Nobel JM Coetzee Recusa Convite do Festival de Escritores de Jerusalém
O escritor sul-africano ganhador do Nobel, J.M. Coetzee, recusou publicamente um convite para o Festival Internacional de Escritores de Jerusalém de 2026, classificando a campanha militar de Israel em Gaza como 'genocida' e 'vastamente desproporcional' aos ataques de 7 de outubro de 2023. Na carta à diretora do festival, Julia Fermentto-Tzaisler, Coetzee explicou sua decisão. A recusa tem peso simbólico, pois ele já se considerava apoiador de Israel e recebeu o Prêmio Jerusalém em 1987. O boicote cultural a Israel ganhou força, com Coetzee se juntando a outros intelectuais que se distanciam de instituições israelenses.
Carta de Coetzee: Campanha Genocida e Responsabilidade Compartilhada
Coetzee escreveu que as ações de Israel são 'vastamente desproporcionais' e contam com 'apoio entusiástico' da população israelense. Argumentou que nenhum setor da sociedade israelense, incluindo intelectuais e artistas, pode evitar compartilhar a culpa pelas 'atrocidades em Gaza'. Afirmou que a 'campanha de aniquilação em Gaza mudou tudo', referindo-se ao seu apoio anterior. A carta, escrita em novembro de 2025 e divulgada em maio de 2026, reflete uma drástica mudança de postura.
De Vencedor do Prêmio Jerusalém a Defensor do Boicote
Em 1987, Coetzee aceitou o Prêmio Jerusalém e usou o discurso para denunciar o apartheid na África do Sul. Quatro décadas depois, ele traça paralelos entre o regime do apartheid e as políticas de Israel. O movimento BDS contra Israel sempre defendeu essas comparações, e o endosso de Coetzee fortalece sua causa.
Vítimas e Crise Humanitária em Gaza
A guerra em Gaza já matou mais de 75.000 palestinos por violência desde outubro de 2023, com mais de 116.000 feridos. Um estudo de janeiro de 2025 estimou que 59,1% dos mortos eram mulheres, crianças e idosos. Gaza tem o maior número de crianças amputadas per capita do mundo, e mais de 60% dos gazenses perderam familiares. A Corte Internacional de Justiça investiga alegações de genocídio, mencionadas por Coetzee.
Reações no Mundo Literário
A diretora do festival expressou choque, mas respeita a decisão. A Associação Nacional de Escritores da África do Sul apoiou Coetzee. Em meio a tensões, o presidente do PEN America, Dinaw Mengestu, renunciou após a organização publicar entrevistas sobre hostilidade na publicação desde outubro de 2023. A controvérsia da renúncia no PEN America destaca divisões sobre boicote cultural e liberdade de expressão.
Impacto no Festival
O festival, marcado para 25 a 28 de maio de 2026, pode ter seu prestígio diminuído pelo boicote de Coetzee e de outros escritores. A reversão do autor, ex-apoiador de Israel, pode influenciar outros indecisos.
FAQ
Por que Coetzee boicotou o festival?
Por considerar a campanha militar de Israel genocida e desproporcional, e por acreditar que a sociedade israelense compartilha a culpa.
O que ele disse na carta?
Disse que as ações de Israel são desproporcionais, têm apoio entusiástico, e que levará anos para Israel limpar seu nome internacionalmente.
Qual a importância do Prêmio Jerusalém?
Coetzee o venceu em 1987 e era apoiador de Israel. Seu boicote atual representa uma reversão significativa.
Quantos palestinos morreram?
Mais de 75.000 mortos por violência, com estimativas de que o total ultrapasse 100.000 incluindo mortes indiretas.
Qual a reação ao boicote?
A diretora do festival respeitou a decisão; a associação de escritores sul-africana apoiou. O boicote acirrou debates sobre liberdade de expressão.
Fontes
The Guardian: Coetzee recusa festival
Middle East Eye: Coetzee recusa por Gaza
Brittle Paper: Coetzee recusa convite
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