Surto de Ebola na RD Congo e Uganda mata quase 1.000 pessoas
O surto em curso de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e Uganda já matou pelo menos 999 pessoas, segundo o Ministério da Saúde congolês. Causado pelo raro vírus Bundibugyo (BDBV), este é agora o terceiro maior surto de Ebola já registrado e está se espalhando mais rápido que qualquer outro anterior. Até julho de 2026, mais de 2.473 casos confirmados foram relatados na RDC, com 737 pacientes em isolamento ou hospitalização. O vírus também se espalhou para Uganda, com duas mortes confirmadas, e um caso foi relatado na França ligado a viagem da RDC. A surtos de Ebola na África em 2026 levou a OMS a declarar Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (ESPII) em 17 de maio de 2026. A espécie Bundibugyo não tem vacina ou tratamento específico aprovados, embora ensaios clínicos estejam em andamento.
O que é o vírus Bundibugyo?
O vírus Bundibugyo (BDBV) é uma espécie de ebolavírus descoberta em 2007 no distrito de Bundibugyo, oeste de Uganda. É um dos quatro ebolavírus que causam a doença do vírus Ebola em humanos. Ao contrário do Zaire ebolavírus (que causou a epidemia de 2014-2016 na África Ocidental), o BDBV não tem vacina licenciada ou terapia antiviral direcionada. O vírus é classificado como Patógeno do Grupo de Risco 4 da OMS e Agente de Bioterrorismo Categoria A do CDC, exigindo contenção de Nível de Biossegurança 4. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, vômitos, diarreia e, em casos graves, hemorragia inexplicada. A taxa de letalidade para surtos de Bundibugyo historicamente variou de 25% a 40%, mas a rápida propagação atual sobrecarregou os sistemas de saúde.
Por que este surto está se espalhando tão rápido?
Vários fatores impulsionam a velocidade sem precedentes. Segundo a OMS e o CDC da África, o surto ocorre em uma região já em crise humanitária, com áreas remotas densamente povoadas, conflito armado e alto movimento populacional através das fronteiras. O CDC relata que o surto ultrapassou 1.000 casos confirmados em 40 dias, comparado a 235 dias para o surto de 2018 na RDC. Para 80% dos novos casos, a fonte de infecção é desconhecida, indicando que a transmissão comunitária está superando os esforços de rastreamento de contatos. "Se não pararmos este surto hoje, pode se tornar um dos piores que o mundo já viu", disse Jean Kaseya, Diretor-Geral do CDC da África. Em algumas áreas, vilarejos são tão remotos que só podem ser alcançados de helicóptero. A resposta humanitária em zonas de conflito enfrenta desafios adicionais com ataques a trabalhadores de saúde e campanhas de desinformação.
Resposta internacional e financiamento
A comunidade global mobilizou recursos significativos. Os Países Baixos anunciaram €4 milhões adicionais em financiamento emergencial. O Fundo Global aprovou US$4,6 milhões para prevenção da malária na RDC, já que os sintomas se sobrepõem aos do Ebola. A Parceria Europeia para Ensaios Clínicos (EDCTP) ativou €4 milhões para pesquisa em vigilância, diagnósticos e terapêuticas de amplo espectro, com base em €124,9 milhões em investimentos anteriores. A OMS adicionou o primeiro teste diagnóstico para o vírus Bundibugyo à sua Lista de Uso Emergencial em julho de 2026, permitindo detecção mais rápida. Ensaios clínicos para tratamentos experimentais começaram, embora não exista terapia licenciada. A resposta da OMS a emergências de saúde inclui o envio de mais de 400 funcionários do CDC, com mais de 120 destacados para países afetados.
Risco regional e global
Embora a OMS avalie o risco global como baixo, o risco regional permanece alto. Casos foram confirmados em cinco províncias da RDC (Haut-Uele, Ituri, Nord-Kivu, Sud-Kivu e Tshopo) e em Kampala, Uganda. O CDC implementou triagem de entrada para viajantes de regiões afetadas e recomenda evitar viagens não essenciais às províncias afetadas da RDC. Nenhum caso foi relatado nos Estados Unidos. O surto também interrompeu serviços de saúde de rotina. Em junho de 2026, trabalhadores de saúde no leste da RDC entraram em greve devido a preocupações de segurança após ataques a centros de tratamento. Um incêndio em um centro de tratamento de Ebola em julho de 2026 causou uma morte e fez com que pacientes fugissem, complicando ainda mais os esforços de contenção.
Perguntas Frequentes
O que é o vírus Bundibugyo?
O vírus Bundibugyo (BDBV) é uma espécie de ebolavírus que causa a doença do vírus Ebola. Foi identificado pela primeira vez em Uganda em 2007. Ao contrário do Zaire ebolavírus, não há vacina ou tratamento específico licenciado para BDBV.
Como o Ebola se espalha?
O Ebola se espalha através do contato direto com fluidos corporais (sangue, vômito, fezes, sêmen) de uma pessoa infectada ou materiais contaminados. Não é transmitido pelo ar.
Quais são os sintomas do Ebola?
Os sintomas incluem febre, fadiga, dores musculares, dor de cabeça, vômitos, diarreia e, em casos graves, sangramento interno e externo. Os sintomas aparecem de 2 a 21 dias após a exposição.
Existe vacina para este surto?
Não há vacina aprovada para o vírus Bundibugyo. Vacinas para Zaire ebolavírus (como Ervebo) não são eficazes contra BDBV. Ensaios clínicos para novas vacinas e tratamentos estão em andamento.
O que está sendo feito para conter o surto?
OMS, CDC, CDC África e autoridades nacionais estão realizando vigilância, rastreamento de contatos, engajamento comunitário e ensaios clínicos. Financiamento emergencial foi alocado e restrições de viagem estão em vigor para regiões afetadas.
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