Em fevereiro de 2026, os Estados Unidos sediaram uma Reunião Ministerial de Minerais Críticos com 54 nações em Washington, anunciando mais de US$ 30 bilhões em financiamento e novas estruturas bilaterais para conter o aperto da China sobre terras raras e minerais críticos. Isso ocorre enquanto os controles de exportação de Pequim, implementados entre outubro de 2025 e março de 2026, expuseram uma vulnerabilidade estrutural nas economias industriais ocidentais. Com a China controlando mais de 90% do processamento global de terras raras e 94% da produção de ímãs permanentes, a crise de minerais críticos de 2026 tornou-se o ponto crítico geopolítico e econômico do ano.
Domínio Chinês e os Controles de Exportação de 2026
O 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030), aprovado em março de 2026, enfatiza explicitamente a liderança global em elementos de terras raras e planeja fortalecer os controles de exportação. O país já controla aproximadamente 60-70% da mineração global de terras raras e mais de 90% da capacidade de processamento. Os controles de exportação de 2026 desencadearam picos de preços de até seis vezes fora da China, com taxas de aprovação de licenças para empresas europeias caindo abaixo de 25% em alguns setores. Segundo uma análise multi-institucional, a China está usando controle temporário e reversível para manter poder de precificação e extrair concessões estratégicas, enquanto impede investimentos alternativos ocidentais em grande escala.
A cadeia de suprimentos de terras raras é crítica para defesa, veículos elétricos (VEs), energia renovável e manufatura de alta tecnologia. Mais de 80% das empresas europeias dependem das cadeias chinesas para esses materiais. O FMI alertou que a fragmentação geopolítica decorrente da weaponização das cadeias de suprimento mineral representa riscos significativos para o crescimento global.
A Resposta dos EUA: FORGE, Projeto Vault e US$ 30 Bilhões
Em 4 de fevereiro de 2026, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Vice-Presidente JD Vance sediaram a Reunião Ministerial, que marcou a resposta mais agressiva dos EUA até agora. Principais resultados:
- FORGE (Fórum de Engajamento Geopolítico de Recursos): Nova iniciativa que substitui a Parceria de Segurança Mineral (MSP), presidida pela Coreia do Sul. Cria uma zona preferencial de comércio e investimento com pisos de preço coordenados e tarifas ajustáveis.
- Projeto Vault: Iniciativa público-privada de US$ 12 bilhões para estabelecer uma Reserva Estratégica de Minerais Críticos, apoiada por um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Exportação-Importação. Visa estocar minerais-chave contra interrupções.
- 11 novas estruturas bilaterais: Assinadas com Argentina, Marrocos, Filipinas, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Uzbequistão, garantindo acesso a fontes diversas.
- Pax Silica: Parceria de US$ 250 milhões focada em cadeias de suprimentos de semicondutores.
O governo dos EUA mobilizou mais de US$ 30 bilhões em cartas de interesse, investimentos e empréstimos nos últimos seis meses. No entanto, especialistas alertam que reconstruir capacidade de processamento independente fora da China pode levar 20 a 30 anos. Os compromissos de financiamento de minerais críticos representam um passo significativo, mas o cronograma é assustador.
Vulnerabilidade Europeia e Opções Estratégicas
A Europa enfrenta uma dependência aguda: mais de 80% das empresas europeias dependem de cadeias chinesas. Os controles de 2026 atingiram duramente os fabricantes, com taxas de aprovação de licenças despencando. A União Europeia respondeu com a Lei de Matérias-Primas Críticas, mas a estratégia de matérias-primas críticas da UE enfrenta obstáculos como longos processos de licenciamento e altos custos.
Uma análise recente apresenta três caminhos estratégicos para nações ocidentais: dependência gerenciada, independência custosa ou um modelo híbrido. O relatório alerta que resta uma janela de 12 a 18 meses para ação decisiva antes que o domínio chinês se torne irreversível.
Impacto na Defesa, Transição Energética e Manufatura
Defesa
Terras raras são essenciais para ímãs em mísseis, radares e aeronaves avançadas. O Departamento de Defesa dos EUA identificou minerais críticos como prioridade de segurança nacional.
Transição Energética
Baterias de VE e turbinas eólicas dependem de terras raras e lítio. O domínio chinês no processamento – 90% de terras raras e 71% do refino de níquel (80% do refino indonésio é chinês) – ameaça as metas climáticas ocidentais. A dependência mineral da transição energética preocupa formuladores de políticas.
Manufatura de Alta Tecnologia
Semicondutores, robótica e hardware de IA exigem minerais críticos. A Pax Silica visa garantir suprimentos, mas o estrangulamento da China permanece um gargalo.
Perspectivas de Especialistas
“A China não está apenas restringindo exportações; está usando controles temporários e reversíveis para manter poder de precificação e extrair concessões”, observa uma análise multi-institucional. “Reconstruir alternativas independentes levaria 20 a 30 anos.”
O Secretário Rubio afirmou: “Estamos comprometidos em remodelar o mercado global de minerais críticos para reduzir a concentração que permite coerção política e interrupções na cadeia.” Críticos apontam que leva em média 29 anos para abrir uma mina nos EUA, um obstáculo regulatório.
FAQ
O que são minerais críticos e por que são importantes?
Minerais críticos são matérias-primas essenciais para indústrias de alta tecnologia, defesa e energia renovável, como terras raras, lítio e cobalto. A China controla mais de 90% do processamento global de terras raras.
O que os controles de exportação de 2026 fizeram?
A China apertou os controles sobre terras raras entre outubro de 2025 e março de 2026, gerando picos de preços de até seis vezes e reduzindo as taxas de aprovação de licenças para menos de 25%.
O que é o FORGE?
FORGE (Fórum de Engajamento Geopolítico de Recursos) é uma iniciativa liderada pelos EUA anunciada em fevereiro de 2026 para substituir a Parceria de Segurança Mineral, criando uma zona preferencial de comércio.
As nações ocidentais podem reduzir a dependência até 2030?
A maioria dos especialistas diz que não. Reconstruir capacidade de processamento independente levaria 20 a 30 anos. Iniciativas como Projeto Vault são passos na direção certa, mas o domínio chinês deve persistir até 2030.
O que é o Projeto Vault?
Projeto Vault é uma iniciativa público-privada de US$ 12 bilhões para estabelecer uma Reserva Estratégica de Minerais Críticos, apoiada por um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Exportação-Importação.
Conclusão e Perspectivas Futuras
A crise de minerais críticos de 2026 marca um ponto de virada. O domínio da China no processamento, combinado com seu 15º Plano Quinquenal, representa um desafio existencial. A resposta dos EUA – FORGE, Projeto Vault e US$ 30 bilhões – é inédita, mas enfrenta longas chances. A janela de 12 a 18 meses para ação decisiva determinará se o Ocidente pode alcançar um modelo híbrido de resiliência ou permanecer preso à dependência. Enquanto o ponto crítico geopolítico dos minerais críticos se intensifica, o mundo observa se os esforços de diversificação podem reduzir realisticamente a dependência até 2030.
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