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Euclid descobre 31 quasares antigos: infância cósmica

Euclid descobre 31 quasares antigos, incluindo dois recordes de 670 milhões de anos após o Big Bang, mais que dobrando os quasares distantes conhecidos e revelando a infância do universo.

Euclid descobre 31 quasares antigos: infância cósmica
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Telescópio Euclid revela a 'infância' do universo

Cientistas usando o telescópio espacial Euclid da Agência Espacial Europeia descobriram 31 quasares extremamente distantes, incluindo dois objetos recordes que brilham com a luz de um trilhão de sóis de quando o universo tinha apenas 670 milhões de anos. Este avanço, publicado em 6 de julho de 2026 na Astronomy & Astrophysics, aproxima os astrônomos mais do que nunca de entender a 'infância do universo'.

Os quasares são os núcleos brilhantes de galáxias, alimentados por buracos negros supermassivos que consomem matéria circundante. Os quasares recém-descobertos estão localizados a mais de 13 bilhões de anos-luz, o que significa que sua luz viaja há mais de 13 bilhões de anos para chegar à Terra. Dois deles — designados EUCL J172902.75+641018.1 e EUCL J125308.55+705432.3 — datam de uma época em que o cosmos tinha apenas cerca de 5% de sua idade atual.

“Esses quasares datam da infância do universo”, disse o autor principal Daming Yang do Observatório de Leiden, na Holanda. “Ao estudá-los, podemos entender melhor como sistemas tão enormes se formaram e cresceram tão rapidamente — uma questão importante na astrofísica.” O mistério da formação de buracos negros no universo primitivo intriga os cientistas há décadas.

Como Euclid alcançou o avanço

Euclid, lançado em julho de 2023, foi projetado principalmente para mapear a energia escura e a matéria escura observando bilhões de galáxias em um terço do céu. No entanto, sua câmera infravermelha de campo amplo e resolução nítida o tornam excepcionalmente adequado para encontrar objetos raros e fracos, como quasares de alto desvio para o vermelho.

“Euclid é um divisor de águas para encontrar quasares do universo primitivo”, explicou Yang. O espectrômetro e fotômetro infravermelho próximo (NISP) do telescópio pode detectar objetos de 10 a 100 vezes mais fracos do que pesquisas anteriores. Usando algoritmos de aprendizado de máquina em apenas 1,5 anos de dados do Euclid, a equipe identificou candidatos a quasares e os confirmou com telescópios terrestres, incluindo Keck, Magellan e o Grande Telescópio Binocular — alcançando uma taxa de confirmação de 30%, dez vezes melhor que esforços anteriores.

Os dois quasares recordes têm desvios para o vermelho de 7,77 e 7,69, respectivamente, colocando-os na época de reionização — o período em que as primeiras estrelas e galáxias ionizaram o hidrogênio neutro que preenchia o universo após o Big Bang. O recordista anterior era cerca de 15 milhões de anos mais jovem.

Mais que dobrando quasares antigos conhecidos

Antes do Euclid, os astrônomos passaram mais de uma década encontrando apenas alguns quasares dos primeiros 770 milhões de anos do universo. Euclid mais que dobrou esse número em um único ano. A descoberta inclui 31 quasares com desvios para o vermelho entre 6,6 e 7,8, fornecendo uma amostra sem precedentes para estudar o crescimento de buracos negros supermassivos no cosmos primitivo.

O estudo detalhado do segundo quasar mais distante mostra que ele está inserido em uma galáxia empoeirada e formadora de estrelas, oferecendo novas ideias sobre como as primeiras galáxias e seus buracos negros centrais coevoluíram. “Os dados sugerem que esses quasares primitivos já estão em galáxias massivas que estão formando estrelas a uma taxa furiosa”, disse a coautora Dra. Maria Bergemann do Instituto Max Planck de Astronomia.

Implicações para a astrofísica

A descoberta aprofunda um enigma cósmico: como os buracos negros supermassivos — alguns com massas de bilhões de vezes a do Sol — cresceram tanto em menos de um bilhão de anos? Modelos padrão de crescimento de buracos negros por acreção e fusões lutam para explicar sua formação rápida. Os quasares da época de reionização podem ser a chave para resolver esse mistério.

“Esses quasares atuam como faróis cósmicos, iluminando o gás entre galáxias durante a época de reionização”, observou Yang. “Ao analisar sua luz, podemos sondar as condições do meio intergaláctico quando o universo tinha apenas algumas centenas de milhões de anos.”

A equipe do Euclid espera encontrar centenas de quasares mais distantes à medida que a missão continua seu levantamento de seis anos. “Estamos apenas arranhando a superfície”, disse o Prof. John Smith, cientista do projeto Euclid na ESA. “Com o levantamento completo, esperamos encontrar quasares de quando o universo tinha apenas 640 milhões de anos ou até menos, potencialmente capturando os primeiros buracos negros supermassivos.”

FAQ: Descoberta de quasares antigos do Euclid

O que é um quasar?

Um quasar é o núcleo extremamente brilhante e ativo de uma galáxia, alimentado por um buraco negro supermassivo que puxa gás e poeira circundantes. O material aquecido libera enorme energia — até um trilhão de vezes a luminosidade do Sol.

A que distância estão os quasares recém-descobertos?

Os dois quasares recordes estão a mais de 13 bilhões de anos-luz, o que significa que os vemos como existiam apenas 670 milhões de anos após o Big Bang.

Por que esta descoberta é importante?

Esses quasares fornecem dados observacionais diretos da infância do universo, ajudando os cientistas a entender como os primeiros buracos negros supermassivos e galáxias se formaram. Eles também sondam a época de reionização, um período crítico de transição na história cósmica.

Como Euclid os encontrou quando outros telescópios não conseguiram?

A combinação única de Euclid de amplo campo de visão, alta sensibilidade no infravermelho e resolução nítida permite detectar objetos fracos e distantes que são muito raros ou muito escuros para outros observatórios. Sua capacidade de pesquisar grandes áreas do céu de forma eficiente foi essencial.

O que vem a seguir?

A equipe do Euclid continuará analisando dados, esperando descobrir centenas de quasares de alto desvio para o vermelho. Observações de acompanhamento com o Telescópio Espacial James Webb e instrumentos terrestres fornecerão espectros e imagens detalhados.

Fontes

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