Surto de Ebola no Congo: 10 mil casos e 4.900 mortes

Surto de Ebola no Congo ultrapassa 10 mil casos e quase 4.900 mortes; variante Bundibugyo já chegou ao Quênia e à Nigéria. Ainda não há vacina aprovada.

Surto de Ebola no Congo: 10 mil casos e 4.900 mortes
Partilhar
Partilhar este artigo Escolha uma rede ou aplicação no seu dispositivo.
E-mail

Edicao: PT

O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou 10.000 casos confirmados, com quase 4.900 mortes, dizem autoridades congolesas. O vírus Bundibugyo, altamente infeccioso e com letalidade de cerca de 48%, impulsiona o que o Africa CDC descreve como a epidemia de Ebola de crescimento mais rápido já registrada.

O que é o ebolavírus Bundibugyo?

O vírus Bundibugyo (BDBV) é um dos quatro ebolavírus que causam Ebola. Foi identificado no distrito de Bundibugyo, oeste de Uganda, em 2007. Diferente do ebolavírus Zaire, não há vacina aprovada nem tratamento antiviral específico, o que complica a resposta ao surto de Ebola na África Central. Sintomas incluem febre, diarreia, vômitos, dor de cabeça e dores musculares; sangramentos são menos frequentes que no Ebola Zaire, dificultando o diagnóstico precoce.

Quão rápido o surto se espalha?

As infecções passaram de 9.964 em 23 de outubro para mais de 10.000 em 27 de outubro de 2026. O surto foi declarado em 15 de maio de 2026. Para comparação, a epidemia da África Ocidental de 2014–2016 matou mais de 11.000 pessoas em Serra Leoa, Libéria e Guiné, mas o atual surto na RDC cresce bem mais rápido, segundo o Africa CDC.

2014–2016 vs. surto de Ebola de 2026

IndicadorÁfrica Ocidental, 2014–2016RDC, Bundibugyo, 2026
Casos totais~28.600>10.000 (27 out.)
Mortes>11.000~4.900
Letalidade~40%~48%
Vacina aprovadaNão (Ervebo aprovada depois)Não

Por que o Bundibugyo é mais difícil de controlar?

A falta de vacina licenciada ou tratamento específico é um grande obstáculo. Desde julho, ensaios clínicos testam dois possíveis tratamentos e várias candidatas a vacina, incluindo se a Ervebo, aprovada só para o Ebola Zaire, protege de forma cruzada. A OMS espera iniciar em semanas estudos adicionais com duas vacinas específicas contra Bundibugyo, segundo atualizações sobre o desenvolvimento de vacinas contra Ebola.

Sintomas iniciais confundem-se com malária e outras doenças, atrasando o tratamento. Desconfiança e violência atrapalham a resposta: jovens armados atacaram profissionais de saúde no leste do Congo, acusando-os de contaminar a água.

Propagação regional: Quênia e Nigéria

O vírus cruzou fronteiras. O Quênia registrou nove casos confirmados e duas mortes após um paciente viajar da RDC, passando por Uganda, até Nairóbi. A Nigéria relatou seu primeiro caso em outubro: a esposa de um diplomata suíço adoeceu após viajar a Uganda e foi transferida à Suíça. Uganda impôs quarentena de 21 dias a viajantes da RDC, evidenciando o desafio da vigilância transfronteiriça de doenças na região.

Impacto nos sistemas de saúde e nas comunidades

O surto interrompeu cuidados rotineiros em províncias afetadas. Campanhas de vacinação infantil foram suspensas e aulas foram interrompidas para muitas crianças em áreas onde milhões já estavam fora da escola. Muitas gestantes evitam hospitais por medo de infecção, e a mortalidade materna dobrou em algumas províncias logo após o início do surto. Famílias de pacientes também enfrentam estigma e isolamento, agravando a crise dos serviços de saúde materna na RDC.

Há sinais de esperança. Mais de 2.600 pacientes se recuperaram. Um vídeo viral mostrou profissionais de saúde dançando após os últimos dois pacientes deixarem um centro de tratamento em Mongbwalu. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse: Cada paciente que sobrevive ao Ebola é um motivo de otimismo.

Perguntas frequentes

O que é o ebolavírus Bundibugyo?

É uma espécie de ebolavírus identificada em Uganda em 2007. Causa Ebola com sintomas semelhantes aos do Ebola Zaire, mas com sangramentos menos frequentes.

Quantas pessoas morreram no surto de Ebola no Congo em 2026?

Quase 4.900 pessoas morreram entre mais de 10.000 casos confirmados até 27 de outubro de 2026, letalidade de cerca de 48%.

Existe vacina contra o ebolavírus Bundibugyo?

Ainda não há vacina ou tratamento específico aprovado. Ensaios clínicos estão em curso, e duas candidatas específicas podem iniciar estudos adicionais em semanas.

Quais países registraram casos de Bundibugyo fora da RDC?

O Quênia registrou nove casos e duas mortes; a Nigéria registrou um caso ligado a viagem de Uganda.

Estreitamente relacionado