Corrida por Minerais Críticos: Alianças 2026

China domina 90% do processamento de terras raras. EUA lançam FORGE e Project Vault ($10B); UE, 60 Projetos. Essas alianças podem reduzir a dependência? Análise.

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O Novo Campo de Batalha Geopolítico: Minerais Críticos em 2026

Em fevereiro de 2026, os Estados Unidos sediaram a Reunião Ministerial de Minerais Críticos de 2026 com representantes de 54 nações, lançando o Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE) e anunciando o Project Vault — uma reserva estratégica de $10 bilhões apoiada pelo Export-Import Bank. Essas medidas ocorrem enquanto a China aperta seu controle sobre as cadeias globais de suprimentos de minerais críticos, controlando 90% do processamento de terras raras e usando controles de exportação que causaram picos de preços de seis vezes e taxas de aprovação de licenças abaixo de 25% para empresas europeias. A corrida armamentista de minerais críticos é agora a história geoestratégica de cadeia de suprimentos mais definidora do ano.

Estrangulamento da China sobre Minerais Críticos

A China domina o cenário global de minerais críticos com punho de ferro. Segundo análise publicada no início de 2026, Pequim controla 90% do processamento de terras raras, 80% da refinação de tungstênio e 60% da produção de antimônio. Esses materiais são essenciais para sistemas de defesa, veículos elétricos, turbinas eólicas, semicondutores e robótica avançada. Mais de 80% das empresas europeias dependem de cadeias chinesas para esses insumos, e reconstruir alternativas independentes levaria de 20 a 30 anos.

Os controles de exportação da China, introduzidos em 2025 e endurecidos em 2026, foram devastadores para os fabricantes ocidentais. Os preços do neodímio-praseodímio (NdPr) saltaram 37% apenas em abril de 2026. Os controles de exportação da China em 2026 criaram uma janela de 12 a 18 meses para o Ocidente agir decisivamente antes de ficar preso em vulnerabilidade prolongada.

A Resposta dos EUA: FORGE e Project Vault

FORGE: Um Novo Quadro Multilateral

Em 4 de fevereiro de 2026, o Secretário de Estado Marco Rubio, junto com o Vice-Presidente JD Vance e seis oficiais, anunciaram o FORGE (Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos) como sucessor da Parceria de Segurança Mineral (MSP). Presidido inicialmente pela Coreia do Sul, o FORGE reúne 54 países representando cerca de dois terços do PIB global. A iniciativa marca uma mudança do foco 'América Primeiro' para uma coordenação internacional mais ampla. Os EUA assinaram 11 novos acordos bilaterais de minerais críticos com países como Argentina, Marrocos, Filipinas, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido. O governo americano mobilizou mais de $30 bilhões em empréstimos e investimentos nos últimos seis meses.

Project Vault: Uma Reserva Estratégica de $10 Bilhões

O Project Vault, anunciado pelo presidente Trump em 2 de fevereiro de 2026, estabelece a Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA — uma parceria público-privada financiada por um empréstimo de $10 bilhões do Export-Import Bank (EXIM) e quase $2 bilhões de capital privado. A reserva armazenará matérias-primas essenciais em instalações seguras, protegendo fabricantes de choques de oferta.

A Lei de Matérias-Primas Críticas da União Europeia

A União Europeia busca sua própria estratégia paralela sob a Lei de Matérias-Primas Críticas (CRMA). A Comissão Europeia selecionou 60 Projetos Estratégicos para fortalecer a capacidade do bloco. O prazo de 15 de janeiro de 2026 recebeu 161 propostas — um aumento refletindo a urgência. A UE também anunciou financiamento de até €3 bilhões ($3,5 bilhões) para 2026 sob seu novo Plano de Ação ReSourceEU. Medidas incluem aceleração regulatória, apoio à extração de lítio da Vulcan Energy na Alemanha (€250 milhões do BEI), novas restrições à exportação de ímãs permanentes e alumínio, e proibição de exportação de resíduos de baterias de íon-lítio para países não-OCDE a partir de setembro de 2026. A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE aprofunda parcerias internacionais, visando acordos com Brasil, Ucrânia, Bálcãs Ocidentais e Norte da África.

Pode o Ocidente Reduzir a Dependência da China?

Apesar dessas iniciativas, especialistas permanecem céticos. O Instituto de Pesquisa Energética conclui que a China continuará sendo o fornecedor dominante de minerais críticos processados até 2030, com mais de 80% de participação em terras raras e grafite sintético. O executivo de mineração Mick McMullen disse à Fortune em março de 2026: 'A China é a líder, e os EUA estão muito atrás.' Embora alguma diversificação seja esperada — 55% do cobre refinado fora da China até 2030 — as empresas chinesas possuem cerca de 80% da produção de níquel na Indonésia. A estratégia ocidental de minerais críticos enfrenta três caminhos: aceitar dependência gerenciada, buscar independência cara, ou adotar um modelo híbrido.

Perspectivas de Especialistas

O Secretário Rubio afirmou: 'Estamos remodelando o mercado global de minerais críticos para reduzir a superconcentração que permite coerção política.' No entanto, o Atlantic Council advertiu que gerenciar uma coalizão desse porte exigirá governança sustentada. O Bipartisan Policy Center destacou que o modelo de parceria público-privada do Project Vault é inovador, mas não testado.

Perguntas Frequentes

O que é o FORGE?

O FORGE é um quadro multilateral lançado pelos EUA em fevereiro de 2026 para coordenar a segurança da cadeia de suprimentos de minerais críticos entre 54 nações. Substitui a Parceria de Segurança Mineral e é presidido pela Coreia do Sul.

O que é o Project Vault?

É uma reserva estratégica de $10 bilhões financiada pelo EXIM e capital privado para estocar matérias-primas essenciais e proteger contra interrupções de fornecimento.

Quanto a China controla o processamento global de terras raras?

A China controla aproximadamente 90% da capacidade global de processamento e refino de terras raras, além de 80% do tungstênio e 60% do antimônio.

Quantos projetos estratégicos a UE selecionou sob a CRMA?

A Comissão Europeia selecionou 60 Projetos Estratégicos, com 161 propostas submetidas até janeiro de 2026.

Pode o Ocidente reduzir a dependência da China em uma década?

A maioria dos especialistas duvida. Reconstruir cadeias independentes levaria de 20 a 30 anos, e o domínio chinês sobre a tecnologia de processamento torna a diversificação extremamente desafiadora.

Conclusão: Um Longo Caminho pela Frente

A Reunião Ministerial de 2026, o FORGE, o Project Vault e os 60 Projetos Estratégicos da UE representam o esforço ocidental mais ambicioso para quebrar o estrangulamento chinês. Com $30 bilhões em financiamento dos EUA e coordenação transatlântica sem precedentes, a mudança estrutural é real. Mas a lacuna entre ambição e realidade permanece vasta. Os próximos 12 a 18 meses determinarão se essas iniciativas se tornarão a base de uma nova arquitetura de cadeia de suprimentos ou uma nota de rodapé na geopolítica dos recursos.

Fontes

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