O Conselho Constitucional da França derrubou a proibição nacional de redes sociais para menores de 15 anos, considerando a lei uma violação desproporcional da liberdade de expressão e da privacidade. A decisão, anunciada em 14 de agosto de 2026, bloqueia uma política emblemática do presidente Emmanuel Macron, que teria sido a primeira do tipo na Europa. O Parlamento aprovou o projeto em 21 de julho por 279 votos a 81, e a proibição deveria entrar em vigor em 1º de setembro.
O que decidiu o Conselho Constitucional?
O Conselho afirmou que a medida constitui uma restrição que não é adequada, necessária ou proporcional à liberdade de expressão de menores de 15 anos. Embora tenha reconhecido que menores precisam de proteção, considerou que o governo não conseguiu estabelecer riscos específicos à segurança e à saúde das crianças em plataformas como TikTok e Instagram. A lei teria proibido a criação de novas contas para menores de 15 anos a partir de 1º de setembro e exigido que as plataformas encerrassem contas existentes até janeiro de 2027. Mas o Conselho observou que a proibição ignorava a idade, a maturidade e as situações familiares das crianças, e não dava poder discricionário aos pais. A decisão resultou de uma revisão constitucional provocada por parlamentares de esquerda da França Insubmissa (LFI).
Por que a proibição foi derrubada?
Liberdade de expressão e comunicação
O Conselho decidiu que a proibição geral constitui uma violação desproporcional da liberdade de expressão e comunicação, conforme relatado pelo Le Monde. Disse que a lei não levava em conta circunstâncias individuais ou riscos específicos da plataforma, tornando-a ampla demais para passar no escrutínio constitucional.
Privacidade e verificação de idade
O tribunal também considerou que a proibição violava o direito à privacidade. Para aplicar o bloqueio a menores de 15 anos, todos — inclusive adultos — precisariam comprovar a idade antes de acessar aplicativos. A lei proposta não especificava em que condições ocorreria a verificação de idade, levantando preocupações sobre verificações de identidade em massa e coleta de dados. Isso ecoa debates mais amplos em torno das leis de verificação de idade em redes sociais e seu impacto sobre os direitos digitais.
O que acontece agora para Macron e a França?
O presidente Macron pediu ao primeiro-ministro Sébastien Lecornu que reformule a legislação o mais rápido possível, visando à implementação antes da eleição presidencial da primavera de 2027. O Palácio do Eliseu disse que Macron continua determinado a aprovar uma versão juridicamente sólida. A decisão é um revés para uma política que Macron havia chamado de grande passo adiante. Especialistas jurídicos sugerem que uma lei revisada precisará incluir salvaguardas matizadas de verificação de idade e respeitar a autoridade parental.
Pressão global por limites de idade nas redes sociais
A decisão da França ocorre em meio a uma onda mundial de restrições de idade. A proibição para menores de 16 anos na Austrália entrou em vigor em 10 de dezembro de 2025, e o Brasil tem regra semelhante para menores de 16 anos. A Grã-Bretanha prepara uma proibição para menores de 16 anos, enquanto Indonésia, Malásia e Grécia introduziram limites. A UE também avalia proteções infantis da Lei dos Serviços Digitais e propôs acesso faseado e adequado à idade às plataformas.
| País | Idade mínima | Status |
|---|---|---|
| Austrália | 16 | Em vigor desde dez 2025 |
| Brasil | 16 | Em vigor |
| França | 15 (proposta) | Derrubada por tribunal |
| Reino Unido | 16 (proposta) | Em preparação |
| Recomendação da UE | 13 (proposta) | Em discussão |
Críticos argumentam que proibições gerais são instrumentos contundentes e podem ser contornadas com VPNs. Semelhante ao debate em torno da proibição de redes sociais para menores de 16 anos na Austrália, grupos de direitos civis alertaram que a verificação de idade normaliza a vigilância e restringe a fala anônima.
Perguntas Frequentes
Por que a França rejeitou a proibição das redes sociais?
O Conselho Constitucional da França considerou a proibição para menores de 15 anos desproporcional, infringiu a liberdade de expressão e comunicação e violou a privacidade, pois exigiria verificação universal de idade.
Qual era a idade da proibição francesa às redes sociais?
A lei teria proibido menores de 15 anos de criar contas em redes sociais, com contas existentes encerradas a partir de janeiro de 2027.
Quando a França tentará novamente?
Macron instruiu o primeiro-ministro a redigir uma versão juridicamente sólida, visando implementar uma proibição antes da primavera de 2027.
Quais países já proíbem redes sociais para menores?
A Austrália proíbe redes sociais para menores de 16 anos (em vigor desde dezembro de 2025), e o Brasil tem restrição semelhante. Vários outros países preparam leis.
A decisão afeta a proibição de celulares nas escolas?
Não, o Conselho não decidiu sobre uma disposição separada que proíbe telefones celulares em escolas de ensino médio.
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