VARSÓVIA — O mais alto comandante militar da OTAN na Europa, general Alexus Grynkewich, apresentou a 12 de outubro de 2026, durante o Fórum de Segurança de Varsóvia, a sua 'teoria da vitória'. Queria tranquilizar os mil milhões de cidadãos da aliança de que um ataque russo seria 'absolutamente inútil'. Ainda assim, a dúvida sobre o envolvimento de Washington na OTAN continuou a ser o tema dominante nos corredores.
O que é a 'teoria da vitória' de Grynkewich?
O general de quatro estrelas da Força Aérea dos EUA descreveu uma estratégia militar em três fases — bloquear, embotar e quebrar — para dissuadir e, se necessário, derrotar qualquer ataque ao território da OTAN. As tropas da aliança parariam uma invasão no ponto de ataque, assumiriam os domínios aéreo, marítimo, espacial e cibernético e depois desmantelariam a logística, as comunicações e os sistemas de comando do adversário. 'Temos isto', disse Grynkewich. 'E vamos vencer.'
O discurso pretendia tranquilizar a população de todos os Estados-membros, em pleno contexto de acusações de sabotagem, incursões de drones e ciberataques. A Rússia não foi nomeada, mas o alvo era claro para todos na sala.
A dúvida sobre o papel dos EUA persiste
A questão que muitos colocavam: virão os Estados Unidos realmente ajudar a Europa? O ceticismo foi alimentado pelas recentes ações do presidente Donald Trump, incluindo um acordo sobre diesel com o presidente russo Vladimir Putin, dias antes da cimeira.
'A dúvida dentro da aliança — estarão mesmo os americanos connosco? — não foi eliminada', disse Bob Deen, do Instituto Clingendael. 'Este general é um profissional militar, mas no fim segue as ordens políticas do governo americano.'
Questionado se soldados americanos combateriam em caso de ataque russo, Grynkewich respondeu que se trata de uma decisão política, mas que a dúvida era desnecessária: 'Eu estou aqui, não estou?'
Artigo 5 e a política de tranquilização
Grynkewich reafirmou o Artigo 5 — um ataque a um é um ataque a todos — mas especialistas lembram que o verdadeiro teste é a vontade política. O antigo comandante das forças armadas Rob Bauer disse que a mensagem foi: 'Defendemos o Artigo 5. Vamos até ao fim se for preciso.' Ainda assim, avisou contra o foco excessivo na credibilidade: 'A quem ajudamos com essa pergunta?' A sua resposta: a Putin.
A ministra da Defesa demissionária, Dilan Yeşilgöz-Zegerius, considerou o discurso forte e claro. Reconheceu que 'às vezes acontecem coisas que parecem colidir', mas apontou o apelo do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky para poupar a infraestrutura energética ucraniana no acordo do diesel.
A estratégia de defesa da UE torna-se cada vez mais central nestes debates, enquanto os aliados europeus ponderam maior autonomia. O acordo de diesel EUA-Rússia levanta novas questões sobre a relação de segurança transatlântica num momento crucial.
Como Moscovo provavelmente lê o discurso
Em Moscovo, o discurso será quase certamente visto como agressivo, dizem analistas. Bauer espera que os responsáveis russos se concentrem no anúncio de que os inimigos serão duramente combatidos. 'Usarão isso internamente para mobilizar para a guerra na Ucrânia', disse, apontando as dificuldades russas de recrutamento.
Deen acredita que Putin observa atentamente. 'A sua principal questão é: é tudo verdade? A unidade da aliança é mesmo tão forte? Vai continuar a testá-la nos próximos meses.'
FAQ: A teoria da vitória da OTAN e o papel dos EUA
O que é a 'teoria da vitória'?
Uma estratégia militar em três fases — bloquear, embotar e quebrar — do general SACEUR Alexus Grynkewich.
Grynkewich tranquilizou a OTAN?
Queria tranquilizar mil milhões de cidadãos, mas políticos e especialistas dizem que a dúvida sobre o compromisso dos EUA persiste, sobretudo após o acordo de Trump com a Rússia.
Os EUA ainda apoiam o Artigo 5?
Grynkewich reafirmou o Artigo 5, mas admitiu que o envio de tropas americanas é, em última análise, uma decisão política.
Como reage a Rússia?
Analistas esperam que Moscovo retrate o discurso como agressivo e o use para mobilização interna, continuando a testar a unidade da aliança.
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