Ex-integrante da Facção do Exército Vermelho Daniela Klette condenada por roubos entre 1999 e 2016
Daniela Klette, de 67 anos, ex-integrante do grupo militante de extrema-esquerda Facção do Exército Vermelho (RAF), foi condenada a 13 anos de prisão por um tribunal alemão em Verden em 27 de maio de 2026. O tribunal a considerou culpada de múltiplos roubos, violações da lei de armas e outros crimes cometidos entre 1999 e 2016, enquanto vivia clandestinamente sob identidade falsa. A acusação havia pedido 15 anos de prisão.
A sentença marca um marco significativo na busca de décadas da Alemanha por ex-membros da RAF que escaparam da captura após a dissolução do grupo em 1998. Klette foi presa em fevereiro de 2024 em Berlim após uma denúncia pública, encerrando um período foragido de quase três décadas.
Antecedentes: A RAF e sua Terceira Geração
A Facção do Exército Vermelho (RAF), também conhecida como Grupo Baader-Meinhof, foi uma organização militante de extrema-esquerda da Alemanha Ocidental ativa de 1970 a 1998, responsável por 34 mortes. O grupo evoluiu através de três gerações. A terceira geração da RAF, ativa nos anos 1980 e 1990, incluía Klette, Ernst-Volker Staub e Burkhard Garweg. Em 20 de abril de 1998, a RAF anunciou sua dissolução, mas Klette e seus cúmplices continuaram operando.
Os Crimes: Do Terrorismo à Criminalidade Comum
Roubos para financiar a vida na clandestinidade
Após a dissolução da RAF, Klette, Staub e Garweg — apelidados de 'aposentados da RAF' pela imprensa alemã — cometeram uma série de roubos armados a transportes de valores e supermercados. O tribunal em Verden considerou Klette culpada de participar de pelo menos seis grandes roubos, incluindo um assalto a veículo blindado em Duisburg em 1999 (DM 1 milhão), um roubo em Bochum-Wattenscheid em 27 de dezembro de 2006 e um ataque a transporte de valores perto de Bremen em 6 de junho de 2015. Durante esses crimes, o trio usou armas de fogo, mas sem fatalidades. A acusação de tentativa de homicídio foi descartada por falta de provas. Um caso separado sobre o suposto envolvimento de Klette em um ataque de sniper à embaixada dos EUA em Bonn em 1991 ainda está pendente.
Prisão e Julgamento: Como Klette Foi Finalmente Capturada
Durante anos, Klette viveu abertamente no bairro de Kreuzberg, em Berlim, sob o nome falso italiano 'Claudia Ivone', mantendo uma conta pública no Facebook. Em novembro de 2023, uma denúncia cidadã levou a polícia até ela. Em 26 de fevereiro de 2024, a polícia do estado da Baixa Saxônia a prendeu sem resistência. Uma busca em seu apartamento revelou armas, munições, documentos falsos, ouro e € 240.000 em dinheiro. O julgamento começou em 25 de março de 2025 em Celle e depois foi transferido para Verden. Klette não comentou as acusações. A sentença de 13 anos foi abaixo dos 15 anos pedidos pela acusação. O caso chamou a atenção para a manejo da Alemanha de ex-membros da RAF, com alguns argumentando que a prescrição impediu a acusação por seus atos terroristas anteriores.
Ainda Foragidos: Staub e Garweg Continuam a Ser Procurados
Os cúmplices de Klette, Ernst-Volker Staub (71) e Burkhard Garweg (57), permanecem foragidos. As autoridades alemãs oferecem uma recompensa de € 150.000 por informações que levem à sua captura. A busca contínua por fugitivos da RAF destaca os desafios da aplicação da lei alemã para encerrar o último capítulo de um dos grupos terroristas mais notórios do país.
Impacto e Implicações
A condenação de Daniela Klette é um marco na história jurídica alemã, demonstrando que crimes antigos podem ser processados. No entanto, o caso levanta questões sobre a eficácia dos sistemas de proteção a testemunhas e compartilhamento de inteligência, já que Klette viveu despercebida por quase 30 anos na capital. Para as vítimas dos roubos, a sentença traz alguma justiça. 'Depois de tantos anos, finalmente temos um veredito. Não desfaz o medo, mas mostra que o estado ainda pode responsabilizar as pessoas', disse um porta-voz da associação de vítimas. O veredito pode também provocar novos apelos por reformas nas leis de prescrição para crimes graves, especialmente os ligados ao terrorismo.
Perguntas Frequentes
Pelo que Daniela Klette foi condenada?
Ela foi condenada por múltiplos roubos armados e violações da lei de armas cometidos entre 1999 e 2016.
Por que ela não foi julgada por terrorismo da RAF?
A prescrição impediu a acusação por seu suposto envolvimento em ataques da RAF nos anos 1990. Um caso separado para um ataque de sniper em 1991 está pendente.
Staub e Garweg ainda são procurados?
Sim, eles permanecem foragidos e há uma recompensa de € 150.000.
Como Klette foi pega após 30 anos?
Ela foi presa em Berlim em fevereiro de 2024 após uma denúncia pública. Vivia sob nome falso italiano e usava redes sociais.
O que era a Facção do Exército Vermelho?
A RAF foi um grupo militante de extrema-esquerda ativo de 1970 a 1998, responsável por 34 mortes. Dissolveu-se formalmente em 1998.
Fontes
- Wikipedia: Daniela Klette
- Wikipedia: Red Army Faction
- NOS News report, 27 de maio de 2026
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