Contexto: A Crise dos Minerais Críticos de 2025–2026
A corrida global por minerais críticos atingiu um ponto de inflexão. A China controla 60-90% do processamento de lítio, cobalto e terras raras, essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas e defesa. Em 2025, Pequim apertou os controles de exportação, elevando os preços em até seis vezes no exterior. A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE, adotada em 2024, estabeleceu metas para 2030, mas a reconstrução de cadeias independentes leva 20 a 30 anos. Em fevereiro de 2026, os EUA lançaram o FORGE, uma coalizão de 54 nações com mais de US$ 30 bilhões em financiamento, incluindo uma reserva de US$ 10 bilhões chamada Projeto Vault. No entanto, analistas alertam que a reconstrução pode levar décadas, criando uma janela de 12 a 18 meses. Nesse vácuo, entram os estados do Golfo.
Manara Minerals da Arábia Saudita: Ambição de US$ 100 Bilhões
A Arábia Saudita estima sua riqueza mineral em US$ 2,5 trilhões e planeja mobilizar US$ 100 bilhões em investimentos até 2035 sob a Visão 2030. O principal veículo é a Manara Minerals, joint venture entre o Fundo de Investimento Público (PIF) e a mineradora estatal Ma'aden, lançada em 2023. A Manara foca em adquirir participações em projetos de cobre, níquel, lítio e terras raras globalmente. Em janeiro de 2026, a Reuters informou que o PIF planeja transformar a Manara em entidade independente. A Arábia Saudita já tem como alvo ativos na África e América Latina. Suas reservas incluem fosfato e bauxita, mas sua verdadeira vantagem está no poder financeiro e na localização estratégica.
O Cálculo Geopolítico
A Arábia Saudita equilibra relações: a China é seu maior cliente de petróleo, enquanto os EUA são seu garantidor de segurança. Ao posicionar a Manara como uma intermediária geopoliticamente neutra, Riade espera atrair capital ocidental sem alienar Pequim. Em 2025, a Arábia Saudita assinou um acordo de refino de terras raras com a MP Materials dos EUA e o Pentágono, sinalizando integração com cadeias ocidentais.
Consórcio Orion dos EAU: Uma Ponte de US$ 1,8 Bilhão
Os Emirados Árabes Unidos moveram-se ainda mais rápido. Em outubro de 2025, a DFC dos EUA e o fundo ADQ de Abu Dhabi investiram US$ 1,8 bilhão junto com a Orion Resource Partners para formar o Orion Critical Mineral Consortium. O acordo visa projetos de cobre, níquel, cobalto e terras raras na África e América Latina. A estratégia de minerais críticos dos EAU aproveita sua infraestrutura portuária e de processamento para atrair operações de refino.
Neutralidade como Proposta de Valor
Ambos os estados do Golfo se apresentam como "mãos seguras" em um mundo polarizado. Oferecem capital paciente com poucas amarras, ao contrário da China ou dos EUA. Segundo o IISS, a "geografia estratégica, profundidade financeira e agilidade diplomática" do Golfo lhes dá vantagem única.
Impacto nas Cadeias Globais e Estruturas de Alianças
A virada do Golfo tem implicações profundas: introduz um terceiro polo no cenário de minerais críticos, oferece às nações ocidentais uma rota mais rápida para diversificação e dá aos estados do Golfo alavancagem sobre preços e alianças. A aliança mineral FORGE 2026 já assinou acordos com os EAU, e a Arábia Saudita deve aderir. No entanto, os estados do Golfo não alienam a China: buscam "diversificação, não desacoplamento", mantendo a China como maior parceiro comercial.
Perspectivas de Especialistas
"Os estados do Golfo podem assumir a liderança graças à energia barata, reservas domésticas e capital abundante", disse Gracelin Baskaran, do CSIS. "Eles estão se posicionando como intermediários neutros, oferecendo uma alternativa às cadeias chinesas", segundo análise do IISS. Ahmed Aboudouh, do ORF Oriente Médio, escreveu que o equilíbrio do Golfo é deliberado: apesar das parcerias profundas com os EUA, eles buscam diversificação, não desacoplamento.
FAQ: A Virada dos Minerais Críticos do Golfo
O que é a Manara Minerals?
Joint venture entre o PIF saudita e a Ma'aden, lançada em 2023 para investir em ativos globais de cobre, níquel, lítio e terras raras.
O que é o Orion Critical Mineral Consortium?
Parceria de US$ 1,8 bilhão entre DFC dos EUA, ADQ de Abu Dhabi e Orion Resource Partners, anunciada em outubro de 2025, para investir em projetos de minerais críticos.
Por que os estados do Golfo estão mudando para minerais críticos?
Para diversificar suas economias além do petróleo sob planos como a Visão 2030, buscando resiliência econômica e influência geopolítica.
Como isso afeta o domínio da China?
Introduz um terceiro polo, oferecendo alternativas ao processamento chinês, mas os estados do Golfo mantêm laços fortes com Pequim, buscando hedging.
O que é o FORGE?
Coalizão de 54 nações liderada pelos EUA, lançada em fevereiro de 2026 para garantir cadeias de suprimento de minerais críticos, com mais de US$ 30 bilhões.
Conclusão: Um Novo Árbitro
À medida que a transição energética acelera, Arábia Saudita e EAU emergem como árbitros na ordem global de minerais críticos. Sua capacidade de implantar capital massivo, oferecer hubs neutros e navegar entre Washington e Pequim lhes dá influência desproporcional. Para o Ocidente, o Golfo pode ser o parceiro mais consequente e estrategicamente ágil nos próximos anos.
Fontes
- Informed Clearly: Gulf Critical Minerals Pivot 2026
- IISS: The Gulf States' Push for Critical Minerals
- Reuters: U.S. and Abu Dhabi Invest $1.8 Billion with Orion
- U.S. State Department: 2026 Critical Minerals Ministerial
- ORF Middle East: The Gulf's Critical Minerals Balancing Act
- Rare Earth Exchanges: China's 2026 Export Controls
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