C919 faz primeiro voo internacional: marco da China

C919 da China completa primeiro voo internacional entre Pequim e Ulaanbaatar em 12/08/2026. Jato Comac rival de Boeing e Airbus; certificação pode levar anos.

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Edicao: PT

O que é o C919 e por que este voo importa?

O jato de passageiros chinês C919 completou seu primeiro voo internacional programado em 12 de agosto de 2026, partindo do Aeroporto Internacional de Pequim às 15h e pousando no Aeroporto Internacional Chinggis Khaan em Ulaanbaatar, Mongólia, onde recebeu saudação de canhão de água. Operado pela Air China como voo CA723, a aeronave narrowbody agora voa diariamente na rota Pequim–Ulaanbaatar, marcando a primeira vez que o jato chinês transporta passageiros fora da China desde que entrou em serviço em maio de 2023.

Construído pela estatal Commercial Aircraft Corporation of China (Comac), o C919 é um jato de corredor único projetado para concorrer diretamente com as famílias Boeing 737 e Airbus A320. Ele transporta entre 158 e 192 passageiros e tem alcance de até 5.555 quilômetros.

Como a China construiu seu rival para Boeing e Airbus

A indústria de aviação comercial chinesa persegue um avião comercial próprio há mais de um século, impulsionada por ambição econômica e preocupações estratégicas com a dependência de tecnologia ocidental. Um passo decisivo veio em 2008 com a fundação da Comac, fabricante estatal por trás do C919.

O programa C919 começou em 2008, com o primeiro protótipo saindo em novembro de 2015 e o voo inaugural em 5 de maio de 2017. Recebeu certificação chinesa em setembro de 2022 e entrou em serviço comercial com a China Eastern em 28 de maio de 2023.

Frota crescente, mas limitada

Entre Air China, China Eastern e China Southern, os jatos C919 já serviram quase 60 rotas e mais de 25 cidades, transportando mais de 7,5 milhões de passageiros. A Air China opera 12 C919, com mais de 12.000 voos e 1,62 milhão de viagens.

Limites de produção e dependência ocidental

Apesar do marco simbólico, o C919 está longe de ser um rival real do duopólio de narrowbody da Airbus e Boeing. O analista de aviação Li Hanming disse que a aeronave «ainda não tem os certificados que as companhias ocidentais exigem» e que a Comac «produz poucas aeronaves para competir com modelos comparáveis da Airbus ou Boeing.»

O consultor independente Brendan Sobie atribuiu o gargalo à produção insuficientemente localizada. «A China queria ampliar produção, certificação e qualidade muito antes, mas a escassez global impediu isso», disse, citando lacunas em motores, peças e mão de obra.

Componentes estrangeiros continuam críticos

O C919 não é totalmente chinês. Seus motores são da CFM International, joint venture EUA-França, e outros sistemas vêm de fornecedores ocidentais. Essa vulnerabilidade ficou visível em 2025, quando Washington suspendeu temporariamente algumas licenças de exportação de tecnologia à Comac. A Comac queria entregar 75 C919 no ano passado, mas conseguiu apenas 15. Pequim depois restringiu o uso de algumas peças da Boeing.

O que o primeiro voo internacional significa para a aviação global

O voo de estreia é um símbolo das ambições da China, mas também ecoa a estratégia Made in China 2025 de substituição de importações. A certificação ocidental, especialmente da Agência Europeia para a Segurança da Aviação, pode levar de três a seis anos, segundo especialistas. Até lá, o C919 provavelmente ficará restrito a rotas asiáticas.

Ainda assim, Sobie não espera um desacoplamento total entre as aviações chinesa e ocidental. «Esta aeronave pode conter muita tecnologia ocidental, mas Airbus e Boeing também importam muitos componentes da China», observou. Por ora, a maior vantagem do C919 é o vasto mercado doméstico chinês, que movimentou 1,5 bilhão de passageiros no ano passado.

FAQ

O que é o Comac C919?

O Comac C919 é um jato chinês de corredor único para concorrer com o Boeing 737 e Airbus A320. Transporta 158–192 passageiros e entrou em serviço em maio de 2023.

Quando o C919 fez seu primeiro voo internacional?

O C919 completou seu primeiro voo comercial internacional programado em 12 de agosto de 2026, de Pequim a Ulaanbaatar, Mongólia, operado pela Air China.

O C919 é totalmente fabricado na China?

Não. O C919 depende de componentes ocidentais, incluindo motores LEAP da CFM International e outros sistemas, tornando a China dependente de tecnologia estrangeira.

O C919 terá certificação europeia ou americana?

Especialistas estimam que a certificação europeia pode levar de três a seis anos. Até lá, o jato deve operar principalmente na Ásia.

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