Justiça anula processo de Trump de US$ 10 bi contra WSJ

Juiz federal rejeita em definitivo ação de Trump de US$ 10 bi contra o Wall Street Journal sobre o bilhete de Epstein; aponta falha em provar malícia real.

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Edicao: PT

Um juiz federal em Miami arquivou em definitivo o processo por difamação de US$ 10 bilhões movido pelo presidente Donald Trump contra o The Wall Street Journal e Rupert Murdoch, encerrando a disputa sobre a reportagem a respeito de um suposto bilhete de aniversário de teor sexual enviado ao condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein. O juiz distrital Darrin P. Gayles rejeitou o caso 'com prejuízo' em 31 de outubro de 2026, o que impede novo ajuizamento — mais um revés no confronto cada vez mais agressivo de Trump com grandes veículos de imprensa.

O que a ação sobre a carta de Epstein alegava

A disputa remonta a uma reportagem do Wall Street Journal de julho de 2025, segundo a qual Trump contribuiu com um bilhete obsceno e desenhado à mão para um álbum organizado para o 50º aniversário de Epstein, em 2003. O bilhete, com o nome de Trump e emoldurado pelo contorno desenhado de uma mulher nua, dizia: Parabéns pelo seu aniversário, e que cada dia seja outro belo segredo. Epstein foi condenado em 2008 por solicitação de prostituição de uma adolescente de 14 anos e preso novamente em 2019 sob acusações federais de tráfico sexual, antes de morrer em sua cela em Manhattan.

Trump negou repetidamente ter escrito ou desenhado o bilhete, chamando a reportagem de falsa, maliciosa e difamatória. Após a publicação e a divulgação de uma cópia pelo Comitê de Supervisão da Câmara, ele entrou com a ação em Miami, pedindo US$ 10 bilhões por danos. A ação citava Dow Jones, News Corp, Rupert Murdoch, o CEO Robert Thomson e os repórteres Khadeeja Safdar e Joe Palazzolo. A cronologia da relação entre Jeffrey Epstein e Donald Trump acompanha Trump há anos e se intensificou após a morte de Epstein.

Por que o juiz rejeitou o caso

Gayles decidiu que Trump não atingiu o padrão de 'malícia real' exigido para figuras públicas em casos de difamação: é preciso demonstrar que o veículo publicou informação falsa sabendo disso ou com desprezo temerário pela verdade. Na decisão de 20 páginas, o juiz afirmou que a denúncia emendada 'buscava no vazio' e tentava 'fabricar' falhas na reportagem.

O juiz também observou que o jornal procurou Trump antes da publicação e incluiu sua negação na matéria. O Journal não ignorou nem minimizou a negação do presidente. Ao contrário, informou aos leitores que ele chamou a carta de falsa e negou tê-la escrito, escreveu. O caso já havia sido rejeitado em abril de 2026, permitindo nova apresentação. Esta segunda rejeição, com prejuízo, encerra o processo salvo êxito em recurso. Um porta-voz de Trump disse que ele continuará lutando, e uma fonte indicou que o recurso é provável. A Dow Jones declarou: Estamos satisfeitos com a decisão da corte.

A guerra mais ampla de Trump contra a imprensa

A decisão surge enquanto a Casa Branca amplia sua campanha contra veículos de imprensa. Em setembro de 2026, Trump proibiu CNN, MSNBC e Politico de acessar a Casa Branca, levando-os a processar. Um juiz federal ordenou a readmissão, mas os veículos dizem que a administração continua a bloqueá-los. O processo sobre acesso da imprensa à Casa Branca segue em curso. Trump também entrou em conflito com a BBC e a Associated Press.

Especialistas dizem que a decisão reforça a dificuldade de autoridades públicas vencerem ações de difamação sob o padrão de malícia real. O resultado é uma vitória importante para defensores da liberdade de imprensa, que alertavam para o efeito inibidor de uma ação de US$ 10 bilhões sobre o jornalismo investigativo.

Fatos principais

  • Indenização pedida: US$ 10 bilhões
  • Réus: The Wall Street Journal, Dow Jones, News Corp, Rupert Murdoch, Robert Thomson, Khadeeja Safdar e Joe Palazzolo
  • Juiz: Darrin P. Gayles, Miami
  • Decisão: rejeição com prejuízo em 31 de outubro de 2026
  • Fundamento: falha em provar malícia real

Perguntas frequentes

O que é a carta de aniversário de Epstein?

É um suposto bilhete de 2003 com o nome de Trump em um álbum do 50º aniversário de Epstein, com mensagem sugestiva e o contorno de uma mulher nua. Trump nega tê-lo escrito ou desenhado.

Por que o juiz rejeitou a ação?

Porque Trump não provou malícia real — que o jornal tenha publicado informação falsa de forma consciente ou imprudente. O juiz também destacou que a matéria incluiu a negação dele.

Trump pode reabrir o processo?

Não. A rejeição foi com prejuízo. Os advogados sinalizaram possível recurso.

Quanto ele pedia?

US$ 10 bilhões por danos reputacionais e financeiros.

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