Pentagon: Aliados devem assumir sua própria defesa

A Estratégia de Defesa Nacional 2026 do Pentágono transfere responsabilidades para aliados: Coreia do Sul e Europa devem organizar sua própria defesa com apoio limitado dos EUA, com foco no hemisfério ocidental.

pentagon-defesa-2026-aliados
Facebook X LinkedIn Bluesky WhatsApp

EUA mudam estratégia de defesa, transferem ônus para aliados

O Pentágono divulgou sua Estratégia de Defesa Nacional 2026, marcando uma mudança significativa na política externa americana. O documento de 34 páginas, assinado pelo Secretário de Defesa Hegseth, diz aos aliados que eles são os principais responsáveis por sua própria segurança e representa uma clara continuação da abordagem 'America First' do governo Trump.

Papel limitado na Coreia e Europa

A estratégia descreve um papel 'mais limitado' para os Estados Unidos na dissuasão da Coreia do Norte, afirmando que a Coreia do Sul agora é capaz e está disposta a lidar com a ameaça com apoio americano reduzido. 'Há uma maior chance de paz duradoura na Península Coreana com uma presença americana menos substancial,' afirma o documento. Atualmente, há cerca de 28.500 tropas americanas estacionadas na Coreia do Sul, embora a estratégia não especifique se esse número será reduzido.

Para a Europa, a mensagem é semelhante: 'Na Europa e em outras áreas, os aliados assumirão a liderança contra ameaças que são menos graves para nós, mas mais graves para eles, com apoio crucial, porém mais limitado, dos Estados Unidos.' Isso se refere principalmente à ameaça da Rússia, com os países europeus sendo esperados como responsáveis primários por sua própria defesa.

Foco no hemisfério ocidental

A estratégia enfatiza a defesa da pátria como prioridade máxima, com foco renovado no hemisfério ocidental. Áreas importantes mencionadas incluem manter o acesso ao Canal do Panamá e à Groenlândia, juntamente com a construção do sistema de defesa antimísseis Golden Dome. 'Esta não é uma estratégia de isolamento,' enfatiza o Pentágono, 'mas há mais atenção aos interesses americanos em todas as frentes.'

O documento menciona o presidente Trump notavelmente 47 vezes e representa uma ruptura com a estratégia do governo Biden de 2022, que considerava a China o principal desafio da América. Embora a China seja descrita como a nação mais poderosa do mundo depois dos EUA, a estratégia afirma que os EUA não buscam confronto direto, mas desejam evitar a dominação chinesa na região do Indo-Pacífico.

Requisitos de gastos da OTAN

O Pentágono diz que monitorará de perto se os países cumprem os acordos feitos na cúpula da OTAN em Haia no ano passado, onde os membros concordaram em aumentar os gastos com defesa para 5% do Produto Interno Bruto de cada país. Isso representa um aumento significativo em relação à meta anterior de 2% que muitos países europeus tiveram dificuldade em atingir.

Líderes europeus expressaram preocupação com a mudança. Um diplomata europeu anônimo observou: 'Isso representa uma mudança fundamental nas relações transatlânticas que pode ter consequências duradouras para a arquitetura de segurança europeia.'

A estratégia segue a estratégia de segurança da Casa Branca divulgada no início de dezembro, que foi descrita por funcionários europeus como um 'ataque frontal à Europa' cheio de palavras duras sobre a OTAN e o futuro da Europa.

Resistência do Congresso

O Congresso já está trabalhando em legislação para limitar a capacidade do Pentágono de reduzir os níveis de tropas na Europa e na Coreia do Sul através da Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2026. A legislação impediria a redução de tropas na Europa abaixo de 76.000 sem uma certificação do Congresso de que tais medidas não prejudicariam os interesses de segurança dos EUA ou da OTAN.

Para a Coreia do Sul, a proposta de lei estabelece um mínimo de 28.500 tropas e exige que o Pentágono assegure ao Congresso que quaisquer reduções não enfraqueceriam a dissuasão contra a Coreia do Norte. Essas restrições surgem de preocupações sobre possíveis planos do Pentágono de reduzir tropas em ambas as regiões.

A Estratégia de Defesa Nacional é produzida a cada quatro anos e serve como o principal guia estratégico do Departamento de Defesa, traduzindo a Estratégia de Segurança Nacional em diretrizes militares amplas para planejamento, implantação de tropas e modernização.

Artigos relacionados