Mineração em Mar Profundo 2026: Minerais Críticos

ISA falha em fechar o Código de Mineração em março de 2026 enquanto a NOAA avança licenças e fusão de US$ 1 bi reconfigura a corrida por minerais críticos.

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Edicao: PT

A corrida para minerar o leito marinho do Pacífico entrou em fase crítica em março de 2026, quando a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) voltou a falhar na adoção de um Código de Mineração definitivo, enquanto Washington avançava com licenças comerciais unilaterais. A mineração em mar profundo deixou de ser um debate ambiental de nicho para se tornar um ponto de tensão estratégico por níquel, cobalto, manganês e terras raras usados em data centers de IA, veículos elétricos e defesa.

O Que É Mineração em Mar Profundo?

A mineração em mar profundo extrai nódulos polimetálicos, crostas ricas em cobalto e sulfetos maciços a 4.000–6.000 metros de profundidade. A Zona Clarion-Clipperton contém mais de 21 bilhões de toneladas de nódulos, com níquel, cobre, cobalto e manganês somando cerca de 30% do peso, segundo a ISA. Defensores dizem que esses depósitos podem quebrar o quase monopólio chinês no processamento; críticos alertam para danos irreversíveis a ecossistemas pouco explorados.

Por Que Março de 2026 Mudou a Corrida

A 31ª sessão do Conselho da ISA, de 9 a 19 de março de 2026 em Kingston, Jamaica, terminou sem consenso sobre regulamentos de exploração. Negociadores avançaram anexos pela primeira vez em dois anos, mas seguiam divididos sobre metas ambientais, responsabilidade das empresas-mãe e royalties, segundo a Ocean Vision Legal. Um texto revisado é esperado antes de julho de 2026, mas o atraso empurrou contratantes para regimes nacionais, num vácuo institucional que cruza com tensões de governança oceânica internacional.

O Avanço Unilateral dos EUA: NOAA e a Lei DSHMRA

Fora da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, os EUA aceleraram seu caminho pela Lei DSHMRA. Em janeiro de 2026, a NOAA emitiu regra final consolidando pedidos de licença, após ordem executiva de Trump de abril de 2025. A NOAA considerou o pedido da The Metals Company USA LLC 'substancialmente compatível', cobrindo cerca de 65.000 km² na Zona Clarion-Clipperton, segundo a NOAA. 'Esta regra moderniza a lei e fortalece a resiliência econômica', disse o administrador Neil Jacobs. A medida alinha-se à estratégia americana de minerais críticos para reduzir a dependência do refino chinês.

A Onda de Fusões de US$ 1 Bilhão e o Estrangulamento Chinês

Em 8 de abril de 2026, a American Ocean Minerals e a Odyssey Marine Exploration anunciaram fusão criando uma plataforma de minerais críticos de cerca de US$ 1 bilhão controlada pelos EUA. A empresa, negociada na Nasdaq como 'AOMC', visa mais de 500.000 km², liderada pelo ex-CEO da Rio Tinto, Tom Albanese, segundo a Business Wire. Investidores que acompanham ações de mineração em mar profundo veem a aposta de que governos ocidentais tolerarão extração comercial antes do Código da ISA.

A China controla quase 90% do processamento de terras raras e mais de 75% do refino de cobalto. Data centers de IA podem consumir quase 1.000 TWh até 2026, exigindo 27 a 33 toneladas de cobre por megawatt, enquanto os EUA dependem 100% de importações de grafita, gálio e manganês, segundo a Informed Clearly. Nódulos marinhos são vistos como resposta ocidental a esse gargalo.

Oposição Ambiental e a Pausa Preventiva

Coalizões como a Deep Sea Conservation Coalition e a campanha Pause Deep-Sea Mining, apoiada por 77 empresas, exigem moratória até haver dados de base e padrões ambientais. Citam o princípio precautório do Artigo 145 da UNCLOS e alertam que plumas de sedimento e ruído podem causar perda de biodiversidade marinha em vastas planícies abissais. Ativistas dizem que licenças nacionais contornam o processo multilateral e minam o Acordo BBNJ, em vigor desde 17 de janeiro de 2026.

FAQ: Mineração em Mar Profundo em 2026

O que aconteceu na reunião da ISA em março de 2026?

O Conselho não finalizou o Código de Mineração, avançando anexos mas deixando pendentes responsabilidade, royalties e padrões ambientais. Texto revisado é esperado antes de julho de 2026.

Por que os EUA emitem licenças sem a ISA?

Os EUA não são parte da UNCLOS e usam a Lei DSHMRA de 1980, com a NOAA acelerando licenças sob ordem executiva de 2025 para garantir minerais críticos.

Quais empresas lideram em 2026?

The Metals Company, American Ocean Minerals, Odyssey Marine Exploration e Lockheed Martin. A fusão AOMC-Odyssey criou plataforma de US$ 1 bilhão em abril de 2026.

Quais minerais são visados?

Nódulos polimetálicos com níquel, cobalto, cobre, manganês e terras raras, críticos para baterias de VE, cobre de data centers e defesa.

Quais as principais preocupações ambientais?

Plumas de sedimento, ruído e destruição de habitat em planícies abissais podem causar perda irreversível de biodiversidade.

Conclusão: Encruzilhada Regulatória e Estratégica

A mineração em mar profundo em 2026 está na interseção entre transição energética, cadeias de suprimento tecnológicas e governança ambiental. O fracasso da ISA e o avanço unilateral de Washington criaram um regime de duas vias, enquanto fusões bilionárias sinalizam confiança dos investidores. Se regras multilaterais ou licenças nacionais prevalecerão definirá o futuro do leito oceânico — e dos minerais críticos que movem a economia global.

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