A corrida por minerais críticos define o confronto geoestratégico de 2026. A China controla 90% do processamento de terras raras e 60% do lítio e cobalto refinados, usando controles de exportação para elevar preços e reduzir aprovações de licenciamento europeias. Com o Fórum Econômico Mundial classificando o confronto geoeconômico como principal risco global, EUA e UE correm para diversificar cadeias de suprimentos de minerais críticos antes que a vulnerabilidade se torne permanente.
Estrangulamento de Processamento da China
A vantagem de Pequim está na capacidade de processamento, com US$ 57 bilhões investidos desde 2000, contra US$ 2 bilhões do Ocidente. O 15º Plano Quinquenal expande isso, e os controles de exportação agora cobrem 12 dos 17 elementos de terras raras e tecnologias de processamento.
As consequências incluem a interrupção da produção do Ford Explorer em 2025 por falta de ímãs de neodímio. O disprósio atingiu US$ 1.125/kg, revelando um mercado dual baseado em alinhamento político. O domínio do processamento de terras raras é a principal arma de coerção econômica da China.
FORGE e Projeto Vault: A Resposta dos EUA
Em fevereiro de 2026, os EUA lançaram o FORGE, coalizão de 54 países, substituindo a Parceria de Segurança Mineral. O FORGE cria uma zona de comércio preferencial com pisos de preços e tarifas ajustáveis. Em cinco meses, 21 acordos bilaterais foram assinados com parceiros como Argentina e Marrocos.
Os EUA mobilizaram mais de US$ 30 bilhões, com o Projeto Vault de US$ 10 bilhões para uma Reserva Estratégica. Apesar disso, ainda importam 90% de terras raras da China, e a coordenação plurilateral ainda não é suficiente. A estratégia de minerais críticos dos EUA permanece incompleta.
Planos Europeus e Financiamento Incerto
A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE designa 60 Projetos Estratégicos com metas de 10% de extração, 40% de processamento e 25% de reciclagem até 2030. O Plano ReSourceEU aloca €3 bilhões para 2026.
Mas a UE precisa de mais de €100 bilhões até 2030; apenas cinco projetos estão financiados. A dependência de cadeias chinesas afeta 80% das empresas europeias. A transição verde europeia depende de resolver essa lacuna de financiamento rapidamente.
Janela de 12–18 Meses: Três Caminhos
As nações ocidentais têm uma janela cada vez mais estreita de 12 a 18 meses. A suspensão dos controles chineses expira em novembro de 2026. Se retomados, picos de preços ameaçam US$ 6,5 trilhões em atividade econômica global.
Três caminhos: dependência gerenciada com estoques; independência custosa com investimento maciço; e um modelo híbrido combinando estoques, reciclagem e diversificação. Especialistas favorecem o híbrido, com resultados em 3 a 5 anos, enquanto a diversificação da cadeia de suprimentos total é de longo prazo. Os estoques estratégicos são essenciais.
Perguntas Frequentes
Por que a China controla tanto o processamento de terras raras?
A China investiu US$ 57 bilhões desde 2000, contra US$ 2 bilhões do Ocidente, aproveitando padrões ambientais mais baixos.
O que é o FORGE e como funciona?
Lançado em 2026, o FORGE é uma coalizão de 54 países com zona de comércio preferencial, pisos de preços e tarifas ajustáveis contra a manipulação de mercado.
O Ocidente pode construir cadeias de suprimentos independentes de terras raras?
Tecnicamente sim, mas levaria 20-30 anos e custaria centenas de bilhões. A estratégia realista é um modelo híbrido com estoques e reciclagem.
O que acontece se a China impuser restrições totais à exportação?
Preços podem multiplicar por seis, afetando veículos elétricos, defesa e eletrônicos. O FEM estima US$ 6,5 trilhões em risco.
Perspectivas: Cooperação ou Confronto?
A corrida mineral é a base da geoeconomia do século XXI. Os próximos 12 meses determinarão se FORGE e ReSourceEU serão contrapesos efetivos ou chegarão tarde demais. A trégua de Busan expira em novembro. O tempo está se esgotando.
Follow Discussion