Um meteorito marciano de 4,1 bilhões de anos, encontrado no Saara, no Mali, foi confirmado como uma das três pedras de Marte mais antigas já descobertas na Terra. É o que mostra um estudo financiado pela NASA na revista Science. A pedra de 800 gramas foi batizada de Teghaza 001 e foi coletada em setembro de 2022 por caçadores de meteoritos saarauís. O material oferece novas pistas sobre a crosta primordial de Marte e o papel da água naquele período.
A descoberta acrescenta um dado importante aos cerca de 435 meteoritos marcianos conhecidos na Terra e pode mudar a visão da história geológica do planeta vermelho.
O que é o Teghaza 001?
O Teghaza 001 foi encontrado em oito fragmentos numa planície salgada a cerca de 34 quilômetros da aldeia de Bir Shali, no Mali. O maior fragmento tinha aproximadamente o tamanho de uma bola de tênis. A pedra foi descoberta por caçadores de meteoritos saarauís, buscadores nômades responsáveis por muitos achados importantes no norte da África.
Após a recuperação, o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA liderou a pesquisa. A equipe determinou que a rocha se formou há mais de 4,1 bilhões de anos. Com isso, é um dos três meteoritos marcianos mais antigos já encontrados na Terra, ao lado de ALH84001 e da pedra conhecida como Black Beauty.
Por que este meteorito marciano é único?
Composição mineral
Diferentemente de seus equivalentes antigos, o Teghaza 001 contém uma rica mistura de minerais ígneos e vulcânicos. Feldspato e piroxênio dominam, minerais formadores de rocha comuns na crosta terrestre. A rocha também contém cristais de zircão com urânio, que permitiram aos pesquisadores determinar a idade com precisão.
O ALH84001 é composto quase inteiramente por um único mineral, enquanto o Black Beauty — com cerca de 2,1 bilhões de anos — é muito menor. Segundo o autor principal, Yang Liu, o Teghaza 001 é realmente único, pois registra como a formação da crosta marciana ocorreu enquanto o magma esfriava.
Evidência de água antiga
A composição química indica que a água já fluiu pela rocha. Um artigo complementar na Science Advances descreve o teor de água e traz novas evidências de que água líquida interagiu com a crosta marciana há mais de 4,1 bilhões de anos.
Lee Saper, segundo autor, afirma que este é realmente o primeiro pedaço da crosta de Marte encontrado numa parte do planeta onde nunca haviam coletado uma amostra. Os resultados apoiam a ideia de que o Marte primitivo tinha os ingredientes e as condições para possibilitar vida, mas não respondem diretamente se houve vida.
O que a descoberta significa para a pesquisa de Marte
O meteorito provavelmente veio das terras altas do sul de Marte, uma região que os cientistas nunca amostraram diretamente. A composição incomum levou um revisor a chamar a rocha de pedra de Roseta para Marte. Os pesquisadores esperam aprender mais sobre como a água antiga em Marte moldou a superfície e se as condições primitivas eram adequadas à vida.
A descoberta não prova que houve vida em Marte, mas reforça a suspeita de que o planeta já teve água e uma crosta rochosa capaz de sustentar ambientes habitáveis.
Perguntas frequentes
Qual é a idade do Teghaza 001?
Pelo menos 4,1 bilhões de anos, o que o torna um dos três meteoritos marcianos mais antigos já encontrados na Terra.
Onde o meteorito marciano foi encontrado?
Em setembro de 2022, numa planície salgada do Saara, perto de Bir Shali, no Mali, a cerca de 34 quilômetros da aldeia.
O que diferencia o Teghaza 001 de outros meteoritos marcianos?
Diferentemente do ALH84001, composto quase inteiramente por um único mineral, o Teghaza 001 contém feldspato, piroxênio e cristais de zircão, além de evidências de água que fluiu por ele.
Este meteorito prova que houve vida em Marte?
Não. Os resultados sugerem que o Marte primitivo teve água e possivelmente condições adequadas, mas não respondem diretamente se houve vida.
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