Mais de 400 escolas francesas fecharam nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, enquanto protestos estudantis em todo o país contra a falta de professores, salas superlotadas e prédios deteriorados entravam na segunda semana. Os fechamentos marcam uma das maiores paralisações do ensino secundário na França em anos, com milhares de estudantes e professores marchando de Paris a Marselha e Lille.
O que está por trás dos fechamentos?
O que começou como bloqueio em algumas escolas da região de Paris virou um movimento nacional. Os alunos citam três queixas principais: a crise de falta de professores na França, turmas superlotadas e anos de manutenção adiada. Até sexta-feira, cerca de uma em cada dez das 3.700 escolas secundárias francesas estava fechada, segundo o ministério da Educação. Os alunos foram orientados a acompanhar as aulas online.
As três exigências dos protestos
- Falta de professores: escolas relatam ausências crônicas e vagas não preenchidas.
- Turmas superlotadas: alunos dizem que as turmas cresceram demais para um aprendizado significativo.
- Prédios deteriorados: anos de subfinanciamento deixaram aquecimento, telhados e instalações sanitárias em péssimo estado.
Quão violentos ficaram os protestos?
A maioria das manifestações é pacífica, mas as autoridades dizem que a desordem aumentou. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que 1.949 pessoas foram presas na quinta-feira e 625 no dia anterior; cerca de 2.000 pessoas — a maioria adolescentes — foram detidas desde o início do movimento. Ao menos 300 policiais ficaram feridos e duas escolas foram incendiadas. O Le Parisien relatou que o saguão de uma escola em Nantes foi destruído, e em Marselha um diretor teve combustível jogado sobre ele.
“As manifestações se transformaram em perturbação da ordem pública. Se as pessoas atacam ônibus e incendeiam escolas, não se pode mais falar de protesto.” — Gérald Darmanin
Culpa política: LFI e Mélenchon sob pressão
Políticos de direita acusam o partido de esquerda radical La France insoumise (LFI) de alimentar o movimento. Jean-Luc Mélenchon defendeu os estudantes e condenou a violência policial “desproporcional”. Uma pesquisa do Le Monde sugere que 41–45% dos jovens de 18 a 24 anos apoiariam Mélenchon no primeiro turno da eleição presidencial de 2027.
Resposta do governo e custo financeiro
O primeiro-ministro Lecornu convocou uma reunião de emergência, e o ministro da Educação, Edouard Geffray, pediu calma. Na região de Auvergne-Rhône-Alpes, as autoridades estimam os danos em €25–30 milhões. “Esse valor não poderá mais ser gasto na reforma das escolas secundárias”, disse o conselho regional. A agitação também chegou à Bélgica, onde escolas em Liège fecharam. A Anistia Internacional alertou contra o uso excessivo da força policial, enquanto os cortes no orçamento da educação francesa seguem como ponto de tensão.
FAQ: fechamentos e protestos na França
Quantas escolas francesas estão fechadas?
Mais de 400 escolas secundárias — cerca de uma em cada dez — fecharam em 2 de outubro de 2026, embora alguns relatos citem mais de 560 escolas afetadas.
Por que os estudantes protestam?
Contra a falta de professores, turmas superlotadas e prédios escolares mal conservados.
Os protestos são violentos?
A maioria é pacífica, mas as autoridades relatam incêndios, confrontos, cerca de 2.000 prisões e ao menos 300 policiais feridos.
Qual é o papel de Jean-Luc Mélenchon?
Mélenchon e seu partido LFI apoiam os estudantes e criticam a violência policial; a direita acusa o LFI de incitar a desordem.
Qual é o custo dos danos?
A região de Auvergne-Rhône-Alpes estima €25–30 milhões em danos, dinheiro que financiaria reformas escolares.
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