Quinze homens foram condenados no Sri Lanka por envolvimento nos atentados do Domingo de Páscoa de 2019, o ataque terrorista mais mortífero da história da nação insular. Os ataques suicidas coordenados de 21 de abril de 2019 atingiram três igrejas e três hotéis de luxo, matando mais de 260 pessoas, incluindo 42 estrangeiros e três cidadãos neerlandeses, e ferindo outras 500. O veredicto, proferido num tribunal fortemente vigiado em Colombo a 22 de setembro de 2026, traz um encerramento parcial a um caso que expôs profundas falhas de inteligência e políticas.
Contexto: O que aconteceu nos atentados de Páscoa de 2019?
No Domingo de Páscoa de 2019, uma série de atentados suicidas coordenados visou fiéis e turistas. Os atacantes atingiram o Santuário de Santo António, em Colombo, a Igreja de São Sebastião, em Negombo, a Igreja de Sião, em Batticaloa, e os hotéis Shangri-La, Cinnamon Grand e Kingsbury, em Colombo. Os ataques foram reivindicados pelo Estado Islâmico (EI) e atribuídos a dois grupos extremistas islâmicos do Sri Lanka com ligações à rede terrorista. Foi o ataque terrorista mais mortífero do Sri Lanka desde o fim da guerra civil em 2009.
Detalhes do veredicto: condenações e absolvições
O julgamento no Tribunal Superior de Colombo envolveu 24 arguidos e 23.270 acusações, incluindo homicídio, conspiração para cometer terrorismo e posse de armas e explosivos. Catorze homens foram considerados culpados de todas as acusações e um foi parcialmente condenado. Nove suspeitos foram absolvidos. Nenhum dos autores diretos dos ataques suicidas sobreviveu.
| Resultado | Número de arguidos |
|---|---|
| Culpados de todas as acusações | 14 |
| Parcialmente culpados | 1 |
| Absolvidos | 9 |
Que acusações foram apresentadas?
As 23.270 acusações incluem homicídio, conspiração para terrorismo e posse ilegal de armas e explosivos. A leitura da sentença foi adiada para data posterior, segundo o tribunal.
Quem planeou os ataques? Falhas de inteligência expostas
Uma comissão presidencial de inquérito concluiu que as autoridades do Sri Lanka receberam repetidos avisos de serviços de inteligência estrangeiros sobre ataques iminentes, mas ignoraram-nos. 'As autoridades foram avisadas por serviços de inteligência estrangeiros sobre possíveis ataques, mas os avisos foram ignorados', concluiu a comissão. O caso reacendeu a atenção sobre as falhas de inteligência e a responsabilização política no Sri Lanka.
O antigo chefe dos serviços de inteligência Suresh Salley, detido em fevereiro, é acusado de ter arquitetado os ataques. Segundo a AFP, as autoridades acreditam que Salley colaborou com os bombistas para criar o caos, alegadamente para abrir caminho a Gotabaya Rajapaksa na presidência. Rajapaksa assumiu o cargo meses depois, mas demitiu-se em 2022 após protestos massivos. A família política Rajapaksa tem enfrentado acusações de corrupção e nepotismo.
Consequências políticas e impacto
A condenação surge num momento de escrutínio contínuo do aparelho de segurança do Sri Lanka. Em julho, um antigo chefe da polícia e um ex-alto responsável do ministério da Defesa foram condenados à morte por não terem agido perante os avisos. O Sri Lanka não executa ninguém desde 1976, pelo que as penas deverão ser comutadas em prisão perpétua. A investigação dos atentados de Páscoa continua a ser um caso marcante para a justiça de transição no Sul da Ásia.
O ataque foi o ato de terrorismo mais mortífero da história do país e gerou críticas generalizadas à administração do então presidente Maithripala Sirisena. O governo neerlandês apresentou condolências, pois três neerlandeses estavam entre as vítimas. As famílias das vítimas exigem há muito responsabilização, e este veredicto é visto como uma vitória parcial.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas morreram nos atentados de Páscoa do Sri Lanka?
Mais de 260 pessoas morreram, incluindo 42 estrangeiros e três neerlandeses. Cerca de 500 ficaram feridas.
Quem foi responsável pelos atentados de 2019?
Foram reivindicados pelo Estado Islâmico e ligados a dois grupos extremistas islâmicos, National Thowheeth Jama'ath e Jammiyathul Millathu Ibrahim.
Quantos homens foram condenados no julgamento?
Quinze: 14 culpados de todas as acusações e 1 parcialmente culpado. Nove arguidos foram absolvidos.
Qual é a situação de Suresh Salley?
O antigo chefe dos serviços de inteligência foi detido em fevereiro e é acusado de planear os ataques, alegadamente em colaboração com os bombistas.
Os condenados enfrentarão a pena de morte?
O Sri Lanka não executa ninguém desde 1976, pelo que as penas de morte são normalmente comutadas em prisão perpétua. A sentença será anunciada em data posterior.
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