Vinte e cinco anos após os ataques de 11 de setembro de 2001, os sobreviventes do 11/9 nos Estados Unidos ainda convivem diariamente com as consequências físicas e emocionais. Dos socorristas do Ground Zero que enfrentam o câncer às famílias que perderam entes queridos, as feridas permanecem abertas. Como mostram Stanley Praimnath, Gordon Felt e Bill Hayes, o 11/9 não é apenas história — é uma realidade contínua.
A manhã que mudou tudo
Na manhã de 11 de setembro de 2001, nova-iorquinos corriam para pegar trens rumo a Manhattan. Stanley Praimnath, que trabalhava no 81º andar da Torre Sul, já estava em sua mesa quando o primeiro avião atingiu a Torre Norte. 'Eu disse: vou para casa agora', recorda. Mas um segurança garantiu que o prédio estava seguro. Momentos depois, um segundo avião atingiu sua torre. 'O andar inteiro foi destruído, como se uma enorme bola de demolição tivesse passado por ali', contou. A cronologia dos ataques de 11 de setembro mostra como rotinas comuns viraram catástrofe.
Três histórias de sobrevivência e perda
Stanley Praimnath: escapar da Torre Sul
Stanley foi uma das poucas pessoas a escapar da zona de impacto. Após seus pedidos de ajuda serem ouvidos por Brian Clark, que trabalhava três andares acima, os dois desceram 1.620 degraus antes de a Torre Sul desabar, menos de uma hora após o impacto. Nos anos seguintes, Stanley lutou contra a culpa do sobrevivente. Encontrou resposta na fé, tornou-se pastor e venceu uma leucemia diagnosticada em 11 de setembro de 2020. 'Minha irmã disse uma vez: Stan, você tem mais vidas que um gato. Eu respondi: gatos têm nove vidas e eventualmente morrem.'
Gordon Felt: um irmão perdido no voo 93
Gordon Felt soube dos ataques por um colega e ligou a TV quando o segundo avião atingiu a Torre Sul. 'Então soubemos que não era um acidente e que estávamos sendo atacados', disse. Seu irmão Edward estava no voo 93 da United, que caiu na Pensilvânia após passageiros reagirem. A ligação de Edward do banheiro do avião — 'Há um sequestro em andamento. Ainda consegue me ouvir?' — é um dos últimos sinais de vida. 'As feridas não cicatrizam', disse. 'E talvez não queiramos que cicatrizem. Mas o voo 93 também é uma história de enorme coragem, esperança e inspiração.'
Bill Hayes: três dias no Ground Zero
O bombeiro Bill Hayes já respondia a um incêndio quando soube que o Pentágono havia sido atingido. Gravou uma mensagem para a esposa antes de se mobilizar. Por três dias, procurou sobreviventes nos escombros do Ground Zero, mas não encontrou nenhum. Depois desenvolveu câncer duas vezes, que atribui ao tempo no World Trade Center. 'Não acho que sou um herói, mas trabalhei com heróis', disse. 'Gostaria que tivéssemos salvado mais pessoas. Mas fizemos tudo o que era humanamente possível.'
O impacto na saúde a longo prazo
Além das cicatrizes emocionais, o custo físico é enorme. Segundo o Programa de Saúde do World Trade Center, trabalhadores de resgate têm risco geral de câncer 11% maior que a população em geral. Entre socorristas do WTC diagnosticados com câncer, 86% estão vivos cinco anos depois, contra 63% dos nova-iorquinos não expostos. Até 2024, mais de 132 mil pessoas estavam inscritas no programa e 4.257 têm certificação de câncer.
Por que o 11/9 segue sendo uma ferida aberta
Para Gordon Felt, a história do 11/9 não pode ser esquecida. 'É uma história da qual ainda fazemos parte hoje', disse. 'Carregamos essa história no coração e nos ombros. Chegará um dia em que não estaremos mais aqui. Então outros terão de levá-la adiante.' O Memorial e Museu do 11/9 em Nova York é uma lembrança física, mas as testemunhas vivas estão diminuindo.
Perguntas frequentes
Quais são os efeitos de saúde mais comuns a longo prazo?
Câncer, doenças respiratórias crônicas como asma e DRGE, e condições de saúde mental como TEPT e depressão, segundo o Programa de Saúde do World Trade Center.
Quantas pessoas estão inscritas no programa de saúde do 11/9?
Em março de 2024, o total chegou a 132.530 membros, incluindo socorristas, trabalhadores de recuperação e sobreviventes.
Os socorristas têm maior risco de câncer?
Sim, pesquisas mostram risco geral de câncer 11% maior em relação à população em geral.
O que aconteceu com o voo 93?
O voo 93 da United caiu num campo perto de Shanksville, Pensilvânia, após passageiros e tripulantes reagirem aos sequestradores, evitando outro ataque em Washington.
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