O Ministério de Minerais Críticos dos EUA em fevereiro de 2026 marcou um momento histórico na geopolítica dos recursos, com o lançamento do Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE) para substituir a Parceria de Segurança Mineral (MSP). Com mais de US$ 30 bilhões em financiamento mobilizado e 11 novos acordos bilaterais com países como Argentina e Marrocos, essa mudança estrutural do diálogo diplomático para o financiamento de projetos duros sinaliza que os minerais críticos se tornaram o campo de batalha central para a soberania da transição energética, cadeias de suprimento de defesa e autonomia tecnológica.
O que é o FORGE e por que isso importa?
O FORGE foi apresentado em 4 de fevereiro de 2026 no Ministério de Minerais Críticos, liderado pelo Secretário de Estado Marco Rubio e pelo Vice-Presidente JD Vance, com representantes de 54 países e da Comissão Europeia. O FORGE substitui o MSP, criticado por falta de mecanismos de execução e capital. O novo fórum cria uma zona preferencial de comércio e investimento para minerais críticos, com preços mínimos coordenados para combater a manipulação do mercado pela China, que controla cerca de 90% do processamento global de terras raras. A Coreia do Sul foi nomeada presidente do FORGE até junho de 2026. A Parceria de Segurança Mineral Forum havia preparado o terreno, mas o FORGE representa uma escalada significativa em ambição e recursos.
Mobilização de US$ 30 bilhões: Projeto Vault e além
Um destaque foi o anúncio de que o governo dos EUA mobilizou mais de US$ 30 bilhões em financiamento para projetos de cadeia de suprimento de minerais críticos nos seis meses anteriores. O EXIM lançou o Projeto Vault, uma iniciativa de US$ 12 bilhões para estabelecer a Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA. CEOs da GE Vernova, Boeing e outras grandes empresas apoiaram, reconhecendo que a segurança da cadeia de suprimento de minerais críticos é agora prioridade corporativa.
Onze novos acordos bilaterais
Onze novos acordos foram assinados com Argentina, Ilhas Cook, Equador, Guiné, Marrocos, Paraguai, Peru, Filipinas, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Uzbequistão, totalizando 21 acordos em apenas cinco meses. Argentina (lítio) e Marrocos (fosfato) são parceiros estratégicos. O Plano de Ação EUA-México para Minerais Críticos também foi anunciado.
Domínio da China e a weaponização das cadeias
A China controla 90% do processamento de terras raras, 80% do tungstênio e 60% do antimônio. Controles de exportação em 2025-2026 causaram picos de preço de até seis vezes fora da China, e taxas de aprovação de licenças para empresas europeias caíram abaixo de 25%. Uma análise argumenta que a China está usando controle – não escassez – para manter poder de preço e extrair concessões. Mais de 80% das empresas europeias dependem de cadeias chinesas para materiais essenciais. O relatório adverte que reconstruir alternativas pode levar 20-30 anos, dando ao Ocidente uma janela de 12 a 18 meses para agir. A Lista de Minerais Críticos dos EUA de 2025 adicionou dez novos minerais.
Implicações para defesa, VE e autonomia tecnológica
Minerais críticos são essenciais para caças F-35, sistemas de mísseis, radar naval e eletrônica militar. O Pentágono identifica ímãs de terras raras como vulnerabilidade crítica, com a China controlando 94% da fabricação. No setor de veículos elétricos, lítio, cobalto, níquel e grafite são indispensáveis. O J.P. Morgan prevê crescimento de 16% na demanda global de lítio em 2026. Data centers, impulsionados pela IA, podem representar quase 9% da demanda de eletricidade dos EUA até 2035. A Lei de Matérias-Primas Críticas da União Europeia selecionou 60 Projetos Estratégicos em 2025, mas o financiamento é insuficiente.
Perspectivas de especialistas
Não se trata apenas de mineração; é sobre a arquitetura do poder econômico e militar do século XXI. O FORGE reconhece que o diálogo diplomático sozinho não pode combater a manipulação do mercado dirigida pelo Estado. A mudança para financiamento de projetos e preços mínimos executáveis é uma mudança fundamental. — Membro sênior do CSIS.
Os controles de exportação da China são um bisturi, não uma marreta. Eles são projetados para criar incerteza máxima enquanto evitam um corte total que desencadearia uma mobilização ocidental total. A pausa de 12 meses, que expira em novembro de 2026, é um teste de se o Ocidente pode construir alternativas a tempo. — Analista do Instituto Coreano de Economia da América.
Perguntas Frequentes
O que é o FORGE?
O FORGE (Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos) é uma coalizão plurilateral lançada pelos EUA em fevereiro de 2026 para substituir a Parceria de Segurança Mineral. Visa criar uma zona preferencial de comércio e investimento com preços mínimos coordenados, presidido pela Coreia do Sul.
Quanto financiamento foi mobilizado?
O governo dos EUA mobilizou mais de US$ 30 bilhões, incluindo o Projeto Vault do EXIM de US$ 12 bilhões para uma reserva estratégica doméstica.
Quais países assinaram novos acordos?
Onze novos acordos foram assinados com Argentina, Ilhas Cook, Equador, Guiné, Marrocos, Paraguai, Peru, Filipinas, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Uzbequistão.
Por que os minerais críticos são uma questão de segurança nacional?
Eles são essenciais para sistemas de defesa (F-35, mísseis, radar), baterias de VE, infraestrutura de energia renovável e eletrônica avançada. O controle da China sobre ~90% do processamento cria vulnerabilidade estratégica.
Qual é o papel da China no mercado de minerais críticos?
A China domina a mineração (60%), o processamento (90%) e a fabricação de ímãs (94%) para terras raras. Controles de exportação em 2025-2026 causaram picos de preço de até 600% fora da China e reduziram as aprovações de licenças para empresas europeias abaixo de 25%.
Conclusão: Uma corrida contra o tempo
O lançamento do FORGE e a mobilização de US$ 30 bilhões representam o esforço ocidental mais ambicioso para quebrar o domínio chinês nas cadeias de suprimento de minerais críticos. No entanto, a lacuna entre ambição e execução permanece enorme. Construir novas minas e instalações de processamento leva de 10 a 15 anos, enquanto o 15º Plano Quinquenal da China aprofundará seu domínio. O fim da pausa dos controles de exportação da China em novembro de 2026 será um teste crítico. Se o FORGE pode transformar leverage bilateral em coordenação plurilateral genuína – e se o setor privado pode entregar projetos na escala necessária – determinará se o Ocidente pode alcançar soberania de recursos ou permanecer estruturalmente dependente. Os próximos 18 meses definirão os contornos geopolíticos da transição energética por décadas.
Fontes
- Departamento de Estado dos EUA — Comunicado à Imprensa do Ministério de Minerais Críticos de 2026
- Atlantic Council — Política de Minerais Críticos dos EUA torna-se colaborativa com o FORGE
- CSIS — Ministério de Minerais Críticos Introduz Nova Estratégia de Cooperação Internacional
- Rare Earth Exchanges — Controles de Exportação da China em 2026 Redesenham o Mapa Global da Cadeia de Suprimentos
- Korea Economic Institute — Estratégia da Coreia do Sul para Garantir Minerais Críticos como Presidente do FORGE
- EXIM — Projeto Vault e Reserva Estratégica de Minerais Críticos
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