Moradores de Hong Kong alertaram por um ano sobre riscos de incêndio

O incêndio mais mortal de Hong Kong em 70 anos matou 128 pessoas depois que queixas de segurança dos moradores sobre riscos de renovação foram ignoradas por mais de um ano. O incêndio expôs falhas sistêmicas na fiscalização de segurança contra incêndio.

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Incêndio fatal em Hong Kong seguiu-se a ano de queixas de segurança ignoradas

Moradores do complexo residencial Wang Fuk Court no distrito de Tai Po, em Hong Kong, alertaram repetidamente as autoridades sobre riscos de segurança contra incêndio por mais de um ano antes que um incêndio devastador ceifasse pelo menos 128 vidas, tornando-se o incêndio mais mortal da cidade em 70 anos. A tragédia expôs graves falhas regulatórias e levantou questões sobre a fiscalização da segurança de edifícios em uma das cidades mais densamente povoadas do mundo.

Alertas repetidos foram ignorados

De acordo com documentos obtidos pela Reuters, os moradores expressaram preocupações pela primeira vez em setembro de 2024 sobre os perigos potenciais de incêndio das obras de renovação nas torres residenciais de 32 andares. Suas queixas focaram-se especificamente na rede de proteção verde inflamável ao redor dos andaimes de bambu e no isolamento de poliestireno nas janelas.

Apesar desses alertas, o departamento de trabalho informou aos moradores que eles corriam "risco de incêndio relativamente baixo" após avaliar certificados de segurança. O departamento realizou 16 inspeções de segurança entre julho de 2024 e novembro de 2025 e enviou seis relatórios de melhoria para a construtora Prestige Construction, mas os moradores afirmam que suas preocupações mais graves nunca foram adequadamente abordadas.

Deficiências sistêmicas na segurança contra incêndio

O incêndio, que começou em 27 de novembro de 2025, espalhou-se rapidamente pelo sistema de andaimes externos e consumiu sete das oito torres em poucas horas. A polícia confirmou que as redes de segurança "presumivelmente não cumpriam os padrões de segurança contra incêndio" e prendeu três gerentes seniores da empresa de construção sob suspeita de homicídio culposo.

O chefe dos bombeiros, Andy Yeung Yan-kin, confirmou que os sistemas de alarme de incêndio do edifício não funcionaram durante a emergência. "Equipes especializadas concluíram após inspeção de todas as oito torres que os sistemas de alarme de incêndio não estavam funcionando," disse Yeung a repórteres. Essa falha crítica significou que os moradores não receberam alerta automático enquanto as chamas consumiam suas casas.

Bombeiros enfrentam críticas

A resposta dos bombeiros está sob intensa crítica, com críticos questionando por que helicópteros, drones e caminhões com escadas mais longas não foram usados de forma mais eficaz. O chefe dos bombeiros Yeung defendeu as táticas de seu departamento e explicou que bombas de água de helicópteros poderiam ter piorado a situação ao direcionar mais fluxo de ar para o fogo.

"Nossos caminhões com escadas de 100 metros precisam de ruas de 10 metros de largura para estender estabilizadores, mas a maioria das ruas de Hong Kong tem apenas 6 metros de acesso de emergência," explicou Yeung. "Drones também não podiam carregar água suficiente para combater um incêndio que se espalhava simultaneamente por vários edifícios."

Desafios na identificação das vítimas

Com apenas 39 das 128 vítimas oficialmente identificadas, as autoridades enfrentam um enorme desafio de identificação. Cerca de 200 pessoas ainda estão desaparecidas, e o governo alertou que mais vítimas podem ser encontradas no complexo ainda fumegante. Famílias se reúnem em centros comunitários para ver fotos dos falecidos e pertences pessoais do local.

A tragédia está sendo comparada ao desastre da Grenfell Tower em Londres em 2017, onde mecanismos semelhantes de propagação de fogo através de fachadas de edifícios ceifaram 72 vidas. Ambos os incidentes destacam as consequências catastróficas quando as preocupações de segurança dos moradores são ignoradas e a fiscalização regulatória falha.

Resposta do governo e investigação

As autoridades de Hong Kong anunciaram um período de luto de três dias e lançaram uma investigação abrangente sobre o desastre. O governo anunciou pagamentos de condolências de HK$200.000 para famílias das vítimas e HK$50.000 para famílias afetadas. Doações públicas atingiram HK$500 milhões, complementadas por HK$300 milhões em financiamento governamental.

Enquanto inspeções de segurança estrutural e investigações policiais continuam, o incêndio no Wang Fuk Court serve como um trágico lembrete da importância de levar a sério as preocupações dos moradores e fazer cumprir rigorosos padrões de segurança de edifícios em ambientes urbanos densos.

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