Os protestos escolares na França deixaram pelo menos 119 feridos e 625 detidos, segundo as autoridades francesas, enquanto estudantes bloqueiam escolas em todo o país contra a falta de professores e a degradação das instalações. As manifestações, que começaram na semana passada na região de Paris, espalharam-se para Saint-Denis, Lyon, Lille e outras cidades, com mais protestos previstos enquanto o governo apresenta o orçamento de 2027.
O que provocou os protestos escolares?
Os alunos exigem mais recursos, substituição de professores ausentes, turmas menores e edifícios renovados. No Liceu Paul-Eluard, em Saint-Denis, as paredes estão a cair, as cadeiras quebradas e há ratos nos corredores. Algumas aulas acontecem em edifícios temporários, gelados no inverno e abafados no verão. A agitação reacendeu o debate sobre o subfinanciamento do sistema educativo francês e as desigualdades entre escolas.
Como os protestos se alastraram pelo país?
O movimento começou quando estudantes bloquearam entradas de escolas na região de Paris. Na quarta-feira, as manifestações já atingiam mais de 300 escolas e cerca de 30 universidades. A violência aumentou: contentores e um carro de bombeiros foram incendiados em Marselha, houve fogos em Nantes e Estrasburgo, e um diretor de escola foi regado com gasolina. O ministro do Interior, Laurent Nunez, disse que 625 pessoas foram detidas na quarta-feira, após mais de 440 no dia anterior; a maioria são menores. Foram também registados sete incidentes com ácido clorídrico lançado contra agentes. O ministro da Educação, Edouard Geffray, afirmou que 119 pessoas ficaram feridas desde o início dos protestos, incluindo alunos, diretores e professores. A escalada reflecte protestos liderados por jovens na Europa sobre o financiamento da educação.
Resposta do governo e consequências políticas
O governo condenou a violência mas reconheceu que os problemas das escolas têm de ser resolvidos. O Presidente Emmanuel Macron criticou os bloqueios e os incêndios, enquanto o primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma reunião de crise. Políticos da esquerda radical A França Insubmissa juntaram-se às manifestações; outros responsáveis acusam o partido de alimentar a revolta. O líder do LFI, Jean-Luc Mélenchon, considerou a violência policial "inaceitável" e "desproporcionada". Com o governo a apresentar um orçamento para 2027 com cortes previstos, as greves no setor público francês aumentam a pressão sobre Paris.
O que dizem alunos e professores
"Queremos ser ouvidos, porque somos a geração de amanhã", disse Jannah, 16 anos. "Temos direito a uma boa educação. O mínimo que podemos esperar é trabalhar em condições tão normais quanto possível. Mas não é o caso aqui."
A professora de filosofia Julie Morriset afirmou: "Todos os dias há detenções e violência policial. Temos alunos atingidos por gás lacrimogéneo, espancados e detidos com violência. Falamos de jovens de 15, 16 e 17 anos tratados como escumalha. Não achamos isso aceitável."
Asia, 14 anos, acrescentou: "Acho ridículo e escandaloso que a polícia atue contra jovens entre os 14 e os 18 anos. Somos menores, estamos aqui apenas para falar dos nossos direitos." Professores em Saint-Denis formaram uma corrente humana entre alunos e polícia para os proteger.
FAQ: Protestos escolares na França
Porque protestam os estudantes franceses?
Contra a falta de professores, turmas sobrelotadas, edifícios degradados e cortes orçamentais previstos.
Quantos feridos há?
O ministro da Educação, Edouard Geffray, reportou 119 feridos, incluindo alunos, diretores e professores.
Quantos detidos?
Laurent Nunez disse que 625 pessoas foram detidas na quarta-feira, após mais de 440 no dia anterior; a maioria são menores.
Que cidades são afetadas?
Os protestos espalharam-se da região de Paris a Saint-Denis, Lyon, Lille, Marselha, Nantes, Bordéus, Rennes e Estrasburgo.
Qual é a resposta do governo?
O governo condenou a violência mas reconheceu que os problemas das escolas devem ser resolvidos; apresenta um orçamento para 2027 com cortes previstos.
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