 2026, o governo Trump lançou o Projeto Vault, iniciativa de US$ 12 bilhões para criar uma Reserva Estratégica de Minerais Críticos, financiada pelo EXIM e capital privado. É o maior esforço de estocagem desde a Guerra da Coreia. Poucos dias depois, os EUA lançaram o FORGE, coalizão plurilateral para criar uma zona preferencial de comércio e investimento em minerais críticos, com pisos de preço. A reunião ministerial produziu 11 novos acordos, totalizando 21 em cinco meses. O governo mobilizou mais de US$ 30 bilhões para projetos.
Lei de Matérias-Primas Críticas da UE: Ambição vs. Lacunas de Financiamento
A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE, em vigor desde 2024, estabelece metas de 10% de extração, 40% de processamento e 25% de reciclagem na UE até 2030. Em 2026, a Comissão Europeia selecionou 60 Projetos Estratégicos, mas apenas dez de reciclagem, indicando lacunas. O financiamento da Lei de Matérias-Primas Críticas da UE continua sendo um gargalo, sem fundo soberano dedicado.
Domínio da China e Estratégia de Controle de Exportações
A China controla mais de 60% da refinação de lítio e cobalto e mais de 90% de terras raras. Em 2025-2026, apertou controles de exportação, causando picos de preços de até seis vezes e reduzindo aprovações de licenças europeias abaixo de 25%. O 15º Plano Quinquenal (2026-2030) enfatiza a segurança do abastecimento.
Novos Participantes: Arábia Saudita e EAU
Estados do Golfo emergem como novos players. A Arábia Saudita estima riqueza mineral de US$ 2,5 trilhões e planeja US$ 100 bilhões em investimentos até 2035. O ADQ dos EAU lançou consórcio de US$ 1,8 bilhão. A estratégia de investimento em minerais críticos do Golfo oferece alternativa ao financiamento chinês.
Impacto na Defesa, VE e Prazos de Descarbonização
Cada F-35 requer 400 kg de terras raras. Cada VE não chinês custa US$ 500 a mais devido aos controles chineses. Analistas estimam janela de 12-18 meses para diversificação, mas independência total pode levar 20-30 anos. A segurança da cadeia de suprimentos de minerais críticos é urgente e de longo prazo.
Perspectivas de Especialistas
Um analista do CSIS chamou o Projeto Vault de 'iniciativa de estocagem mais agressiva desde a Guerra da Coreia'. Líderes europeus alertam que a CRMA precisa de financiamento para evitar que metas fiquem aspiracionais.
Perguntas Frequentes
O que são minerais críticos?
Minerais críticos são matérias-primas essenciais como terras raras, lítio e cobalto.
Por que 2026 é um ano crucial?
2026 é crucial devido ao lançamento do Projeto Vault, FORGE, seleção de projetos da UE e novo plano quinquenal da China.
Como a China controla as cadeias de suprimento?
China controla mais de 60% da refinação global e usou controles de exportação para elevar preços.
O que é o Projeto Vault?
Projeto Vault é uma reserva estratégica de US$ 12 bilhões para proteger contra choques de oferta.
O Ocidente pode reduzir a dependência da China?
Diversificação pode começar em 12-18 meses, mas independência total levará décadas.
Conclusão: Um Futuro Fragmentado e Volátil
O cenário de 2026 é fragmentado: EUA formam alianças, UE busca soberania, China aperta controle, Golfo emerge. Os próximos meses determinarão se o Ocidente pode reduzir a dependência.
Follow Discussion