A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) descobriu várias toneladas de material nuclear na Síria, fornecendo a evidência mais clara até agora do programa atômico secreto do ex-presidente Bashar al-Assad. Em 18 de agosto de 2026, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, confirmou que os inspetores encontraram várias toneladas de urânio natural em um local não especificado nos arredores de Damasco, material que, segundo ele, poderia ser usado para fins malignos.
Contexto: o programa nuclear secreto de Assad e o ataque de 2007
Por quase duas décadas, o ataque ao reator de Al Kibar permaneceu um dos capítulos mais bem guardados da história de armas da Síria. O complexo de Deir el-Zour, também conhecido como Al Kibar, era um reator nuclear supostamente construído com assistência norte-coreana. Em 6 de setembro de 2007, aviões israelenses destruíram a instalação na Operação Fora da Caixa. O regime de Assad negou que o local fosse um reator e recusou acesso da AIEA aos escombros, atrasando a verificação internacional por 17 anos.
O que os inspetores da AIEA encontraram na Síria
A visita de Grossi marca um ponto de virada. Sob o novo presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, os inspetores tiveram acesso a três locais suspeitos. As principais descobertas incluem:
- Várias toneladas de urânio natural em um local nos arredores de Damasco
- Vestígios de urânio em um dos três locais amostrados ligados ao antigo reator
- Grandes quantidades de grafite em uma instalação de armazenamento, material usado no enriquecimento de urânio
Resumo das descobertas
| Material | Local | Significado |
|---|---|---|
| Urânio natural (várias toneladas) | Nos arredores de Damasco | Pode ser enriquecido para combustível ou armas |
| Vestígios de urânio | Um dos três locais amostrados | Liga o local a atividades nucleares |
| Grafite (grandes quantidades) | Instalação de armazenamento | Usado em reatores de enriquecimento de urânio |
Por que urânio natural e grafite importam
Urânio natural pode ser enriquecido para combustível ou armas, enquanto o grafite modera reações nucleares em certos projetos de reatores. A comunidade de não proliferação nuclear há muito alerta que estoques não protegidos podem ser contrabandeados ou usados para construir uma bomba suja. O ministro das Relações Exteriores sírio, Asaad Hassan al-Shaibani, disse que o material encontrado foi testado e considerado inofensivo, mas a AIEA agora irá proteger e monitorar o estoque.
Por que a Síria está cooperando com a AIEA agora
A queda do regime de Assad em dezembro de 2024 abriu a porta para inspeções que eram impossíveis por anos. Shaibani e Grossi realizaram uma entrevista coletiva conjunta em Damasco, onde o ministro reiterou a ambição da Síria de usar energia nuclear para fins pacíficos. Este é um passo importante na cooperação entre as autoridades sírias e a AIEA, disseram ambos. As inspeções nucleares na Síria estão sendo conduzidas em parceria com o governo atual, com vários locais sendo escavados.
Impacto e implicações para a segurança regional
A descoberta resolve um mistério antigo, mas levanta novas questões sobre quanto material permanece desaparecido. Autoridades israelenses já expressaram suspeita de que autoridades sírias possam tentar acessar material no Sítio 99, possivelmente com assistência turca. O acesso irrestrito da AIEA, confirmado seis meses após a queda de Assad, deve reduzir os riscos de contrabando nuclear e esclarecer o alcance total do programa de material nuclear da era Assad.
Perguntas frequentes
Que material nuclear a AIEA encontrou na Síria?
Os inspetores encontraram várias toneladas de urânio natural nos arredores de Damasco, vestígios de urânio em um dos três locais amostrados e grandes quantidades de grafite ligadas ao reator de Deir el-Zour.
Por que o reator de Deir el-Zour foi destruído?
Israel bombardeou o reator de Al Kibar em setembro de 2007 porque a inteligência indicava que era uma instalação nuclear secreta com finalidade militar, construída com ajuda norte-coreana.
Por que a AIEA não inspecionou esses locais antes?
O regime de Assad negou acesso à AIEA por 17 anos. Após a queda de Assad em dezembro de 2024, o novo governo sírio sob Ahmed al-Sharaa concedeu acesso aos inspetores.
O material nuclear encontrado é perigoso?
O ministro das Relações Exteriores sírio, Shaibani, disse que o material foi testado e considerado inofensivo. A AIEA ainda irá proteger e monitorar o estoque de urânio natural.
A Síria quer armas nucleares?
Autoridades sírias dizem que querem energia nuclear apenas para fins pacíficos. A AIEA agora trabalha com Damasco para verificar que não restam atividades nucleares não declaradas.
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